domingo, 30 de dezembro de 2012

Inventário 2012 - Só por hoje!


INVENTÁRIO 2012
Eu sobrevivi!!!

Superei!!! E o melhor de tudo é que busquei o caminho mais improvável... foi um ano aonde tristezas e alegrias se misturaram, seguindo o curso natural da vida, pois não estamos sorrindo o tempo todo e o sofrimento é opcional, muitas vezes.
Busquei a luz quando vi que não tinha mais nada a perder, a não ser o que mais tenho de valioso: a vida. Vieram novas experiências, novos amigos, novas idéias, novos sonhos, novos objetivos, sim, encontrei uma nova forma de viver e fiz valer à pena ter me destruído para reconstruir-me muito melhor, como uma fênix. Não quero e nunca vou ser exemplo pra ninguém, quero apenas ser justa, viver tranquilamente e cuidar do que amo para que isso se multiplique.
Foi um ano aonde me surpreendi comigo, finalmente me vi amadurecer, ainda estou no início da caminhada que irá até o resto da minha vida, há muito ainda pra ser feito, mas já consegui subir ao menos um degrau. Contabilizo mais vitórias do que derrotas, tenho muito mais a agradecer do que a pedir...

Desejo ficar bem e ser cada vez melhor para todos que se aproximarem de mim.

Janeiro





Iniciei o ano de uma forma inédita, junto de todos meus irmãos biológicos e pude sentir como é ter uma grande família, unida e feliz, mas no meu interior estava me sentindo só, vazia e perdida.
Queria  responder a pergunta que martelava no meu inconsciente: "O que é o amor?".
De fato vivia a pior crise existencial de toda minha vida, de repente tudo o que  acreditava tornou-se uma grande bobagem, tudo o que abominava, pratiquei.
Eu me contrariei, eu fui contra mim... eu me destruí.
Resolvi tirar alguns dias de férias e voei para Vitória/ES para reencontrar minha família, minha prima Dani, minhas tias -irmãs da minha mãe - e meus sobrinhos postiços: Heron e Saskia.
De quebra conheci o marido da Dani,  Jef, seus amigos Gustavo e Fabiano, além do mais que querido, espontâneo e maravilhoso: Renan.
Curti muita praia - aliás, tão gelada quanto um rio-  muitos passeios, muita comida boa, muita risada e ganhei muito, mais muito carinho... puxa, estas pessoas fazem parte da minha história, das minhas melhores lembranças. Cheguei lá com o coração destruído, com a culpa nas alturas, o arrependimento me corroendo a alma... mais que isso, estava de saco cheio de tanta gente me julgando e falando da minha vida como se algum dia tivessem parado para me ouvir...e cá entre nós, quem é que pode nos julgar mesmo?
Saí do olho do furacão e voltei com vontade de continuar vivendo e acreditando que havia uma luz no fim do túnel.
Busquei aumentar minha fé, passei a frequentar cultos na igreja Bola de Neve, busquei ajuda no Grupo Nova Vida, mas... ainda era forçado, não era algo que me preenchia...
E continuava bebendo...tornou-se uma grande hipocrisia.

Fevereiro





Mês de Carnaval, eu mais perdida que sei lá o quê, até porque sempre odiei isso. Acabei tendo a sorte de receber meus amigos cariocas, Bruno e Amanda, pessoas super alto astral, como todos cariocas são, trouxeram alegria pro meu feriado. Curtimos bastante, fui pela primeira vez à Antonina curtir a folia... bebi pacas, conheci uma pessoa com a qual saí dias depois, mas ele tinha um sério problema e me afastei.
Passei a beber cada dia mais, sentava sozinha no quintal e tomava até 3 litros de cerveja sozinha, depois deitava e ia dormir, triste e chorando. Acordava com ressaca.
Comecei a separar o joio do trigo, quem realmente era meu amigo continuou ao meu lado, muitos apareceram, porque amigo de churrasco, de festa pra foto do Facebook isso é simples e rápido de ter. Claro que faz parte, mas com a correria do dia-a-dia  nem sempre podemos estar juntos, só que quando tudo dá errado é que percebemos quem está do nosso lado. Confesso que tive ótimas surpresas, fiquei desconfiada a princípio, mas aos poucos fui baixando a guarda e descobrindo que tenho muitos anjos ao meu lado.
Olha que fiquei chata e repetitiva, mesmo assim não fui abandonada.
Comecei a ter problemas no braço do esvaziamento axilar porque estava fazendo esforço repetitivo, passei por consulta no HEG e consegui que o médico da perícia solicitasse meu afastamento daquela função. Demorou porque ao invés do RH encontrar um local pra eu ficar quem teve que fazer isso fui eu, inacreditavelmente... eu gostava do setor aonde eu estava, mas não estava aguentando perder 1 hora de ônibus todos os dias. Era bom almoçar com meu tio Mário, mas meu excesso de franqueza acabou com nossa relação que vinha crescendo a cada dia após a morte da tia Ady. Não o julgo e o compreendo, afinal, ele é de um outro tempo, não foi fácil se decepcionar.
Toda ação tem uma consequência, às vezes com vários desdobramentos. Paguei o preço pelo meu erro, mas com a cabeça erguida e mostrando que podem me chamar de tudo, menos de sem caráter. Sou digna, franca e corajosa.

Março





Março começou e aquele vazio só se tornava maior, mesmo indo à igreja, buscando me integrar com pessoas boas, chegava uma hora que a realidade me torturava e lá ia eu fugir de tudo cometendo os mesmos erros buscando resultados diferentes. Estava cansando, não via nenhuma luz no final do túnel...aí alguém fechou uma porta na minha cara, mas ao mesmo tempo outras pessoas me pegaram pela mão e me guiaram. Fiquei magoada, mas entendi, ninguém é obrigada a nos aceitar quando vamos contra seus valores, quando não agimos conforme a sociedade espera.
Foi mais uma consequência da escolha errada que fiz. Aceitei resignadamente e a mágoa que sinto é porque lamento não poder mudar mais nada, justamente quando estava conseguindo restaurar anos de afastamento...
Comecei a desenvolver minha amizade com Edu, a gente conversava muito virtualmente, mas pessoalmente não rolava, era engraçado, estranho... mas era bem assim... da parte dele não posso dizer, mas da minha sei que sempre fui anti-social, esquista, não é qualquer pessoa que chega sorrindo e entra no meu "Maravilhoso Mundo de Bob". Só que chegou o momento de reportarmos esta relação pra cá, juntarmos nossas desilusões, tristezas e dificuldades, isso tudo com muita risada e bom humor... e começamos a nos unir.
Fui até Curitiba consultar com uma cirurgiã plástica e ficou marcado a operação pro dia 15 de junho, até lá teria que tomar coragem e me entregar... corte na barriga, enxerto, sem contar que não seria apenas uma, mas ao menos 4!




