terça-feira, 29 de junho de 2010

A minha Paranaguá.



Sempre quis embora desta cidade. Sempre.
Durante minha infância pensava em morar perto dos meus primos em Curitiba.
Depois quando fiquei um pouco mais velha queria apenas sair desta vida pacata e sem graça pra viver no caos urbano que Curitiba sempre representou.
Uma das coisas que achava mais legal quando íamos pra lá era ficar preso no trânsito, observando as pessoas nos outros carros.
Acho que sempre tive uma atração por engarrafamentos.

Eu ia para o apartamento de uma amiga e ficava olhando o movimento dos carros na via-rápida, o acender e apagar das luzes dos apartamentos, o caminhar dos pedestres que lá do alto pareciam formigas.
Como me considerava encalhada, pensava que talvez o amor da minha vida se escondesse por trás de uma janela destas ou quem sabe dentro de um ônibus...

Claro que quando somos adolescentes somos extremamente idiotas e imaturos, além de sermos muito sonhadores.

Eu não gostava daqui justamente porque julgava já conhecer todas as pessoas que eu julgava serem interessantes.
Não achava legal esta história de sermos "alguém" enquanto que em Curitiba éramos apenas "mais um".
Nunca gostei de ninguém se metendo em minha vida, então se eu pudesse fazer minhas burradas de forma incógnita era melhor.
Até hoje acho chato saber detalhes íntimos da vida de pessoas que conheço apenas de vista. Claro que isso acontece em qualquer cidade do mundo, mas quando é uma cidade relativamente pequena como esta fica mais comum.

Já odiei Paranaguá.
Lembro que ia trabalhar pensando apenas o quanto destestava esta cidade, este marasmo, a simplicidade das pessoas, o sotaque, enfim, nada me agradava aqui.
A partir do momento em que podia passar meus finais de semana na nossa capital nunca mais fiquei aqui.
Eu sou do tempo em que não tinha um bar legal pra irmos no meio da semana, muitas vezes nos finais de semana também.

O tempo passa, as coisas mudam.

Não vou dizer que amo Paranaguá, não consigo definir este sentimento em meu coração.
Gosto. Gosto tanto que agora que posso ir embora simplesmente não tenho vontade.
Aprendi a viver e a conviver.
Mesmo assim, acredito que se um dia o destino me levar a morar longe, não sentirei saudades, nem terei vontade de voltar.

Triste é saber que a culpa disso não é da pobre cidade em si.
Paranaguá não evolui.
Tantas pessoas que vivem fora quando retornam constatam a mesma coisa.

Começando pela entrada da cidade. Não existe nada mais feio do que chegar em Paranaguá pela BR277 observando a sujeira nos canteiros, nas laterais, a feiúra dos bairros ao redor da pista, a falta de um simples portal dando um "bem vindo", a quantidade de ratos que corre entre os grãos que caem dos caminhões, a loucura do trânsito com bicicletas, pedestres, motos, caminhões, carros e carroças, todos disputando o mesmo espaço, indo para a mesma direção.

Chegando no centro, depois de sentir o odor da soja podre misturada ao coco dos pombos, ainda nos deparamos com uma realidade nada animadora.
Podem me odiar, mas nunca vi um cidadão mais porco que o parnanguara.
Nossa cidade é cheia de lixo. Tem lixo nas calçadas, nos terrenos baldios, em volta do trilho do trem.
Muito lixo.
A prefeitura até tem feito sua parte, mas não vence a porquice do cidadão parnanguara.
Já falei aqui do caso da minha lixeira. A pobre fica bem no caminho do pessoal da faculdade Isulpar, fazendo-se de idiotas simplesmente fingem que não sabem que aquilo é um cesto de lixo, para colocarmos sacolas devidamente fechadas e não jogar o papel do salgadinho, a lata do refrigerante.
O paranaguara é assim, não liga de ver lixo no chão, mas acha ruim quando chove e tudo fica alagado.
Daí vem com papo de que a prefeitura isso, a prefeitura aquilo.
Quanta hipocrisia!

