terça-feira, 22 de setembro de 2009

Boas palavras...



Estava na academia nesta segunda-feira, quando uma moça se aproxima e diz que gostaria de agradecer a homenagem que fiz neste blog, quando seu marido perdeu a vida estupidamente num acidente de moto. Isso foi em fevereiro deste ano.
Fiquei tão emocionada de olhar pro seu rosto jovem e tão sofrido. O rosto que conhecia apenas por fotos.

Apesar de estar reagindo, em parte porque tem uma filhinha que se não me engano deve ter uns 9 meses, fica evidente que por trás daquela beleza se esconde um coração triste, perdido.
Disse-me que ainda é muito difícil, neste momento seus olhos encheram-se de lágrimas, seguidos pelos meus... perder pessoas que amamos muito é algo que temos em comum.
Ela me convidou pra aparecer em seu apartamento.
Fiquei tão feliz em pensar que por alguns instantes, mesmo sendo uma desconhecida, consegui lhe dizer palavras que a reconfortaram.
Se não fosse assim este momento não teria acontecido.
Foi tão gratificante saber que mesmo sem conhecê-la, naquele momento de choque, consegui lhe dar um abraço, um beijo... através de um texto.
Que dádiva divina quando conseguimos usar as palavras no tom certo, da forma mais delicada e sincera para abrandar um pouco a dor de quem sofre.

Todos os dias pessoas perdem a vida, seja por doenças, acidentes, crimes.
É algo banal, a morte faz parte da vida, nossa vida é frágil.
Foi por alguns segundos que o Fabiano acelerou (mais uma vez) sua moto naquele dia, um gesto habitual, com toda a certeza de quem sabia o que estava fazendo. Só não contava com o descuido de outro motorista que atravessou sua frente. Em questão de minutos sua vida começou a lhe escapar...

Até o deixar de vez.

Quantos sonhos terminam quando alguém morre?
Quantas vidas são modificadas?
Existe uma forma de morrer sem causar sofrimento?

Só consigo pensar e aceitar tudo isso com uma visão bem espírita.
Não existe esta morte, não acabou nada.
Porque como refletiu meu pai, já viúvo, se fosse assim, que graça teria?

Por isso é tão essencial procurar aproveitar todos os momentos da vida ao lado dos que amamos.
Uma porcaria, mas nunca sabemos se a vítima de amanhã não poderá ser a gente... ou... melhor nem pensar!

Difícil a vida da Raquel sem o Fabiano, seu amor de toda uma vida (por mais curta que tenha sido), mas acredito que nada é por acaso. Ela ficou com uma sementinha (foto) que está aí pra lembrá-la diariamente que a vida vale muito à pena, apesar de todos os percalços.
Apesar de ser muito difícil entender.
O jeito é não questionar. Fazer o que ela está fazendo, reagir e crer que há muito mais motivos pra sorrir e que um dia o sol voltará a brilhar com toda sua intensidade.

E plante o bem, cuide-se, seja caridoso, não prejudique ninguém.

Eu sinto que vai nascer uma amizade...

sábado, 19 de setembro de 2009

A delícia de saber estar só...

Sábado à noite, 22h, estou sozinha ouvindo neste exato instante Elizete Cardoso. Existe coisa melhor do que ter a liberdade de curtir alguns momentos consigo mesma?
A solidão é proveitosa quando é uma opção, não uma conseqüência.

Eu aprendi a ficar sozinha quando fui obrigada a sair da casa dos meus pais, devido a agressividade doentia do meu "irmão".
No começo foi difícil, me sentia muito mal, deprimida, angustiada.
Não me sentia bem de forma alguma.

Aos poucos fui aprendendo.

Hoje tenho uma vida tão estável, depois de tantas coisas difíceis, não vejo graça em sair de casa sem estar com vontade.
Amanhã pretendo acordar cedo, caminhar com as cadelas, preparar alguns espetinhos pro churrasco do almoço. Ainda quero deixar a sobremesa pronta, um brigadeirão básico. Basicamente engordativo.
Não ligo, não faço regime, gostamos de comer bem aqui em casa e cozinho cada vez melhor, também sou "modeeeeeesta"...
A vida pra mim é algo simples, reunir minha família em volta de uma mesa pra comer a comida preparada por mim com todo carinho é algo que dinheiro nenhum no mundo compra.