Abril




Começou com muita festa, muita saída, muito lugar nada haver comigo. Cada vez mais eu perdia as rédeas da minha vida e tudo por quê? Porque eu queria uma forma de fugir da realidade e esquecer o passado. E o passado continuava batendo na minha porta, como uma doença incurável, como tortura, talvez até como punição. Mesmo não querendo, mesmo com repulsa, ele vinha e eu aceitava. Medo da solidão, medo de não conseguir superar, medo da vida nunca mais ser tranquila.
Novamente quando dava por mim estava cheia de culpas, arrependimentos e uma baita ressaca moral. Não conseguia achar as respostas no Poder Superior, aos poucos as palavras foram perdendo o sentido, afinal de contas as limitações que determinadas doutrinas impõe são difíceis pra mim, também não creio no poder do Mal tanto quanto de Bem. Não acho que todos devem agir e pensar igual, que se eu ouvir Iron Maiden vou pro Inferno, que os espíritas são pessoas do outro lado... eu respeito, acho que nós somos iguais na forma, mas o conteúdo é diversificado e por isso precisamos de maneiras diferentes pra chegar à Deus. Fui me desligando das religiões.
Um dia, tive uma noite longa e simplesmente perdi um compromisso importante com minha filha. Ia almoçar com ela e a família do meu genro, era uma sexta-feira Santa e me vi novamente insana, cheia de dor, culpa, raiva e melancolia. Passei dois dias super mal, só pensando em coisas ruins, vontade de morrer, só não cometi este ato de covardia - ou seria extrema coragem? - porque acredito que do outro lado encontraria um sofrimento bem pior, não acredito no fim com a morte e se eu não escolhi nascer não posso escolher morrer.
Fui trabalhar no Posto de Saúde do Vila Garcia, lá havia um cartaz que mudou minha vida. Um dia antes eu tinha conversado com a Dolly sobre isso, fizemos um almoço de Páscoa apenas nós duas, chovia muito, unimos o pouco que tínhamos e ao som de Zeca Baleiro conversamos sobre coisas da vida, nossas alegrias, impressões e percepções desta nossa louca passagem pela Terra. Entre lágrimas eu admiti que estava cansando de me entorpecer. Dois dias depois ela me acompanhou e fui conhecer algumas pessoas que tinham encontrado uma nova forma de viver.
Quando entrei vi um companheiro tatuado com camiseta do ACDC, outro cabeludo e um amigo de infância que ficou emocionado ao me ver ali. Todos foram amorosos, disseram que eu era a pessoa mais importante e pra eu continuar voltando que mais seria revelado.
Mente aberta, honestidade e boa vontade me fizeram retornar mais vezes e a cada nova reunião me identificava mais com aquele bando de malucos... não é nada religioso, mas totalmente espiritual, de repente meu contato com o Deus da minha compreensão começou a crescer a cada dia. Um dia me convidaram pra um churrasco, lá fui eu ver como é se divertir sem cerveja, surpreendentemente há alegrias e diversão!
Foi um divisor de águas, renasci, comecei a mergulhar dentro de mim, a me aceitar, a me compreender e a me conhecer.
Dia 14 de abril foi quando começou meu ano, foi quando eu renasci.

Maio





Minha vida tomou outros rumos, novos amigos apareceram, novas emoções, outra forma de viver.
Fiz amizade com pessoas maravilhosas no serviço, me sentia muito bem lá, perto da minha casa,  vinha almoçar aqui, tudo bem tranquilo. No fundo eu queria ir embora da cidade, que me esquecessem, meu sexto sentido quase ouve o que falam de mim pelas costas, isso me faz muito mal. Como não podia ir embora e recomeçar em outro lugar, foi bom ao menos ficar distante, parar de encontrar o passado.
Todos os dias passei a fazer a Oração da Serenidade, acostumei-me, ao final do dia, reavaliar minhas atitudes para ver aonde errei e buscar não cometer os mesmos erros.
Mês das Mães, almocei no sábado com a minha filha, pois no domingo subi com amigos pra Curitiba aonde assisti a final do Campeonato Paranaense, claro, mais uma vez meu time C O R I T I B A ganhou do CAP.  Eu e o meu amigo curtimos horrores, depois do jogo fomos pra Avenida Batel, som no último e dancei pacas, nem eu imaginava que me soltava tanto assim sem ingerir uma gota de álcool... um dia pra ficar na memória. Lá no estádio tive um pensamento triste, lembrei dos meus amigos que morreram na ativa, fanáticos pelo Coxa, pena que não eram fanáticos pela vida...
Foi um mês de correria atrás dos exames pra cirurgia, tive como obstáculo um exame muito caro, não sei se sou orgulhosa, se não gosto de incomodar, mas não gosto de pedir nada à ninguém. Então decidi rifar alguma coisa, com isso consegui juntar a grana. Todos me ajudaram, foi legal ver a solidariedade de todos, me sentir querida, perceber como tem mais gente torcendo por mim do que contra.
Estava pronta para cirurgia.  Mal dormia.

Junho


Estava em contagem regressiva, mal dormia, ansiedade à flor da pele, coragem & medo misturados, mas o importante é que estava serena. Sei que tudo aquilo que me traz sofrimento, me fortalece e toda vez que enfrento um medo acabo saindo regenerada e revitalizada. Sabia bem que seria um grande desafio passar pelo pós-operatório, a cirurgia foi muito agressiva, muitos pontos, dificuldade para dormir, tomar banho, me alimentar, mas sabe, tenho muitos amigos além da família com quem pude contar.
Fiquei quase 1 mês inteiro hospedada na casa da Lile e fui tratada como um membro da família, então me dei conta que embora eu não tenha mais meus pais, há pessoas ainda que podem cuidar de mim quando eu precisar. Fortaleceu ainda mais o vínculo que sempre nos uniu. Irmãs, isso que somos, não é só da boca pra fora.
Não sou tão medrosa quanto pensei ser, em alguns momentos senti angústia com tantos pontos, mas realmente, sou difícil de me abater.
A corrente positiva de tantos que torciam por mim acabou me blindando. Foi dolorido, mas passou... para dizer bem a verdade até pensei que seria um pouco pior.
Ainda não acabou, terei mais umas 3 cirurgias pela frente até o resultado final, porém a mais difícil das etapas foi esta.
Contei com a amizade do Edu que desde o mês passado mora comigo, ele cuidou da minha casa, das minhas cachorras e de mim quando retornei. Muito bacana ter uma pessoa de confiança assim.