Não estou dizendo que todos são porcos, eu sou parnanguara e não sou porca. Talvez porque educação comece em casa e muitos não tenham tido a mesma sorte que eu.
Logo que este prefeito assumiu, foram espalhadas centenas de lixeiras na cidade inteira. Talvez até milhares, não me lembro bem dos números.
Em pouco tempo foram destruídas por vandalos e palyboyzinhos turbinados.
Não adiantava muito também porque não fizeram um curso intensivo ensinando as pessoas a como usar as tais lixeiras. Bem, pelo menos era isso que pensava quando ia levar minha cadela passear aos domingos de manhã e via a avenida José Lobo cheia de lixo no chão, enquanto as lixeiras permaneciam vazias.
É difícil usar algo que nunca viram.

O povo desta cidade também não valoriza o que tem, não exige, não sabe se manifestar.

Se amanhã trouxerem a banda Calipso para tocar e os ingressos custarem 50 reais tenho certeza que lota, mas se for pra pagar 10 reais pra ver uma banda daqui acham muito caro.
Digo isso com conhecimento amplo.
Nem precisa pagar, vejo isso pelas festas populares aonde muitas atrações apresentam-se para praças vazias.

Paranaguá é a terra do "já teve".

Culturalmente falando estamos tão atrasados quanto uma tribo indígena que vive isolada dentro de uma floresta.
Nada incentiva nossa cultura.
Porque se você acha que somos apenas fandango está muito enganado.

O que falta aqui é uma política de valorização da cultura, da cidade de um modo geral.
A cidade é feia, suja, horrorosa.
Sim, temos nossa baía linda, aonde podemos fazer passeios de barco.
Podemos aproveitar um lindo pôr-de-sol do Rocio.
Tudo na vida tem dois lados.

O problema é estarmos parados no tempo.

Vejamos pelo nosso terminal urbano rodoviário. Destruíram uma praça histórica para construí-lo, mesmo tendo um curso antigo de História na Fafipar não houve mobilização para que fizéssemos algo a respeito, um protesto que fosse.
Hoje temos aquela construção horrível.
Como foi feita na gestão anterior o prefeito atual simplesmente preferiu a postura de apontar os defeitos e não as soluções.
Já acho que deve ser uma tristeza andar de ônibus, ter que ficar num terminal medonho deve ser pra acabar com a auto-estima de qualquer um.

E gastam milhões em divulgações, é outdoor, banner, busdoor, vinhetas na televisão, nas rádios, lay outs em jornais, e dá-lhe verba pra atender todos os seus interesses, mas não sobra $ nem pra pintar a estação ferroviária.

Agora estão construindo um aquário gigante, como tem em Santos. Tudo porque a empresa Callini depois do acidente com o navio Vicunha há uns 5 anos atrás, foi obrigada a ressarcir a cidade, aí surgiu a idéia do tal aquário.
Bem, sabemos que ali é um aterro, a estrutura construída é bem pesada, ouvi dizer inclusive, que laudos técnicos não aconselharam a obra, mas... pode trazer votos pra esposa candidata do prefeito, então pra que dar atenção a um laudo.
O fato de que o prefeito anterior gastou nosso dinheiro pra construir o centro gastronômico que foi colocado abaixo pra dar lugar a esta obra não significa nada.
A reclamação dos comerciantes que foram relocados pra o mercado novo (que é feio e parece inacabado) também não tem importância.
Também não faz mal que existam umas serie de medidas urgentes a serem tomadas para atender a saúde, o saneamento, a pavimentação... etc... pra que ouvir o que esta gente precisa?
Faltam médicos nos postos, faltam remédios, faltam asfalto, falta cursos, faltam, faltam, faltam...
Faltava até um aquário no meio disso tudo!