Tudo na vida da gente é fase.
Lembro que com 20 e poucos anos, se tinha que ficar um sábado em casa, não conseguia nem dormir direito. Pensava que estavam todos aproveitando e eu lá enfurnada, sem ter com quem sair. Porque sair sozinha nunca foi comigo. Na praia era normal, mas aqui nunca.
Todos os shows que tinham eu ia. Também era mais fácil, morava em Curitiba.
Não preciso nem dizer que aqui em Paranaguá só tem show de Fernando e Sorocaba, Hugo Pena e sabe Deus quem... Mc Creu...
Também não me animo sabendo quem são as pessoas que encontrarei, as cenas que observarei e muito menos, aguentar os papinhos e os bêbados xaropes.

"Minha casa é meu reino", já dizia a canção.

Muitas vezes é melhor estar só do que mal acompanhado, a solidão é um refresco.

Aprenda a se amar e a conviver com você. Reflita nestes momentos e agradeça ao universo, à Deus se acredita. Pense o quanto é bom poder estar no silêncio do seu lar. Peça apenas proteção para os seus e pra si.

E acredite, tudo vai dar certo!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

As palavras...

Imagine a seguinte situação, algém lhe sugere que apareça numa reunião familiar pra mostar suas mercadorias. A pessoa que sugere faz parte desta família, mas mesmo conhecendo desde que nasceu todos, você como tem "semancol" decide perguntar pra outro membro (com quem você tem mais liberdade) qual a sua opinião. Ainda toma cuidado de dizer que não quer ser "entrona" para que sinta-se a vontade de dizer não.

Imagine a seguinte resposta:

"Não querida, o encontro é bem íntimo, só pra nossa família mesmo, não acho legal ficar vendendo jóias, mas sábado sempre estamos reunidas então poderia aparecer. Desculpe, espero que entenda".

Compreensível né? Não magoaria ninguém, seria sincero e bem direto.

Agora imagine desta forma:

" Não e não, é um encontro de família, só pra minhas irmãs, não tem nada haver ficar vendendo jóias, além disso, minha irmã está vindo de Curitiba pra contar sobre sua viagem. Se quiser vender pra fulana liga pra ela, o número é tal, mas quinta não".

É a mesma coisa dita de forma diferente.
Aconteceu comigo esta semana.
Desde domingo parece que estou com uma "zica", primeiro foi aquela infeliz na casa da minha sogra, aí veio a ex-empregada que se fazia de gente boa e resolveu colocar as garras pra fora.
Pra encerrar com chave de ouro esta minha "amiga" faz isso.

Coloquei pra ela que fiquei chateada pela maneira como ela se expressou, mas sabe como são as pessoas arrogantes, falou que eu teria dois trabalhos, ficar chateada e "desficar", se eu preferia que ela tivesse mentido, enfim, disse que eu sempre fui assim, faço tempestade em copo dágua, se sou contrariado vou com duas pedras na mão. Depois fiquei pensando porque perdi meu tempo, afinal, a família no geral nunca admite um erro. Acredito que a palavra "desculpa" não faça parte do vocabulário deles.
São pessoas muito boas, mas não enxergam seus defeitos.

Sei que sou bem osso duro, mas depois que fiquei doente aprendi a não ficar brigando à toa com ninguém, mas também sei o quanto ficar guardando faz mal.
Não quis brigar, tentei apenas mostrar que existem maneiras e maneiras de se dizer a mesma coisa. Até agora ela não me compreendeu, ficamos num bate-boca (via depoimento de orkut) totalmente desnecessário. Ambas achamos que temos razão.

Claro que EU tenho razão.
Ela disse que eu interpretei o texto erroneamente, claro, ela deu margem pra isso.
Não adianta, escrever é um dom.
Não basta ter pós-graduação, doutorado...se ao escrever não percebe o impacto das palavras.