Julho






Mês de chuva, voltei ao trabalho dia 15, mesmo sem poder fazer força tive que me virar porque não podia contar com ninguém lá. O Posto de Saúde da Vila Garcia é um local sombrio, aonde há muita maldade e muita inveja, percebi que algumas pessoas deliberadamente torceram contra mim, ficaram com raiva por eu estar tão bem. Sinceramente, são pessoas que só de olharmos pra cara delas já notamos que são vazias e medíocres.
Eu queria pular este mês, perdi a Gabi em 3 semanas. Minha grande companheira, meu grande amor, minha protetora, amiga das caminhadas, o que dizer mais da Gabi? Fonte de amor infinito, porto seguro, ela era o olhar que eu amava encontrar, sinto tanto sua ausência. Quero esquecer seu sofrimento, um animal tão bom não merecia ter passado por dias tão ruins... uma culpa eterna carregarei dentro de mim, pois sinto que negligenciei o cuidado que deveria ter anualmente com suas vacinas... ó Gabi, aonde quer que esteja, saiba que nunca me perdoarei. De todas as coisas que perdi nos últimos meses ela era o tesouro mais valioso que tive.
Ficou a Lynx, sozinha, tristona, perdida. Era legal sentar na varanda e vê-las brincando no quintal, Lynx apavorando a Gabi e vice-versa, nem parecia que tinha diferença de tamanho, aliás, a Gabi só assustava por isso, pelo seu enorme porte, porque até sua cara era de "gente boa".
Muitos amigos choraram de verdade ao saber que ela se foi, isso foi resultado de ser um cão tão dócil e amoroso. Partilhei muitas vezes esta dor com os companheiros, mas não até esvaziar, apenas percebi que não adiantava tentar colocar pra fora, este vazio, esta dor vou cultivar pra sempre.
Um dia eu vou embora também, mas infelizmente não devo encontrá-la pois a reencarnação dos animais é bem mais rápida que dos humanos. Resta-me a saudade e todas as lembranças, sinto falta de abraçá-la, do seu olhar, do seu choro pra entrar quando chovia ou quando soltavam fogos, ela era um animal inteligente, especial, um monstro fofo, aterrorizantemente gentil, estupidamente obediente.
Amo minha rottweiller e a amarei eternamente.
Um agradecimento especial ao Edu, Karine, Suzane, Márcio, Ana Karina, Edson, Renato, minha filha, meu genro e Gil por estarem ao meu lado nas horas de maior desespero, por terem a mesma sensibilidade que eu e entenderem que um cachorro não é apenas um animal, mas parte da família.
Tive uma enorme decepção com alguém que julgava ser amiga, tão difícil lidar com a loucura alheia, com a prepotência e talvez quem sabe com a inveja. Em um momento me vi superando um obstáculo, me notei em recuperação de fato, mas quando estava enfrentando a dor e o desespero de estar perdendo minha amada companheira e a insanidade e o egoísmo da pessoa veio me aporrinhar novamente com seus "mimimis" não consegui segurar a fera que em mim habita. Quebrei de vez os laços que nos prendiam, afinal, não sou de ferro e pedido de desculpas quando são aceitos devem finalizar a história. Só que não perco ninguém, as pessoas é que me deixam escapar das suas vidas.

Agosto



Agosto mês do desgosto. Foi sim, mas também foi bom descobrir algumas coisas, afinal de contas quando sabemos que incomodamos alguém que não procuramos é porque somos importantes.
4 meses em recuperação, livre das garras da adicção, redescobrindo-me como pessoa. Percebi que alguns conceitos que eu fazia sobre mim não eram reais, muita coisa eu camuflava, muita coisa boa escondida enquanto o que havia de podre era exposto. Cada vez mais unida com os companheiros do grupo, recebi muito apoio de todos desde que ingressei. Participei da criação de um grupo em Guaratuba, foi bem legal estar presente.
Mais uma vez as circunstâncias da vida mudaram destinos, mais uma vez pareceu que o Mal venceu o Bem. Não importa o que aconteça sei que tudo o que tiver que ser encontrará um modo de chegar até mim, algum dia.
Passei a me preservar, a amar a simplicidade da vida, a reconhecer a mágica da vida a cada amanhecer, a agradecer por estar viva.  Comecei a notar que viver é muito mais do que apenas estar respirando, é sentir a essência do dia-a-dia. Lembro-me de ser pequena e ter sensações de prazer ao olhar pro céu vermelho e dourado no final da tarde, de apreciar o cheiro da Terra quando a chuva cai, de simplesmente ser feliz e tranquila.
Momentos de tristeza ainda me acompanham, os outros ainda conseguem me machucar quando querem, mas procuro serenamente ignorar e focar em viver um dia de cada vez.

Setembro






O mês começou com o Encontemas lá em Morretes, fiquei hospedada às margens do Rio Nhundiaquara, foi meu primeiro evento. Não desfrutei como deveria porque não estava focada na recuperação, mas em tudo o que eu não podia modificar que já não dependia de mim. Foi bom o passeio, mas não estava ali de corpo e alma. Tive um momento de sentar na Igreja Matriz e chorar copiosamente sem nem saber o por quê. Chorei muito, por um longo tempo. Bateu solidão, raiva, tristeza, falta de fé... tudo. Aí chamei meu padrinho e desabafei com ele, depois fui me sentindo melhor.
A vida não é feita apenas de momentos bons e perfeitos, mas precisamos saber dosar e ter em mente que precisamos buscar o que nos traz paz. Estou aprendendo muito com o programa universal que sigo, sei que colhemos o que plantamos.
Fui com a Lisle até a Ilha do Mel no feriado de 7 de setembro, entrei no mar, no dia seguinte fomos à Cachoeira da Quintilha, surpreendentemente eu que odeio água gelada me joguei da pedra... depois fomos à Caiobá e por último em Guaratuba, aonde estivemos irmanadas num churrasco e peixada ao mesmo tempo...
Agora penso em fazer coisas que antes não fazia, como pular de pára-quedas, tomar banhos gelados, quem sabe até ir num dos brinquedos radicais do Beto Carreiro. Não importa, quero viver a vida da melhor forma possível extraindo dela o que de melhor ela pode me dar.
Também foi o mês em que a Agnes veio pra nós, pra fazer companhia pra Lynx. Escolhida por foto chegou super magrela, assustada, medrosa, seu olhar dizia tudo e mais um pouco. Foi seu olhar que me conquistou por expressar tamanha bondade e ternura, um pedido explícito "ME AME, NÃO ME DEIXE"... e lembravam muito os olhos da Gabi... que nunca será substituída, obviamente.
Passei uma tarde muito agradável com o Edson e a Mari, desfrutamos das delícias de uma tradicional confeitaria curitibana e este foi nosso último encontro antes dele embarcar pra Portugal. Fiquei feliz por ele realizar o desejo de voltar, mas já sinto falta deste amigo incomparável.

Outubro





Mês do meu aniversário e do meu primeiro grande evento,  V Enconpasso em Sumaré, São Paulo.
Fuiz sozinha, com a cara e a coragem.  Já estava em contato com uma companheira, a Lu, que gentilmente foi me buscar, me levou pra sua casa, aonde tomei banho e jantei. De lá fomos com outros companheiros pro Acampamento Batista que ficava a cerca de 30 km da casa dela que fica em Paulínia. Foi muito bom, pratiquei a tolerância dividindo o quarto com mais 5 companheiras, conheci pessoas bacanas com o mesmo propósito que o meu, expandi minhas idéias participando atentamente de todas as partilhas dos passos, chorei, ri, foi demais. Tudo bem que alguns realmente fugiram no que se propunham, mas valeu. Voltei com uma leveza total no espírito, com aquela sensação de crescimento interior.
A Agnes que chegou super magrela e foi engordando sem parar deu a luz a 7 filhotinhos, isso mesmo, aquela cadelinha me deu o golpe da barriga, ironicamente como tantas cadelas "humanas" fazem...
Daí no fim do mês reuni alguns amigos e comemorei meus 40 anos, fiquei naquela de comemorar ou não, mas decidi que tinha que comemorar sim, reunir a galera.
Fazer 40 anos não me deixou nenhum pouco preocupada, não me sinto "velha", nem tenho vergonha de dizer que tenho esta idade porque estou super bem, renovada, recalchutada e seguindo um novo caminho na vida. Sinto que minha vida começa agora, finalmente amadureci e já não era sem tempo. Tenho muito mais a agradecer do que a pedir.
Há 20 anos atrás eu tinha absolutamente tudo para ter uma vida tranquila, mas não conseguia preencher o vazio na minh'alma, acabei buscando caminhos escuros para fugir do monstro que não entendia por que me perseguia. Não tinha amor próprio, não era grata por nada e minha vida que era uma folha em branco e existia apenas um ponto vermelho o qual representava todos "os meus problemas", ao invés de olhar ao redor eu maximizei este pontinho. Infeliz, frustrada, ressentida e equivocada não conseguia paz.
Posso ter uma idade conseiderável, mas me sinto jovem por dentro, tenho ânimo pra acreditar que ainda está só começando. Olhar pra trás e se arrepender do que fiz e do que não fiz ainda faço, mas com menos frequência e com mais auto-aceitação. Entendo-me e procuro não me cobrar tanto, nem me condenar, afinal de contas, ao menos estou lutando pra mudar, vigio meus pensamentos e meus atos. Perfeita nunca serei e ninguém será, mas certamente irei melhorar muito...