Seria cômico, mas é trágico!

Não gosto do rumo que minha cidade está tomando. Não é de hoje.
Penso que deveriam fazer campanhas voltadas a desenvolver a auto-estima do paranaguara, incentivando-o a desenvolver suas capacidades.
Vejo muito dizerem que "amam" Paranaguá, mas amar não é apenas uma palavra mágica que resolve tudo.

Amar é saber cuidar, saber prestigiar, saber votar, saber se indignar...

Talvez só reconheça que amo esta cidade quando daqui eu me for um dia, porque às vezes só damos valor as coisas quando a perdemos.

domingo, 27 de junho de 2010

Dispenso...

Deus quando nos coloca no mundo espera que possamos evoluir a medida que vamos ficando mais velhos, melhor, mais vividos.
Todos temos as mesmas capacidades, as oportunidades é que são diferentes.
Ninguém veio aqui para sofrer, só não sabemos como será nosso destino.

Fico pensando na vida sofrida de uma família sertaneja, falta tudo, água, luz, comida, educação, diversão, assistencia médica...
Quantos vivem nesta situação?
É muito triste pensar que enquanto estamos aqui pensando em torcer para que o México derrote a Argentina ou começando a preparar o almoço para família, há tantos que passam uma série de dificuldades.
Como deve ser viver sem ter esperanças?
Depois das calamidades impostas pelas fortes chuvas da semana passada então, o cenário não poderia ter ficado pior.

Tem gente que aproveita pra peguntar aonde está Deus que não protege seus filhos mais humildes.

Eu me pergunto aonde está os políticos que se elegeram em cima de promessas pra este povo. Não foi lá que o PT ganhou de goleada? Cadê o PT?
Porque não vejo desenvolvimento algum em regiões mais carentes deste país.
Vejo é este sistema de esmola que chamam de bolsa família.

Está certo usar o dinheiro de tentos impostos para ajudar nossos irmãos mais desfavorecidos.
O erro está em ficarem apenas nisto.
Baterei na mesma tecla, precisávamos mudar nossas gestões, pois não devemos dar o alimento apenas, mas ensinar a caçar.
Queria que o país fosse um celeiro de escolas, com cursos técnicos, profissionalizantes.
Os poderosos políticos deveriam preocupar-se em ensinar o povo a pensar e buscar mecanismos para sair da miséria e assim terem alguma perspectiva.

Preocupam-se tanto com questões como Copa do Mundo 2014, mas sabemos que tem pessoas que neste momento enterram familiares que padeceram sem medicamentos, sem leitos...
O bem-estar da população deveria estar em primeiro lugar, só depois deveríamos pensar nas outras coisas.

Por esta e por outras, porque penso, logo existo, é que tenho muito nojo desta tal política.
Porque sei que estes infelizes que estão no poder não querem que as pessoas pensem, afinal, imagine várias "Roseanes" contestando, refletindo, analisando? Não ia ser bom para eles.

É tão triste pensar que não tem como resolvermos esta situação porque 99% dos que lá estão pensam apenas nas benesses que o cargo irá lhe trazer no âmbito pessoal.
Um ou outro tem a ilusão de chegar lá e procurar mudar a história desta nação.
Só que estes ao alcançarem sues objetivos ou esquecem-se e deslumbram-se com o poder ou apenas descobrem que infleizmente não são fortes o suficiente para desarmar este sistema, com tantos esquemas e pontos obscuros.

Tenho nojo de política. Perdi a esperança neste sistema falido, nesta falta de transparencia.
Até o Lula assumir eu acreditava que seria diferente com ele, mas embora não sejam todos que acompanhem meu raciocínio, vejo que o cara que veio da base operária simplesmente sucumbiu a força do poder.
Quem lembra do velho Lula criticando FHC por suas viagens? E agora o que ele faz?
"Ah... mas é bom ele firmar acordos internacionais..."
É?! Bom para quem? Para o Ricardo Fiúza? Para o Roberto Justus? Para as multinacionais?
Porque para aquele senhorzinho que vi na televisão chorando por ter perdido o pouco que tinha na enchente aposto que não faz diferença alguma.
O capitalismo beneficia apenas os mais ricos, os que estão no topo da pirâmide.

