segunda-feira, 18 de abril de 2011

Do auge da alegria... ao auge da perplexidade!







Folheando jornais da semana passada encontrei um texto da minha amiga Dolly Polasek falando do massacre de Realengo, focando-se de maneira brilhante na figura de uma menina que tinha assistido a tudo. Seu nome é Jade.

No dia 5 de abril estive no evento que mais aguardei nos últimos anos: o show da mega banda Iron Maiden. Sou louca pela voz do Bruce, a maneira como ele prolonga as notas é sobrenatural. Vivi dias de grande ansiedade, até resolvermos ir em cima da hora. Fui com minha amiga loira, a melhor companhia que eu poderia ter.
Show impecável, emoção inigualável. Como foi bom sonhar com o encontro. Melhor ainda ter ficado a 10 metros deles.

Voltei em êxtase, daquele jeito que ficamos quando vemos um ídolo e ficamos perto dele admirando sua arte, seu dom. Sua maneira de ser incrivelmente genial, único. Porque não dizer, onipotente...

Confesso, deu uma deprê pós show sim... só que tudo ficou tão pequeno quando às 8:20 da manhã do dia 7 comecei a acompanhar as notícias desencontradas sobre um atirador dentro de uma escola. Um absurdo, 8 mortos... que até o 12h ficamos sabendo que foram 12, contando com o responsável por inciar toda esta tragédia.

Inacreditavelmente um homem invadiu uma escola e matou a queima-roupa 11 crianças, deixando mais umas 7 na UTI.
As cenas eram cruéis, crianças correndo desesperadamente, ensanguentadas, pais atônitos, políticos chorando (sinceramente)... e um assassino morto. Como morreu? Matou-se ou foi morto? Pouco importa. Só não queremos correr o mesmo risco.

O que mais me doía era ver os relatos das crianças que viram as cenas mais bárbaras no local aonde os pais supunham estarem seguros.
A menina Jade contava com aqueles olhinhos arregalados de quem enxergou a morte em sua frente. Deu de cara com a maior maldade do mundo. Aqueles coleguinhas do dia-a-dia sendo exterminados como se fossem patinhos de madeira nas barracas do parque de diversão... e a espingarda fosse de pressão. Só que não era.
Ele atirou no pé e depois na cabeça das meninas.
Matou as virgens, talvez como uma espécie de sacrifício.

Reflita com a tradução de 666 - The Number Of The Beast, a música que erroneamente alguns pensam que é uma apologia do Iron Maiden ao demo...

O Número da Besta
"Ai de vós, ó Terra e Mar,pois o Demônio envia a besta com ódio,
Porque ele sabe que o tempo é curto...
Deixe aquele que compreende reconhecero número da besta porque é um número humano
Seu número é seiscentos e sessenta e seis."

Saí sozinho, minha mente estava vazia
Precisava de tempo para pensar e para tirar as memórias de minha mente

O que eu vi, posso acreditar?
Que aquilo que eu vi naquela noite era real,e não apenas fantasia.

O que eu vi, nos meus sonhos antigos,
Eram reflexos da minha mente distorcida olhando para mim

Porque nos meus sonhos, está sempre lá
A face do mal que retorce minha mente e me leva ao desespero
Yeah!!!

A noite estava negra, não dava para se esconder
Porque eu tinha que ver, alguém me observando
Na névoa, formas escuras se moviam e se retorciam,
Tudo isso era real, ou só algum tipo de inferno?

Seis, seis, seis, o número da besta.Inferno e fogo nasceram para serem liberados.

Tochas foram queimadas e cânticos sagrados foram elogiados

Como eles começam a chorar, apertando as mãos em direção ao céu
Noite adentro, os fogos queimavam brilhantemente
O ritual começou, o trabalho do Satanás estava feito

Seis, seis, seis, o número da bestaEstá havendo sacrifício esta noite

Isto não pode continuar, devo informar a lei

Pode ainda ser real, ou apenas um sonho louco?Mas me sinto atraído pelas hordas que cantam o mal,
Elas parecem hipnotizar... Não posso evitar seus olhos

Seis, seis, seis, o número da Besta
Seis, seis, seis, o número pra mim e você.

Estou voltando, vou retornar
Possuirei seu corpo e o farei queimar
Eu tenho fogo, tenho o poder
Eu tenho o poder para fazer o meu mal seguir adiante

Sim, Wellington escolheu fazer o mal seguir adiante. Quando ele sofreu na mão de desajustados que o humilharam, o ridiculizaram e o infernizaram, conseguiram desencadear a doença que habitava dentro de si.
Porque não devemos ter raiva deste rapaz. Um pobre coitado, doente e sozinho.
A solidão é o mal do século, Renato Russo já dizia.

Sua loucura, o auge culminou no dia 7 de abril quando colocou seu plano em prática, acreditando em um mundo irreal, tão fantasioso que até agora as pessoas não sabem se os personagens das anotações existem.
Em que momento alguém próximo a ele ignorou sua doença?

Agora será enterrado como indigente.

As crianças tiveram suas vidas podadas precocemente, nada poderá ser feito.


(continuo depois)