Novembro




Mais um mês de alegrias, churrascos com os companheiros, passeios, partilhas pessoais... pessoas que se aproximaram para somar, enfim, instantes únicos que ficarão gravados na memória.
Tenho ido a uma casa de recuperação há 2 meses levar a mensagem, lá o PS proporcionou encontrar um primo, com quem procuro estar sempre que possível, apoiando-o tentando estimulá-lo e aprendendo muito também. Porque posso não estar reclusa ali, mas quando ajudamos o outro é uma via de mão-dupla.
Mudei de posto de saúde, a princípio não queria, mas no final das contas foi ótimo sair de perto de pessoas tão malignas e desprezíveis, que não merecem que eu teça nenhum comentário.
Sentimentalmente meu coração encontrou um pouco de carinho, uma amizade bacana... não é amor, não tem compromisso, mas me faz bem quando acontece e sinto-me feliz... nada como lindos olhos pra suprirem um pouco da minha carência... riqueza pura! Alguém que quando está ao meu lado faz com que eu perceba a vida de outra forma, uma pessoa que admiro, que me inspira... não importa a quantidade de pessoas com as quais nos envolvemos, importa que elas deixem boas marcas, que partilhem sua vida de forma franca e que nos faça acreditar que o milagre é possível... ó que firmeza heim!?

Dezembro






XIX Encompasso em Quatro Barras. Foi o grande evento que encerrou o ano. Realmente não me identifico com as companheiras curitibanas, fiquei no quarto com elas e sinceramente papinho de silicone não rola comigo. Nada pude aproveitar delas, chegou uma hora que cansei de ser simpática e achei que só de não arrumar briga com elas já foi sinal de evolução, afinal, há poucas 24 horas atrás eu não seria tão tolerante com gente tão sem educação.
Subi com dois companheiros de Curitiba, aproveitamos todas as partilhas e sinceramente, foi muito melhor do que SP. De cara identifiquei uma possível madrinha, alguém que despertou em mim carinho e empatia imediatamente assim que começou a partilhar. Um papo de mais 15 min. entre nós duas e tiver certeza, fiz o convite e alguns dias depois "BINGO" virei sua primeira afilhada. Ainda não começamos a usufruir dos benefícios do amadrinhamento devido as festas de fim de ano, mas assim que mudar o ano vou recomeçar a escrever os passos com ela.
Tive grandes experiências ouvindo os companheiros partilhando, chorei, ri, foi incrível... com certeza este evento fará parte da minha vida todos os anos.
Conheci companheiros de SC, vivi momentos inusitados, foi muito massa.
Tinha planos inclusive de passar alguns dias com eles, mas só por hoje nunca sabemos o que acontecerá amanhã. Dia 26 de dezembro passou um tornado com ventos de até 114 km/h e tive prejuízos materiais em casa, mas o pior foi meu lado emocional, desestabilizei-me, senti-me muito sozinha, perdida e desamparada, de repente pensei que minha vida era uma farsa, que não sou feliz bolhufas alguma e fechei a mente... senti vontade de encher a cara pra fugir um pouco desta realidade, de sentir aquele barato que o alcool me dá, mas lembrei do depois, ouvi alguns conselhos e percebi que estava caindo no auto-engano da doença, que auto-piedade não me levaria a nada e sim, o que não me mataria iria me deixar mais forte.
Não é fácil ser sozinha e matar alguns dragões, mas quando conseguimos passar por eles o que nos sobra é um sentimento único de vitória, de superação.
Superação aliás é o que tenho feito desde que nasci, antes era incoscientemente, agora certamente faço com toda honestidade, com a mente aberta e plenamente com boa vontade. Aceito a vida do jeito que ela é e sei que dramas não me levarão a nada. Ao menos minha vida é real e o que sinto é verdadeiro. Tenho muitos planos e desejos, mas confesso que ainda estou buscando uma forma de concretizá-los. Ficar limpa é o mínimo que posso fazer dentro da minha recuperação. Quero passar 2013 assim, serena, tranquila e buscar formas de melhorar profissionalmente. Talvez eu mude minha vida, desapareça da cidade aonde vivo, abandone o emprego estável e busque algo melhor longe, mas não quero me precipitar, vou aos poucos e se tiver que acontecer o Poder Superior me mostrará que rumo devo seguir.
Pedi muita saúde para o ano que se incia, muita paciência, fé e um amor, alguém que valha à pena, que me complete de verdade, pode ser novo, pode ser velho, mas quero viver um grande amor, acredito que alguém mereça receber o melhor de mim, desta pessoa maravilhosa que encontrou uma nova forma de viver.
Venha 2013, quero recomeçar...e continuar!










terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Renascendo para uma nova vida.


Madrinha que o Poder Superior me apresentou... obrigada meu Deus!

Sentindo a beleza da vida em toda sua plenitude admirando-a sem precisar de subterfúgios.

Recuperação é o que encontramos nestes eventos.

Novos hábitos... novos sabores...





Filhos de adictos em recuperação são crianças mais que amadas pois tem pais mais do que  gratos pela vida que  conquistam diariamente...



Meu segundo evento, o primeiro no meu Estado, foi inesquecível. 

Para dizer a verdade estava com um pouco de receio em ir, sei lá, fico com medo do desconhecido, de ser aceita, não faço amizade fácil, sou tímida e já tenho opinião formada sobre as companheiras curitibanas, com raras exceções não sinto empatia. Confesso que sou chata mesmo. Papinho de creme e silicone não são comigo.

Subi com dois companheiros na sexta, dia 7/12, pela estrada da Graciosa numa tarde muito abafada. Já estava feliz pois horas antes havia perdido meu celular e como uma dádiva do PS eis que ele foi encontrado por uma boa pessoa que o devolveu.  Estava exercitando minha Oração da Serenidade, conformando-me que não havia sido minha carteira aonde eu tinha guardado o dinheiro da consulta particular e das lentes de contato que faria.