E o que dá mais nojo é saber que depois de passar a Copa começará a campanha.
Vejo a Dilma se enaltecendo por terem feito isso e aquilo, o Serra idem.
A disputa, infelizmente, será entre os dois.
Nada mais podre...
Falam em seus discursos sobre o que fizeram e também atacam o outro.
Na verdade, ambos fizeram alguma coisa, implantaram alguns projetos, foram bem sucedidos em suas vidas públicas, não vou dizer que não tem seus méritos, seus valores, uma história de vida de vitórias.
Só não gosto porque as promessas e o enredo são sempre iguais.

NINGUÉM OLHA DE VERDADE PARA O MAIS POBRE.

Não pensam em implantar projetos que salvem realmente nosso meio ambiente, que realmente estão no meio. Daqui a pouco nem meio teremos.
Em primeiro lugar está o dinheiro, em segundo está em saber quanto irá efetivamente para o bolso.
Precisamos de medidas urgentes para salvar nossa parte do planeta.
Só que não pensam no futuro, pensam no agora.
E nada muda. Nada melhora.

Vamos começar a ouvir a Dilma dizer que o Serra errou neste ponto, naquele... aí o José Serra vai vir dizer que a Dilma isso e aquilo.
A constatação que chegaremos é que ambos tem razão... estamos perdidos!
Não gosto dela.
Prefiro ele até, mas... já decidi, vou votar na Marina do PV e no segundo turno, se houver, vou dar uma volta na praia e justificar de lá meu voto.


Dispenso...


Nada mais podre do que discurso político.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O estilo Dunga de ser

Não adianta, a mídia resolveu fazer uma campanha contra o nosso treinador e o seu estilo mais sério de ser.
Seja na base da brincadeira ou a partir de comunicados algumas emissoras resolveram atacá-lo.
E qual seria o grande problema do nosso carrancudo treinador?

Simples, ele prefere trabalhar sério sem dar moral alguma para os jornalistas.
Acabou com a história da poderosa rede globo que conseguia entrevistas exclusivas, agora é coletivo e se quiser contentem-se.
Ontem um dos repórteres parece que discordava dele com a cabeça e o cara parou a coletiva para interpelar o rapaz, que depois ao ser defendido por outro colega parece que apenas ouvia ao que este dizia no celular, que nem ouvia o treinador. Só que falar ao telefone no meio de uma coletiva é de uma falta de educação tremenda.

Eu gosto dele assim. É autêntico, confiável, digno.
Sofreu tantas injustiças enquanto jogador que só quem viveu esta época pra lembrar.
Um time não é o resultado do talento individual deste ou daquele, é a parte coletiva que conta.
A imprensa crucificou o Dunga quando perdemos a Copa, não lembro o ano.

Agora, ele é o treinador, não tem obrigação nenhuma de dar entrevistas, nem de ser simpático, nem de abrir os treinos, nada disso.
Quero apenas que traga o título, como todos os brasileiros.

Jamais em minha vida gostaria que tivesse o estilo Maradona de ser, cheio de beijos e abraços e comentários idiotas e levianos.
Polêmica é bom, claro, pra vender jornais, aumentar o ibope dos programas.
Só.

As pessoas chegaram a um ponto que até da roupa do cara falam.
Desrespeitam o fato de que ele só nos deu alegrias desde que assumiu a seleção.

