terça-feira, 26 de julho de 2011

Foi-se Amy Winehouse...



Quando ouvi a música Rehab pela primeira vez, me surpreendi com aquela voz negra, maravilhosa e com a qualidade da canção.
Pensei "caramba, quem é esta?".
Fui atrás do álbum e adorei todas.

Amy era a novidade, a diferente, a "maluca", aquela que todos esperavam que morresse jovem de overdose.

Muitas vezes pensava que ela era muito grotesca, pois se envolvia em escândalos, abusava do álcool e das drogas.
Era a maldita, mas com sua voz perfeita nos fazia esquecer de tudo.

Eu a admirava porque gosto de gente que está "defecando e caminhando" para os outros.

Amy quis ser exatamente o que foi.

Este lance de usar drogas, lícitas ou não, é algo que só quem já usou pode entender.
Não vou dizer o quê, mas já usei e não me arrependo, pois eu precisava expandir minha mente, tive diversas revelações quando estava sob efeito.
Hoje dou muito mais valor a minha vida, a paz que tenho.

Para mim funcionou para me sentir mais segura.

Este papo das pessoas dizerem que a Amy se matou é simplesmente ridículo. Ela foi além do que deveria ir, mas é compreensível, tinha dinheiro sobrando e fantasmas atormentando sua paz. Porque quando a gente entra nessa é porque tem algo não encaixando.
Ninguém que morre de overdose (embora ainda não tenham confirmado oficialmente) pensa em usar drogas até morrer. Tem mais haver com um pedido desesperado de querer continuar vivendo mas sem enfrentar seus dramas.
Porque tem coisas que dóem demais dentro da gente e nem sempre sabemos o que é.

Todos temos uma válvula de escape, para uns pode ser atitudes positivas que não lhe fazem mal, mas para outros as drogas ajudam. Não são todos que usam e morrem ou chegam ao fundo do poço, tem muita gente que usa moderadamente.
Muita gente que você não imagina usa drogas.

Penso nela, a drogadição tornou-se doença grave. Entrava e saía de clínicas, sua aparência bonita deu lugar a uma moça quase anoréxica, decadente, machucada, feia. Justo ela, tão vaidosa, a "rainha do pin up", a mulher a ser copiada mundialmente.

Não é fácil vencer os tormentos provocados pelos nossos medos e inseguranças.
Fácil é dizer que ela foi uma idiota que se matou.

Queria que as pessoas entendessem que cada pessoa busca resolver seus problemas como pode.
Quando bebemos com amigos e começamos a ficar embriagados, pode ter certeza que logo estão todos rindo relaxadamente.
Tem gente que acha bacana ficar dentro de uma igreja orando... o que é bom pra um certamente não é para o outro.
Somos diferentes, graças à Deus!

Eu sabia que ela iria embora se não parasse.
Amy tinha sucesso, fama e dinheiro, mas isso não é tudo, pode ser nada. Ter dinheiro quando se é viciada não é nada bom... a gente sempre brincava que se fossemos ricos teríamos morrido de overdose já... porque não se tem limite.

E o uso de drogas tem muito haver com a veia artística das pessoas, pois não são poucos os ídolos admirados que usam drogas. Muitos param e o talento vai junto...

O bom da vida é viver de cara sim, mas é injusto pessoas que nunca usaram estas substâncias acharem que tem o direito de dar lição de moral. Muitos falam, enchem a boca pra condenar quem se droga, mas não é algo simples.
E o caráter de alguém não se julga pelos seus vícios.

Conheço gente que fuma cigarro dentro de salas fechados em detrimento dos seus funcionários, tem quem não beba mas adora fazer pega de carro, tem aqueles que não conseguem passar um dia sem falar mal da vida alheia, tem quem trai, quem desvia verbas, quem corrompe, quem mente, quem se vicia em remédios pra dormir ou emagrecer... enfim, não é só o uso de droga que atrapalha a humanidade. Tem muita coisa feia por aí.


Ninguém sabe o que a Amy fazia longe dos palcos, qual seus medos, seus traumas, suas angústias... ela estava sozinha... tenho certeza que não queria se matar, apenas curtir, mudar seus estado mental... porque expandir a mente é algo diferente, só quem já fez isso pra saber.