A vida é assim, somos mestres em "achologia"e de repente temos que admitir que não sabemos de nada. 

Há dois tipos de pessoas, aquelas que acham que tudo é um milagre e as que acham que nada é, bem, eu me enquadro ao primeiro grupo. Digo mais, percebi que quando estamos no caminho certo as coisas boas realmente vem...

Bem, voltando, chegamos ao evento ainda com poucos participantes presentes, local lindo, acomodações ótimas... mas os primeiros instantes são estranhos sempre, rola uma estranheza de mim para com tudo e todos. Por algum tempinho me senti um "E.T.", fiquei quase em pânico, imaginando que nem deveria ter vindo...aí identifiquei uma companheira sozinha no refeitório e descobri que ela estava no meu quarto, então passamos a fazer companhia uma  à outra. 

Logo após a abertura, na partilha do Primeiro Passo, me identifico e percebo que me deparava com uma possível madrinha. A história dela, sua personalidade, a forma dela partilhar, tudo, tudo fez com que rolasse aquela empatia de cara.  Sabe aquela pessoa que você gosta fácil? Para mim é raro, não sou do tipo que gosta de todo mundo mas tento, juro que tento mudar isso.

Lá pelas tantas ela disse que não tinha amadrinhado ninguém embora sempre rolasse convite, mas agora quem sabe...

Quando acabou o companheiro nos apresentou e conversamos por uns 10 minutos, tempo suficiente pra eu ter certeza que mesmo que não rolasse o amadrinhamento eu ia pedir para que me ajudasse no programa, pediria seu telefone. Porque a cada evento percebo que as pessoas com muitos anos limpas e que vivenciam o programa universal, são as que se utilizam do apadrinhamento. Eu sei que não utilizo o meu padrinho como deveria, talvez por não saber como, mas... a literatura me dará as respostas, há um livro chamado Apadrinhamento e com certeza será minha próxima aquisição.

Todos os partilhadores do evento foram coerentes com o passo sobre o qual deveriam falar, foi sensacional. Não posso dizer que algum não contribuiu com nada. Claro, alguns me surpreenderam, me fizeram chorar e rir ao mesmo tempo. Outros me trouxeram respostas, assim como me mostraram a direção.
Tive um momento espiritual fortíssimo, aonde eu não apenas senti mas como quase cheguei a enxergar a presença do PS. Estes encontros de adictos tornam-me muito mais forte e serena, percebo que ali estão os meus semelhantes, que é desta forma que quero viver, ouço gente que chegou ao fundo do poço e da degradação moral dizendo-se feliz porque hoje tem uma vida plena. Tantos conseguem, também quero.
O programa é universal e basta apenas saber ler ou... se houver um companheiro de boa vontade até um analfabeto aprende e pode praticá-lo.
Dentro do quarto pratiquei mais a tolerância, procurei ser simpática com gente antipática. Só eu sei como foi complicado aturar, mas não discuti com ninguém e pensei apenas que só por hoje não vale à pena. Foram apenas 2 noites, se eu não conseguir superar 2 noites então preciso voltar pro final da fila e rever a oração da serenidade.
Aproveitei o evento para estar conectada com a minha recuperação, participei das maratonas, conheci outras pessoas, partilhei e me permiti ser feliz sem me preocupar com nada externo. Foi um grande evento, trouxe-me luz e agora tenho por objetivo mudar a forma como me relaciono com meu padrinho e o melhor... desfrutar ao máximo da minha madrinha (sim, ela me respondeu que aceita o convite).
São momentos como este que me levam a ter certeza que estou no caminho certo, posso ter errado, mas nada acontece por acaso. 
Eu jamais conseguiria me libertar das garras da adicção ativa se convivia com uma pessoa que era incapaz de perceber que eu precisava desta vida limpa. Só ficando sozinha e perdendo tudo o que tinha pude encontrar a serenidade.

Ser feliz é conseguir estar bem consigo mesmo, é acordar de manhã e sentir uma gratidão enorme dentro do coração por ser quem você é. 
Ser feliz é saber que não precisamos sofrer por coisas que já ficaram pra trás e muito menos por outras que nem sabemos se virão.
Ser feliz é viver o aqui e o agora.

Faço parte de um movimento mundial, de um programa universal que ajuda-me a moldar minha personalidade, meu caráter.

Enquanto os laços que nos unem forem mais fortes do que aqueles que nos afastariam posso dizer com toda certeza:
SÓ POR HOJE SOU MUITO FELIZ!


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Esta sou eu... quarentona...





Estou finalmente com 40 anos de vida. Sou grata por poder chegar até aqui.
Muita coisa boa aconteceu, especialmente nestes últimos 6 meses.
O certo é que não aprendi o suficiente com o sofrimento imposto pela doença, nem com as perdas das pessoas que eu amava, aliás, amo.  
Amor de pai e mãe não termina  apenas porque eles deixam de existir neste plano, porque acredito  que a morte é apenas uma passagem e que ambos vivem, ainda haverá um reencontro.

Há momentos na vida em que precisamos nos destruir para nos reconstruirmos. 
Eu vivo isso e sei que de outra forma não chegaria aqui.
Quer saber onde estou?
Abri minha mente, meu coração, deixei pra trás o autoengano, a autosabotagem, parei de culpar os outros pelos meus erros, aprendi a enxergar a realidade da vida, aumentei minha espiritualidade e descobri que para isso não preciso de religião alguma.
Espiritualidade é para quem quer viver bem...
Evito agir por impulso, não busco mais a tristeza dos pensamentos negativos que a obsessão me causava. Tenho gratidão sincera pela vida, consigo me aceitar e embora saiba que nunca serei perfeita, suprimo meus defeitos um pouco a cada dia. Não há um dia agora que eu não reflita sobre minhas atitudes. Posso até vacilar, mas ao invés de passar por cima e esperar que o tempo aja como remédio,  procuro aprender.
Evito repetir os mesmos erros. Dei adeus à insanidade.
Não me sinto sozinha como antes. Houve um tempo que mesmo entre a multidão eu me sentia só. Agora sinto a presença do Poder Superior. Sinto alegria por estar viva, ter saúde, um emprego, uma renda, uma casa confortável, alimento, o amor da minha filha, dos meus  familiares e amigos.
Não me prendo mais em pensar no que não tenho. 
Isso era uma faceta cruel da doença e faz parte do passado, destes mais de 20 anos que joguei no lixo.
Não troco a paz da solidão da minha casa pelo agito da bagunça de um bar.
No momento certo aparecerá a pessoa  que me completará, que virá somar. Não sou mais aquela menina carente que vai se jogando, agora só  se me convencer que vale à pena.
Não preciso de muletas pra caminhar, nem para me encostar... sou a senhora do meu destino.
Nunca me senti tão bonita, tão bem resolvida. 
Se eu não fosse capaz de ser feliz comigo mesma seria um enorme problema, mas eu sou, foi por mim que decidi parar o sofrimento, porque sei que não é justo destruir a maior dádiva que Deus me deu: a vida. Desde que nasci, fui separada do Marcos, mas tive os melhores pais do mundo, sempre foi assim... o melhor de tudo para mim.
Primeiro eu, segundo eu e terceiro eu!