Pela minha geração posso falar que somos meio que apaixonados pelos Ronaldos, Roberto Carlos... Romário, Branco... mas o tempo passou, o bonde andou... não sei ainda o nome de todos os titulares, mas é meu país que representam e apoio todas as atitudes do Dunga enquanto treinador.
Treino aberto é bom apenas pra imprensa, nós que estamos aqui queremos apenas vitórias.

Este estilo Dunga de ser faz com que eu me identifique com ele, afinal, não sou uma hunanimidade e nem faço questão de ser simpática.
Tenho aquela "simpatia seletiva", pouco compreendida.
Quando quero alcançar um objetivo e se tenho um plano irei até o final, mesmo o mundo contra mim.

Porque na vida se nõs não pensarmos e agirmos do nosso modo, faremos como então?

Deixem o Dunga trabalhar, ele só quer o mesmo que nós: o HEXA!!!!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Copa do Mundo 2010


Começou a cerca de uma semana mais uma edição do maior campeonato mundial de futebol. Desta vez são os alegres africanos que tem o privilégio de sediar o evento.
Creio que mais benefícios do que malefícios isso deve trazer para a Africa.

Inegavalmente é um momento único, aonde as nações se juntam e passam por alguns dias vivendo em função das partidas.
Se a vida não tivesse estes pequenos intervalos, estas fugas com início, meio e fim, qual seria a graça?
Levar sempre tudo tão à sério, nunca relaxar, nunca colocar como prioridade na sua vida algo tão idiota como apenas uma partida de futebol.

Aprecio muito as pessoas que sabem se deixar levar pela emoção e também sabem ser os próprios agentes realizadores.
Seria tão chato se na vida nos emocionássemos apenas com situações mais sérias.
Você pode se emocionar com uma música, mas os torcedores vão as lágrimas com o desempenho do seu time, seja bom ou ruim.

E nós brasileiros temos aquela coisa de achar que Deus, sendo nosso compatriota, vai ajudar o nosso time.
E como somos exigentes, meu caneco!
O time não havia nem estreado e muitos se diziam sem esperança de uma boa participação, viram uma série de defeitos (e ainda vemos), chamamos de burro o Dunga diversas vezes.

Quer dizer, o povo chamou, porque eu ainda estou pagando pra ver ele se dar bem e fazer a galera se ferrar pra não falarem sem saber.
Se ele perder ficarei com pena, afinal, ele tem o direito de fazer o que considera melhor dentro da sua estratégia.
O pequeno detalhe é que ele lida com mais onze... e se eles não colaborarem vai ser difícil.

E brasileiro é assim, não basta apenas ganhar todos os títulos que se dipôs a concorrer, tem que convencer, ser carismático, atencioso.
Mesmo ganhando a partida não adianta muito se não jogarem "bonito".
Agora, se jogar bonito, mas ganhar de apenas um gol também não vale, precisa ser de goleada.
Mesmo assim, se ganhar todos os jogos de goleada, mas chegar na grande final e perder de um gol que seja, vai deixar automaticamente de ser "o cara" para ser o maior F%$ da #$@*... vão esperá-los no aeroporto pra vaiar, xingar...
Todo o futebol bonito, os momentos de alegria proporcionados, tudo, tudo, tudo será esquecido e ficará apenas a lembrança da humilhação da derrota justamente na final.

Copa do Mundo é assim, uns riem, outros choram...

O seu maior significado está na beleza da confraternização dos povos e na beleza do esporte.

E que o Dunga tenha sorte!

sábado, 12 de junho de 2010

12 de junho


Enquanto os apaixonados só conseguem pensar em presentes, jantares e momentos especiais para comemorar a data de hoje, além de tudo isso, há algo no meu coração que não me deixa esquecer um fato extremamente marcante em minha vida.

Exatamente hoje faz 3 anos que perdi minha mãe.

Pelo tamanho da saudade que sinto parece que faz mais de 30 anos, mas se penso na dor e na lembrança daquele dia fatídico parece que fazem 3 dias.
Não dá pra mensurar o tempo quando perdemos alguém tão importante em nossa vida.