Ela estava doente e não teve a mesma sorte que eu, que fui e voltei.

Mesmo assim, admiro-a.

Ela foi exemplo do que NÃO fazermos, foi alguém que simplesmente viveu sua vida sem fingir pra ninguém que era o que não era.


Menina maluca, doidona, piradona. Os amigos diziam que era doce e boa, isso que vai ficar pra família e pros que conviveram ou a conheceram.

Para nós, fãs mais uma vez órfãos, fica a certeza de termos perdido alguém diferenciado, único em seu talento.

Suas músicas extremamente tristes (nem todas) pareciam um prenúncio de que algo de ruim estaria pra acontecer.
Hoje vendo as fotos do funeral e ouvindo, coincidentemente, Back to Black no mp3, senti uma profunda dor porque aquela cena não era um clip, mas a despedida.


Comete mais pecados aquele que prefere exaltar seus erros, pois agora Amy não está aqui para se defender.

E a Amy que morreu sábado, foi a filha judia rebelde, a amiga maluca, a moça sem limites, independente e infeliz.

Só conhecemos seu lado artista e o que os tablóides sensacionalistas mostraram tão habilmente.

A Amy artista viverá para sempre em nossos corações e em nossas memórias.
Dane-se o que ela fez de sua vida, dane-se todas as demonstrações de descontrole, isso nada importa mais.
Dane-se quem aredita que ela não era exemplo, por um acaso ela disputava o prêmio Nobel da Paz?

Amy se foi... e deixou um grande vazio para os que, como eu, a admiravam e torciam pra que não se deixasse levar por seus vícios.

Descanse em paz querida, você foi alguém verdadeiro que expôs suas fraquezas sem medir as consequências, eu sei... pobre menina, tão maravilhosa e tão insegura!


Adeus Amy...cuide-se!

domingo, 17 de julho de 2011

Só o que é bom...

Minha tia Ady se foi na manhã desta sexta-feira.
Foi um choque porque há um mês mais ou menos estive com ela, nunca ficou doente seriamente.
Porém era fumante e tinha 79 anos.

Graças à Deus teve uma vida boa e saudável. Superou a morte do filho único e conseguiu fazer Bodas de Ouro com o amor da sua vida, seu marido, meu tio.

Fica pra mim apenas as lembranças de infância quando nossas famílias era bem unidas. Minha mãe e ela tiveram algumas rusgas, que hoje entendo que foi porque ambas eram duas leoas pra defender sua família, cada qual com suas armas. Não cabe a mim nenhum julgamento. Sei que minha tia foi recebida de braços abertos pela minha mãe, pois conheço a mãe.
Acredito na evolução espiritual, em vida após a morte.

Se tive uma infância mágica, cheia de momentos especiais e cercada de amor foi em parte porque contávamos com a amizade deles.
A gente passava os domingos lá, eu adorava as festas de aniversários, as sobremesas, as comidas que a tia preparava. Era dela a receita de pavê de pêssego que era a predileta do meu pai e que eu aprendi a fazer.
Fora que a tia tem várias irmãs, então era aquela criançada... e criança é um amor, se enturma fácil e logo tá correndo, brincando, brigando, fazendo as pazes e chorando na hora de se despedir.

Tinha um quarto aonde ela guardava seus acessórios, super coloridos, brincos de pressão, uma mais lindo que o outro.

Foram os bons tempos mesmo.

Uma pena é que os caminhos da vida tenham afastado as duas, minha mãe e minha tia.

Quando estive com ela pela última vez era mais por preocupação com o tio Mário que havia feito uma cirurgia. Nunca pensei que fosse a última vez que a veria.

Conversamos tanto, senti uma real alegria dela em saber o quanto estamos bem e nos encaminhando. Falamos dos nossos mortos, das nossas saudades.
Porque é um assunto que está entre nós, não adianta, era natural.

O momento agora é pensar em estar mais perto do meu tio, que ficou mais só que meu pai.
Tio Mário tornou-se um homem só.
Vou colocar em prática o projeto do livro que seria apenas sobre meu pai, mas que decidi que deve ser sobre a vida dos dois irmãos radialistas.
Quero que meu tio saiba que pode contar comigo assim como meu pai contou.

Não tenho muita intimidade com ele, mas sei que temos o fundamental: AMOR.