Não tenho uma percepção materialista da vida, sinceramente, ter, ter, ter, tenho o suficiente para viver sem depender de ninguém... e sei que vai melhorar, eu trabalho para isso, tenho capacidade.
Busco ser a cada dia um pouco melhor do que o dia anterior. Nas crises percebo o quanto mudei, quando me vejo fazendo o movimento contrário diante das adversidades. Não é só porque estou limpa que as coisas vão dar 100% certas, o diferencial está na reação que tenho. Eu aumentava os problemas quando fugia da realidade e me entorpecia, agora enfrento e enxergo-os com toda clareza.
Aprendi a ignorar provocações, a não enxergar os invejosos, a desviar os pensamentos de quem me quer mal e luta pra me atingir com isso.
Não fico mais fazendo tempestades em copos d'água. O futuro não me pertence, vivo só por hoje.
Fui para Sumaré recentemente onde estive confraternizando e estudando os 12 passos. Lá, pude exercitar bastante a tolerância ao precisar me relacionar com estranhos tão diferentes de mim. 
A Roseane não gosta de aceitar aquilo que lhe desagrada, ela é implicante, chata, desconfiada.  São os defeitos de caráter que peço humildemente que o Poder Superior remova. Legal é que como vivo um programa  e sigo passos, mesmo quando eles gritam consigo fazer o movimento contrário.
A vida é muito curta pra gente desperdiça-la.  Olho pro céu, reflito e talvez se pudesse escolher jamais teria tomado aquele primeiro copo de cerveja, mas como a adicção é uma doença e não escolhemos tê-la, sou responsável apenas pela minha recuperação.
É bom olhar pra sua filha e vê-la crescendo profissionalmente,  saber que consegui que ela tivesse a mesma base educacional dentro de instituições particulares como eu tive, pois afinal de contas, o único legado que posso lhe deixar e que vale à pena é a educação. Bens materiais se vão, mas sua cultura jamais a deixará.

Não troco chegar aos 40 anos com nenhuma outra idade que se passou... é uma fase maravilhosa, a liberdade que tenho, as pessoas que venho conhecendo, a espiritualidade sempre ascendendo...  me amo a cada dia, aceito-me, respeito-me e sou feliz assim desta forma.
Tive coragem de mudar buscando a felicidade, sem me prender por coisas materiais, convenções sociais, simplesmente foco em ser muito feliz, porque minha doença não aceita só um pouco, uma sobrinha.
Pobre daquele que decide ser infeliz porque é covarde, não sabe o que é viver, nem a verdadeira essência de estar aqui... será eternamente o que diz o poeta Cazuza “uma semente com cara de abortada”... e vamos pedir piedade, senhor piedade...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A felicidade tem que estar em você!

Estou longe de casa, preparando-me mais uma vez para percorrer alguns quilômetros e conhecer uma nova cidade, ter novas experiências, encontrar outras pessoas.
Amo esta liberdade que a recuperação me traz.
Gosto de saber que minha vida hoje não necessita de subterfúgios, que não necessito de máscaras para enfrentar os problemas e que aprendi realmente a amar tudo o que tenho.
Triste é aquele que pensa que para ser feliz precisa de bens materiais, precisa estar cercado de gente. A felicidade é algo genuíno quando entendemos que podemos ficar sozinhos e que nossa companhia é agradável.
Sozinha eu reflito, eu desfruto do meu despertar espiritual, evoluo.
Tenho certeza que este final de semana será incrível, só pelo fato de ter desprendimento para ir rumo ao desconhecido já me preenche.
Não tenho problemas, talvez porque eu realmente me ame e fique feliz de proporcionar a mim este momento de puro crescimento.
Deve ser chato não conseguir fazer algo que se quer por falta de companhia.
Somos únicos, mesmo como eu que nasci gêmea...
Meu primeiro Encompassos certamente me marcará.
Fico pensando o quanto a Irmandade faz a diferença na minha vida, não consigo me imaginar sem ela.
Tem tanta coisa boa surgindo.
Meu coração novamente se encantando... tudo isso graças ao Poder Superior, sem este caminho novo não estaria cercada de pessoas que só somam à minha vida.
Vou aproveitar muito este encontro, vou ouvir, partilhar e certamente retornar com uma bagagem de vida muito mais rica...

Viver a vida intensamente e de forma real é o que me traz bem estar.
Assim que sou feliz... boa vontade, fé, mente aberta e acima de tudo honestidade...

domingo, 2 de setembro de 2012

Mais será revelado...


Este final de semana em Morretes foi muito importante para mim.
Sempre vale à pena estar com pessoas que buscam os mesmos propósitos que nós. O Poder Superior se fez presente na Natureza, nas partilhas, nos abraços, nas risadas... foi divino.
Legal uma recém-chegada como eu poder compartilhar com tantas pessoas, isso sim é vida.
Sempre procurei respostas e apoio espiritual dentro de igrejas, mas no final percebi que pra mim não dá certo porque há grandes contradições, distorções e muita manipulação.
Não entendo também o fato de que determinadas religiões condenem outras.
Respeito todos, mas pra mim não há espaço às limitações impostas.
Meu espírito se desenvolve melhor quando posso praticar um programa de liberdade como este, sinto a força dos Doze Passos e sei que ainda estou no início... mais será revelado.
Este foi meu primeiro evento, o primeiro de muitos.
Tenho muitos desafios dentro de mim, a recuperação será eterna, nunca irá cessar.
O que noto é que agora nada é como antes, os momentos de satisfação e integração são maiores do que os de tristeza e isolamento.
Todos nós temos defeitos porque isso faz parte da natureza humana, mas agora, há um esforço em fazer o movimento contrário sempre quando os barulhos aparecem.
Hoje eu me emocionei na temática e depois na contagem regressiva... sentei na igreja e chorei, sem nem entender por quê. Conversei com meu padrinho que estava presente, descobri que isso é normal entre adictos.
O importante é que apesar de sentir isso, não tive vontade de fazer nada que pudesse me arrepender depois.
Vejo tantas pessoas me provando que a vida é melhor assim, por quê chegar na beira do abismo de novo?
Estes dias falando com uma amiga imaginei como seria nossa vida se lá trás nunca tivéssemos tomado aquela primeira lata de cerveja.
Aí lembramos que precisamos viver o "só por hoje" e preferimos fazer diferente, imaginar como teria sido estes ultimos anos e meses se não tivéssemos parado de enlouquecer.
Com orgulho posso dizer que a insanidade não faz mais parte da nossa vida.
Aos poucos a serenidade me traz equilíbrio, mas não significa que será uma blindagem para que eu não cometa erros e nem me sinta triste.
Mente quem diz que é 100% feliz.
Engana-se quem acha que não erra.
Os companheiros são pessoas de carne e osso, com histórias parecidas, com suas reservas, alegrias... não importa nada, apenas o pouco que posso tirar pra minha recuperação.
Os laços que nos unem são maiores do que as diferenças que poderiam nos separar.
Só por hoje, mais 24 horas pra todos!

sábado, 11 de agosto de 2012

No fundo sinto pena...

Porque mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira...