A gente nunca sabe quando chegará a hora de vermos o outro pela última vez. E esta hora chega pra todos, velhos, adultos, jovens e crianças.
A lei natural da vida espera que os mais jovens enterrem os mais velhos, mas ninguém disse que isso seria fácil.

Sempre disse que tenho muita sorte e sou iluminada.
Não deixei de acreditar nisso apesar dos pesares.
Pelo contrário, enxerguei tudo não como um grande castigo, mas como um aprendizado para um amadurecimento maior.
A dor nos ensina muita coisa, principalmente quando estamos atentos para aprender.

Minha mãe era uma mulher mais do especial.
Era não era só mãe, ela era A MÃE.
Também não foi apenas uma esposa, foi A ESPOSA.
Não se limitou a ser uma avó, foi A VÓ.
Pelo grande amor que nutria por nós - que era recíproco obviamente - fazia-se presente em todos os momentos.

Falávamos diariamente, ela nunca deixou de me ligar, parou apenas na semana em que faleceu porque não andava boa.
Minha mãe era uma super mulher.
Dentro da sua simplicidade sabia que as coisas mais valorosas da vida não se compravam com dinheiro, se conquistavam com amor, carinho e dedicação.
E a vida da minha mãe fomos nós.
Principalmente meu pai, seu grande amor eterno.

Nesta data, tão romântica, nada melhor de lembrar do que a paixão e o respeito que um sentia pelo outro.
Lembro deles se chamando de "meu bem", do cuidado que ela tinha com a alimentação dele e com tudo que o envolvia.
A mãe era assim, não pensava nela, só nos que amava. Não havia uma vez que ela fosse ao supermercado e não comprasse pra nós alguma oferta boa. Se o frango estava baratinho, levava pra sua casa e passava na nossa pra deixar um igual.

Por isso não me desce pessoas que sentam-se as mesas e comem bacalhau sem saber se seus filhos tem algo pra comer.
Porque a gente casa mas nunca deixa de ser filho.
Só quando Deus quer que nos tornemos órfãos. Como eu estou.

Que bom poder relembrar tantos momentos felizes.
Não quero que seja um dia triste, mas não posso fugir da saudade que sinto e da pontinha de angústia que surge.

Minha relação com ela amadureceu no decorrer dos anos, pois eu fui uma adolescente rebelde demais, acredito que o fato de ter sido separada do meu irmão gêmeo tenha nos marcado negativamente, tanto que ele também teve uma história meio tumultuada até culminar em seu assassinato.
Não importa. Tudo o que minha mãe não gostaria era de saber que fico remoendo lembranças ruins.

Ela quer que sejamos felizes.

Sempre quis.

Por mais que o tempo passe, sei que dentro de mim minha mãe nunca irá morrer. E tudo o que quero é nunca esquecê-la para que eu possa me tornar um décimo que seja da mulher forte, guerreira e fraternal que dona Rose foi.

Te amo mãe, um dia vamos nos ver novamente. Sei que está conosco.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Coisas incoerentes...

Confesso que os meus quase 14 anos de administração pública contribuíram muito para eu desenvolver minha visão crítica do mundo, em todos os seus aspectos. Aprendi a ver as coisas com outros olhos, de um outro ponto de vista.
Eu lia muito, lia mais de 5 jornais diariamente, pulava a parte econômica, mas meusolhos percorriam atenciosamente todos os cadernos.
Era bom... especialmente pra comparar os veículos de comunicação, a maneira como utilizavam as palavras para falar sobre o mesmo tema.
Tudo gira em torno de dinheiro.
O jornal que você lê falando bem do governo certamente recebe uma verba mensal e bem pomposa. Já o que só xinga está do outro lado, dos que não conseguem morder uma cota da verba pública.
Também não acredite neste papo de Tribunal de Contas, pois só se forem muito burros é que não conseguem burlar as leis.
Tudo é possível.
Eu vi coisas que como dizem, melhor deixar quieto... bem quieto.