Palavras são assim, servem pra unir ou pra nos separar.
Podem nos emocionar ou apenas nos indignar.
Pode ser mais agressiva que um tapa na cara.
Alguns mudam seus conceitos ao ler artigos bem escritos.
Outros reforçam suas idéias quando se deparam com alguns absurdos.

Palavra falada é diferente de palavra escrita.
Você pode dar uma péssima notícia na medida certa se souber como falar, que tom usar.
Ou pode ser extremamente frio se preferir ser rápido e sucinto ao colocá-las no papel, como esta pessoa, sei que não fez por mal, mas com quase 40 anos ela deveria ter aprendido a lidar com as pessoas.

A palavra une e separa.
Promove encontros e desavenças.
Acalenta, consola, mas também destrói, mata.

Tome muito cuidado com o que você fala, especialmente com o que escreve.
Releia seu texto diversas vezes antes de encaminhá-lo.
Às vezes a gente não quer ser grosseiro, mas por pressa e desatenção acaba sendo.

Pense nisso! E boa sorte!

domingo, 13 de setembro de 2009

A arte de engolir sapos

Sabe o que leva uma pessoa totalmente pavio curto a engolir um baita sapo quietinha?
A educação e o respeito por outros.
Um dia fui visitar minha afilhada, a tia dela que acha lindo ser barraqueira ficou quase uma hora contando de brigas que ela teve com os vizinhos, sempre terminando a frase com um "comigo não".
Faziam alguns anos que não ia lá. Pretendo ficar mais alguns novamente.

Eu evito. Simplesmente porque não sei discutir sem pisar. Isso, obviamente, não me faz bem.

Detesto mas evito confrontos.
Tem uma pessoa cruzando meu caminho que anda me cutucando. Esta pessoa é alguém que sabe que a mim não engana. Pode se fazer de gente boa, de coitadinha, de solitária. Ela não tem amigos, o ex-marido dizem que enlouqueceu porque a pegou na cama com outro, as filhas a abandonaram.
Além disso, ela é chata, burra, inconveniente e espaçosa.
Desconfio que está tendo um caso com alguém bem próximo...
Um dia, sei que a máscara cairá... se até as filhas enxergaram... um dia minha sogra também há de ver.

E hoje é o dia do abuso.
Pedi pra uma garota fazer umas faxinas aqui em troca de roupa da loja. A primeira vez até que caprichou.
Na segunda tive que lhe dar uns toques.
Na terceira notei o quanto ela demorava... nem ficava tão limpo assim.
Na quarta pedi novamente pra que tivesse cuidado com a limpeza do banheiro, mas quando chego pra verificar até o cabelo no ralo continua no mesmo lugar. Quem dirá o limo.
Ontem lhe dei um $ e pedi pra minha filha dar apenas uma baby look. Hoje ela simplesmente me intimou.
Jogou na minha cara que o que fazia não era brincadeira.
Que ela tinha o direito de escolher o que levar.
Que eu lhe dei peças caras até então, ela não lembrou.
Além de uma bota semi-nova, roupas iradas da Jéssica, quase novas. Coisa que nem se fosse pra comprar em brexó ela teria direito.

Outra vez foi uma outra ex-empregada da minha mãe que levou todas as roupas que foram do meu pai, máquina de lavar além de dinheiro. Um dia também lhe dei nosso fogão velho. Em troca de faxina, sempre... ainda emprestei duas cadeiras de plástico.
Nunca mais esta vaca apareceu.

Pra uma outra dei duas bikes velhas... pedi apenas uma boa faxina.
Estou esperando até hoje.

Só quebro a cara com esta gente. Você dá a mão, querem teu braço.

O importante é que agora estou fazendo musculação novamente e a dor na coluna está diminuindo.
Não vou nunca mais pedir favor pra ninguém. Quando eu precisar, pago.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Um ano...