Um grande homem... Ludovico Mikosz

Aprendi o verdadeiro amor e o sentimento de gratidão com você. Talvez o fato de ter convivido com pessoas que tinham um relacionamento tão perfeito me fizeram assim, meio sonhadora. Quando nasci, apesar de que a dor da separação do meu irmão gêmeo ter sido decisiva para formar a minha pessoa nos primeiros anos, fui abençoada por ter sido colocada ao lado de pessoas extramente boas e maravilhosas.

Quem era meu pai?
Ora, era aquele homem dedicado à família que valorizava cada instante junto da esposa e dos filhos. Dividia sua vida entre nós e a rádio, foi ele quem transformou a Rádio Difusora e descobriu tantos talentos, por isso tantos são gratos... foi ele quem fundou a Rádio Litoral Sul Fm, se eu ficar falando aqui do seu lado profissional esta postagem não acaba, pois o pai foi um dos grandes homens do cenário parnanguara, um formador de opiniões, só não foi prefeito porque achava que a política exigia que alguns valores ficassem pra trás.
Isso nunca, nunca Ludovico deixaria de fazer ou falar o que achava o correto. Puxei muito este seu lado.
Nós dois tínhamos uma relação muito forte e muito cúmplice. Quantas vezes eu chegava na rádio e ficávamos conversando sobre os acontecimentos públicos e pitorescos da nossa cidade. O pai se indignava de verdade com a forma como os políticos tratavam o povo deixando-os pra trás em benefício próprio.
Quando inventaram uma maluquice de cobrar a água conforme a quantidade de quartos que cada casa possuía, ele começou com uma campanha no Jornal da Manhã insuflando a população a não aceitar isso. Dava nome aos bois e mais ainda, ia de gabinete em gabinete cobrá-los.
Era assim que ele entendia que a Rádio Difusora deveria ser, um instrumento do povo e para o povo.
Quando ele achava certo e botava fé era o maior aliado do cara, mas se percebesse que o fulano não era honesto não havia nada que o fizesse mudar.
Tinha uma primeira-dama que o procurava frequentemente para pedir conselhos e quando ela decidiu se candidatar ouviu dele que não deveria se queimar, era muito boa para se sujar naquele meio. Ela não pensou duas vezes e desistiu.
Um dos seus grandes desafetos foi nosso ex-governador Roberto Requião, meu pai não o suportava, pelos motivos óbvios, era recíproco aliás, tanto que o nobre político através de uma ação na Justiça conseguiu deixá-lo longe dos microfones por algum tempo. Falar a verdade machuca e o "Lude" não tinha papas na língua.
Nem medo... isso também puxei dele.

O pai Ludovico era fenomenal.
Antes de eu engravidar, minha mãe diria que ele morreria se isso acontecesse.
Quando aconteceu, ele realmente morreu... de alegria.
Lembro como se fosse ontem, minha mãe descobriu, eu tinha 17 anos, contou pra ele que nem saiu do quarto, era noite, eu estava na sala vendo TV Pirata e no fundo não via a hora que descobrissem, mas menina ainda, tinha medo.
Todos os dias nós dois saíamos cedo, tomávamos café juntos, naquele silêncio, assistindo ao jornal na tv, morávamos em Curitiba.
Na primeira manhã já sabendo que sua menininha estava grávida, ao invés de vir com aquele discurso moralista, simplesmente ele puxou assunto comigo sobre vários temas banais.
Foi a forma que encontrou de dizer, sem dizer, que me apoiava.
Sinceramente, foi um dos momentos mais lindos que vivemos juntos, nós três: eu, ele e minha mãe.
Porque Deus não quis que nesta encarnação eles pudessem gerar filhos, mas os fez melhores do que muitos pais genitores. Porém, Deus me deu a benção de ser mãe cedo para que ambos pudessem viver o momento mágico que é a gravidez.
Eu tinha tanto amor, não me faltava nada, foi uma fase da qual sinto saudades.
Lembro que a gente sempre fazia grandes compras do mês no supermercado e meu pai nunca foi de esbanjar, logo, não podia pegar nada sem perguntar se podia e dizer quanto era.
Quando estava grávida ele esqueceu totalmente disso, até me perguntava se queria algo antes de encerrarmos.
Sorte dele que aprendi a ser contida.

Eu fui uma criança privilegiada, não era mimada, era amada. Muito amada.
Só estudei em escolas particulares e mesmo andando com o pessoal da elite nunca esqueci que embora não me faltasse nada não havia necessidade de querer coisas caras.
Isso tudo porque meus pais sempre foram humildes.
Esta humildade é uma das tantas heranças.

Lembro que quando eu era criança, num dos dia dos pais, eu fiz vários cartazes com pistas para que ele encontrasse seu presente. Cada cartaz tinha uma frase de amor.
Nunca deixei de lhe dar algo, nem que fosse o almoço do dia.
Foram tantos momentos, tantos...
Todos merecidos.
Por isso que hoje, apesar da ausência, estas lembranças enchem meu coração de alegria.
Quem tem a satisfação de ter um super pai assim?
Pai presente, pai amoroso, pai de verdade, pai que a gente confia e sabe que pode contar.

Minha filha nunca sentiu falta do pai por causa dele.
Graças a ele também pude realizar uma das minhas metas com a Jéssica que foi lhe dar uma educação completa em ensino particular.
A maior herança que podemos dar aos nossos filhos é a educação, eu quis pra ela o que eles me deram e graças aos dois que vejo minha filha muito bem empregada dentro da área que escolheu pra cursar na Faculdade.

A Jéssica foi o presente que eu dei pro meu pai, aliás, pros dois.

Meu pai, nossa, dia 7/09 fará 4 anos que se foi.
Não gosto de reviver aquele dia... uma das maiores dores que senti.
Desde pequena eu sofria por antecipação quando pensava que um dia eles me deixariam, segundo meu ex-psicoterapeuta isso também foi uma das marcas que a separação do meu irmão gêmeo me deixou.
Medo de perder.

Fico feliz porque sei que após a partida da minha mãe, consegui ser mais do que uma filha presente, fui uma amiga.
Sinto saudades de pegarmos a estrada e irmos até à praia almoçar, depois caminhar pela areia... relembrando momentos com a mãe... ou da minha infância.
Sinto saudades de preparar sua comidinha totalmente sem sal mas transbordando de amor e carinho.
Sempre ele achava que me dava trabalho e eu deixava claro que era um prazer cuidar de quem sempre me cuidou tão bem.

Eu estava me preparando para cuidá-lo até que ficasse bem, bem velhinho, mas a vida o levou e ele ainda era independente, totalmente.

Que bom que Deus me deu a oportunidade de reencarnar nesta família, de ser uma Mikosz, aprendi muito com este homem.
A retidão, o caráter, a dignidade e a verdade foram os pilares que ele me deixou e que me sustentam.

Posso errar, mas até a forma como encaro o fato e dou um rumo diferente à vida vem com reflexos da minha criação.
O que peço pra Deus é que se eu for metade do que este homem foi tá ótimo.
Grande exemplo, grande orgulho.

Se posso encerrar dizendo mais alguma coisa é que você me ensinou a viver sem hipocrisia mesmo...
Te amo para sempre... até um dia pai!
a


sábado, 4 de agosto de 2012

Para você que eu esperarei voltar a vida toda...porque sei que é meu destino.