O que me enoja e foi responsável por eu "pedir pra sair" do "meu" cargo que ocupei por 14 anos, foi justamente o fato de cansar de ver tanta contradição e injustiças.
É dentro do serviço público que vemos mais pessoas despreparadas ocupando cargos para os quais não tem qualquer qualificação.
Por outro lado, há aqueles pobres funcionários que esforçam-se por anos a fio e jamais recebem o reconhecimento.
Porque uma coisa eu aprendi lá: não adianta passar a vida toda chegando no horário certo, cumprindo suas tarefas e até indo um pouco além, se você não souber ser "puxa-saco" não irá sair do lugar.
Você tem que saber ser falso, elogiar, ser capacho do seu chefe.
Sendo homem ou mulher, serve também ter um caso com seu superior... é quase que ter um mestrado em seu curriculum vitae.

Bem, eu permaneci todos estes anos exatamente ganhando a mesma merrequinha (menos de mil reais) porque nunca consegui ser falsa.
Nem tive estômago pra virar amante.
Já acho surpreendente que eu tenha sobrevivido a tantas gestões diferentes.
Méritos do senhor Ludovico, sempre tão admirado e respeitado.

Hoje, vi uma notícia na tv, falava sobre um centro de ajuda a pessoas que tem doenças respiratórias crônicas e que está prestes a fechar por falta de incentivo.
Pode ter certeza abosluta que a cota para a propaganda da administração pública referente a divulgação e propaganda certamente não corre o risco de se extinguir. Ainda mais em ano político...
Ajudar pobre e necessitado não é prioridade de nenhum dos governantes.
Porque num país tão rico e tão gigante como o nosso, dinheiro é o que não nos falta. Lembrem que o presidente doou milhões de dólares pras vítimas do Haiti.
Fora todos os gastos desnecessários.

Estão todos preocupados como estão as obras das cidades sede da Copa de 2014, mas não vejo nada ser feito para melhorar a vida dos necessitados.

domingo, 6 de junho de 2010

Domingo de sol... é perfeito para que?


Se fosse no verão eu diria que hoje seria um dia perfeito para estar na piscina ativando o bronzeado. Ou numa praia olhando o mar, sentindo a brisa, observando o vai e vem dos veranistas, tomando um sorvete...
Só que estamos no outono, a temperatura não é das mais baixas mas está frio. Porém, o sol está brilhando num céu sem nuvens.
Ouço o barulho dos aviões que despejam lá do alto os paraquedistas que descem no Aeroparque.

Da minha parte eu me recuso a fazer as tarefas que faço diariamente. Não quero nem saber de ouvir falar de cozinha... pelo menos uma vez na semana posso me dar a este luxo de não querer fazer nada.

Um dia de sol como este é aproveitado de formas diferentes.
Alguns aproveitam pra reunir a família, outros preferem ficar isolados em casa, sem ter obrigação nenhuma, nem horário.
Outros fazem aquela bela faxina a qual não tem tempo durante a semana.

Domingo é um dia especial.
Dia de descanso, dia da preguiça, dia de relaxar...
Ou dia de organizar, dia de preparar o material pra semana, de colocar a vida em ordem.

Isso quando a pessoa não precisa trabalhar. Aí o seu domingo pode ser na segunda, na terça... porque só o relógio trabalha continuamente. Com raras exceções.
Domingo também pode ser o dia da ressaca, já que muitos saem ao sábado e se recuperam dos excessos no domingo.

Gosto deste dia pelo fato de ser o único que não tenho compromisso.
Porque minha família está aqui comigo também.

Aproveite e faça o que for melhor pra sua vida, mas saia da rotina, desacelere, descanse, curta sua família, coloque em ordem as pendências.
Tenha um dia satisfatório pra começar a semana de bem com a vida.