Pois é, o tempo passa e de repente você não faz parte da grande maioria que se preocupa aonde irá passar seu feriado de 7 de setembro. Agora você pensa como irá passá-lo.
Datas, números, servem apenas pra marcarmos um tempo.
Lidar com perdas nunca é simples.
Agora o dia 7 de setembro o dia de aniversário de morte do meu pai, o da mãe é no dia 12 de junho, justamente dia dos namorados. Seria a data que escolhi pra contar os anos de relação com o Hélio, já que a gente não sabe bem quando começamos. Agora quando chega em junho apenas adiciono mais um ano, desisti do dia 12.

Não consegui ir ao cemitério no dia dos pais, foi um dia esquisito, passei o dia de pijama, não quis sair.
Sempre curti estas datas, podia recebê-los em casa com um delicioso almoço. Muitas vezes tinha que insistir, pois devido a saúde debilitada de ambos preferiam sempre ficar em casa.
Faziam um esforço, vinham, eram sempre presenteados, amados, beijados e passávamos uma tarde muito boa. Sei que adoravam isto. Daí no meio da tarde o pai olhava pra mãe e dizia "vamos meu bem?", às vezes ela ganhava mais alguns minutos, às vezes ia rapidinho... sem nunca deixar de levar os potinhos pra comerem mais tarde... e também pro Eduardo de quem minha mãe nunca esquecia.
Infelizmente, das poucas vezes que me lembro dele participando sempre me vem a imagem dele provocando a Jéssica, ridicularizando minha mãe, reclamando... nunca soube viver conosco. Agora deve estar bom sozinho.

Agora são 13:02, há um ano o pai estava vivo ainda.
Sua última refeição foi uma carne móída misturadinha com arroz e uma saladinha, totalmente sem sal por causa da pressão. E ele sempre dizia que estava ótimo, achava que atrapalhava-me porque eu fazia tudo separadinho. Tadinho do meu pai, sempre foi tão bonzinho.
Lembro que servi seu prato em cima da penteadeira no quarto deles. Então fomos almoçar na minha sogra.
Senti aquele dia estranho, sentia-me inquieta, mas como sempre tive estas coisas não soube entender.
O pai foi lá na Difusora, participou ironicamente de seu último programa de rádio ao vivo, graças ao Mozar, pessoa que ele iniciou e de quem sentia orgulho e recebia gratidão.
Agora à pouco ouvi novamente. Ter pai radialista faz com quem a gente fique com um acervo enorme de voz.
Fico pensando, meus pais morreram de enfarte com o mesmo médico.
Não, não e não. Não gosto de pensar nisso.
Uma das maneiras de não sofrer é evitar pensar demais naqueles que se foram.
Passado um ano da partida dele, ainda dói demais determinadas lembranças. Principalmente aquelas que se relacionam com os fatos da morte.
O momento em que ele chegou passando mal, as últimas palavras dele de dor. Se engana quem diga que quer morrer de enfarte pra não sofrer. O pai gritava de dor, meu Deus, horrível ter esta lembrança.
Por isso que evito ficar lembrando muito. Porque fatalmente ainda caio neste buraco negro.
Só que hoje é um dia de relembrar.
Sábado já tinha ido lá no cemitério pra limpar o túmulo.
Hoje levei um vaso.
Um ano...sei que muitos já o esqueceram.
Eu e muitos, nunca iremos.
Acredito que algum dia alguém vai lembrar e imortalizá-lo dando nome a algum prédio público.
Ou será que nossa cidade é tão ingrata?
Não importa. Como eu disse pra eles hoje, azar desta cidade que os perdeu.

Eu tive sorte demais. Com tanta desunião, interesse, discórdia e falsidade, cresci cercada de amor de pessoas totalmente desprendidas.
Eu errei muito quando perdi este tempo precioso brigando, sendo egoísta, sendo revoltada, mas isso compreendo agora que sou adulta.
Tinham muitos fantasmas que me atormentavam, ainda bem que meus pais sempre entenderam isso.

Um ano...

É só uma marcação mesmo, mas hoje é o dia em que preciso enfrentar as lembranças, dar vazão à saudade... não tem jeito.