O meu desafio é andar sozinho
Esperar no tempo os nossos destinos
Não olhar pra trás, esperar a paz
O que me traz
A ausência do seu olhar

Traz nas asas um novo dia
Me ensina a caminhar
Mesmo eu sendo menina aprendi

Oh meu Deus me traz de volta esse menino...
Porque tudo que eu tenho é o seu amor
João de Barro eu te entendo agora
Por favor me ensine como guardar meu amor...

Sempre preferi a dureza da verdade do que o encanto da mentira, mas toda a mentira vem carregada de consequências... tudo ficará bem em breve.

Finalmente... obrigada Deus!


domingo, 29 de julho de 2012

O Poder Superior disse...

Fé é crer no que nossos olhos não conseguem enxergar.

Os tempos difíceis estão chegando ao fim.

Aprendendo a viver com sua ausência.

Estou entendendo que se Deus te levou foi simplesmente porque cumpriu sua missão.
Estou aceitando que por mais que eu te ame jamais poderia exigir que ficasse aqui na Terra mesmo que sofrendo.
Estou sentindo que apenas sua ausência física é o que me dói, mas que seu amor me consolará.
Estou tentando aceitar que na vida não podemos controlar a hora da partida.
Estou procurando fugir do sentimento de culpa porque sei que você não merece me ver assim.
Estou lembrando de todos os momentos maravilhosos que passamos juntas.
Muitos momentos, muitos sentimentos, mas enfim, agradeço à Deus o privilégio de ter passado 10 anos contigo.
Aonde quer que você esteja, nunca, nunca será esquecida.

sábado, 28 de julho de 2012

Gabriela (Gábi) & Eu





Lembro de você chegando na minha casa com apenas 4 meses no ombro de um colega de trabalho, de bicicleta.
Espoleta apavorava a nossa vida, na época, apenas eu e a Jéssica, que tinha 11 anos.
Um pouco maior, fazia uma festa enorme quando chegávamos, pulando como se fosse um pequeno poodle, aliás, por sua personalidade criei a comunidade "Minha rottweiller pensa que é um poodle".

Foi criada com muito amor.
Lembro que dos nossos primeiros passeios na avenida Coronel José Lobo, quando um dia um rapaz parou e disse para não tirá-la de casa antes dos 6 meses, pois mesmo vacinada poderia contrair a maldita doença, que agora levou-a. Eu me apavorei e apesar do seu peso te levei no colo até em casa.
Nesta época as pessoas quando te viam chamavam você de linda e queriam te agradar, depois de grande todos atravessavam a calçada, pois sempre me recusei a colocar focinheira.
Super errado, sei, mas eu sempre soube que você jamais atacaria ninguém, pois foi criada para ser dócil, além disso, você não gostava.

Sempre dentro de casa, sempre sendo abraçada e beijada, sempre junto da galera.

Quantas pessoas perderam o medo do estigma que tem sua raça ao conhecê-la?
Quantos choraram dia 25 ao saber que você se foi, minha linda?

Foram muitos momentos maravilhosos, sinceramente, eu tinha orgulho de caminhar contigo ao meu lado, como uma mãe orgulhosa da sua cria. A gente sabe que se quisesse nem o enforcador era necessário, mas já bastava não usar focinheira, seria muita afronta andar contigo solta. embora muitas vezes quando caminhávamos antes das 7h da manhã eu te deixava livre.
Só estalava os dedos e você vinha.

Entendia tanto os meus sentimentos, mais do que muitas pessoas que passaram por minha vida.

Não merecia o sofrimento que a doença te causou nestes últimos dias, porque foi um cão puro, de coração nobre, feito de amor e bondade.
Jamais teve um gesto rude, nem quando acidentalmente machucou um dos filhotinhos da Malu, eu sabia que foi sem querer, só pelo seu olhar de preocupação.

Gábi, você falava com os olhos, lembro dos seus gemidos de satisfação quando eu chegava perto e te abraçava.
Esta energia, uma pena, nunca mais sentirei.
Era o remédio diário que meu coração tomava pra esquecer as dores do mundo.
Sentia esperança quando olhava pra você.

De todas as coisas que agradeço uma das primeiras que me sentia eternamente grata era saber que eu a tinha, companheira fiel.
Muito bom era chegar e sentar na área e vê-las brincando, você e a pequena Lynx. Talvez pressentindo sua partida é que ela nas últimas semanas dormia sob você.

O olhar dela me pergunta o tempo todo aonde está... e não consigo lhe dizer.

Sabe, quando minha mãe se foi, consolei-me em saber que tinha meu pai, depois quando ele se foi, 15 meses apenas após, pensei que ao menos ele tinha ido encontrar seu verdadeiro amor, minha querida mãe.

Só que agora não consigo me conformar, não há como compensar sua partida, talvez saber que tenho a Lynx, mas há a dor da inconformidade, o ressentimento da culpa... sei, preciso fazer o movimento contrário, mas é como saber que alguém que acreditávamos que viveria muitos anos simplesmente se foi, estupidamente, abruptamente.

Não quero me tornar alguém amarga, sem perspectiva.
Não, é da minha alegria e da minha força que todos que a minha volta estão precisam.
A Gábi se foi mas ela não quer me ver triste, sei disso.

Quando os cães nascem e vem pra nossa vida sabemos que irão antes de nós, até porque como diz a fábula, eles já sabem ser fiéis, já entendem o que é o amor incondicional e acima de tudo praticam o perdão, não guardam mágoas.

Apesar da dor enorme, mantenho-me limpa, não procurei subterfúgios para fugir da angústia e da saudade, também não me arrependo nenhum pouco de tê-la tido, por mais que sua ausência seja uma constante diária daqui pra frente, nada apagará a alegria destes 10 anos de convivência.

Você era um animal de puro amor, vejo isso pela tristeza verdadeira que percebo nos meus amigos que também não se conformam.

Não tinha como não amá-la nega.

Como disse o Edson em meio as lágrimas e ao desespero da dor da perda, há muitos homens que não valem um cachorro.
Você pra mim era como um humano, não era apenas a companheira, minha segurança, minha guarda-costas, era mais que isso, muito mais.
Este luto, esta dor, já enfrentei, quando meus pais se foram... e tenho certeza, eles te receberam e junto de ti me aguardam, quando minha hora chegar iremos nos rever amiga.

Para sempre Gabi, nosso amor é para sempre.

A tristeza passará e ficará só a saudade... por enquanto, só posso viver a dor do luto e do vazio... do buraco que jamais será preenchido. Jamais.

Quem como eu ama a vida em toda a sua existência, que é capaz de sentir dor ao ver uma árvore cortada, sabe muito bem o que é perder seu animal de estimação.
Foi um pedaço alegre e doce de mim, mas vou superar, Deus não nos dá um fardo maior que não possamos aguentar.

Ao menos sei que sempre te dei o melhor de mim, apenas isso... te amo Gábi, nunca, nunca, nunca, nunca te esquecerei.
Obrigada por tudo nega e me perdoe por alguma falha.
Sei que poderia ter evitado, mas não posso remoer isso, preciso aceitar com serenidade que nada posso fazer pra modificar isso.