sábado, 27 de junho de 2009

Adeus Michael Jackson!




Ben (tradução)

Ben, nós dois não precisamos mais procurar
Nós dois achamos o que estávamos procurando

Com um amigo para chamar de meu
Nunca estarei sozinho
E você, meu amigo, verá
Que tem um amigo em mim
Ben, você está sempre correndo aqui e ali
Você sente que não é querido em lugar algum
Se algum dia você olhar para trás

E não gostar do que você achar
Há algo que você deveria saber
Você tem um lugar para ir
Eu costumava dizer "eu" e "eu"

Agora é nós, agora é nós
Ben, a maioria das pessoas mandaria você embora
Eu não escuto uma palavra do que eles dizem
Eles não vêem você como eu vejo
Eu gostaria que eles tentassem
Tenho certeza de que eles pensariam novamente
Se eles tivessem um amigo como o Ben

Como o Ben...

Quando tinha cinco anos lembro de um filme que passava com uma certa freqüência na TV. Era a história da amizade de um menino com um ratinho. Venceram preconceitos, davam aula de companheirismo e fidelidade.
Apesar do filme ter um final triste (a população extermina com os ratos), ao menos Ben aparecia na última cena, todo "esmilinguido" para alegria do menino e de todos nós. A frase final do menino era "eu vou cuidar de você meu amigo e vai ficar bom"... que duvidaria?
Michael Jakson interpretava a música. Pra mim até hoje é uma música que acalenta meu coração, enche-me de lembranças (BOAS), traz de volta uma outra época.
Parece que me enxergo pequenina deita no colchão do chão do lado da cama dos meus pais, porque costumávamos ver televisão juntos...

Minha adolescência foi nos anos 80, lembro que as músicas mais românticas eram sempre de Michael. Embora eu usasse aquelas roupinhas ridículas da época (verde com laranja, ombreiras, babados, calças no pescoço de tão altas) achava o estilo dele muito forçado... e brega! Tinha gente que deixava o cabelo igual, tinha a mesma jaqueta de Thriller.
Agora até entendo que a roupa que usava nos shows era só um figurino. Se bem que nunca o vi com uma roupa legal...
Talvez por isso eu não fosse fão de carteirinha dele.

Aos poucos as esquisitices, bizarrices e acusações de pedofilia foram tomando conta da mídia.
Passei a desprezá-lo. Eu e mais alguns milhões pelo mundo.

Há algum tempo parei com isso. Extamente quando ele fez um acordo milionário com a família do garoto e apareceu na TV pra dizer que não desprezava os negros, mas tinha vitiligo.
Pensando bem, pelas suas atitudes humanitárias não dá pra acreditar que aquela brancura toda fosse algum tratamento. Primeiro porque aquela cor não é de um ser normal, cheio de saúde.
O cara escreveu "We are the world", pô!

Sim, tinha muita coisa de esquisito em sua personalidade.
O que sabemos da vida dele? Era negro, pobre, apanhava do pai, parece até que foi molestado, causava inveja com seu talento nos irmãos mais velhos.
Foi um dos mais bem sucedidos artistas musicais no mundo todo.
Acumulou e gastou milhões de dólares comprando TUDO o que o dinheiro poderia comprar.
Poderia ter morrido de overdose de drogas, afinal, quantos astros não se foram assim?

Páre por um instante e reflita, coloque-se em seu lugar. De repente o mundo todo te ama, você causa histeria por onde passa. Todos querem te conhecer, estar ao seu lado.
Depois de ter sido tão humilhado no começo da vida, de ter sido tantas vezes xingado pela aparência, pela sua cor, pelo seu nariz...
O mundo que formou a criança Michael o fez odiar-se. O racismo e o bulling fazem isso com qualquer pessoa. Hoje sabemos bem sobre o assunto.

Então o menino que se sentia feio de repente tem dinheiro pra mudar sua realidade. E foi atrás disso, pois não gostava da sua imagem. Tem feridas que nunca cicatrizam...

Tudo tornou-se uma compulsão, as intervenções cirúrgicas, a dependência por remédios... faltava algo pro astro. Era só, tinha uma família na qual não podia confiar.
Talvez fosse homossexual e nunca tenha tido coragem de assumir.
Talvez seus dramas pessoais nunca o deixassem em paz.

Pedófilo? Será? Nada foi provado. A família que o acusou aceitou um acerto, será que nos tribunais não levariam muito mais? Nunca apareceram outras vítimas? Estranho isso... mais estranho ele ter tido coragem de dizer na TV que dormia com crianças, mas não fazia sexo com elas... tinha um parque gigante em casa, dizia-se Peter Pan... atitudes não-normais.
Não acredito que ele fosse pedófilo, mas alguém com transtorno.

Michael foi sugado por muitas pessoas. Ele sabia que era cercado por vampiros. Sabia também que seu talento resumia-se a cantar, dançar, compor e produzir.
Não comandava sua agenda, não gerenciava seus negócios. Era um sem noção...era...

Impossível ouvir algumas de suas músicas e não emocionar-se ou mexer os pés pra acompanhar o ritmo.
Pelo menos isso será eterno, sua obra jamais acabará.

Pensei até que ele pudesse estar fazendo uma jogada de marketing, mas será que seria assim tão doido?

Pena que estes gênios estão indo embora e não aparecem outros pra substituírem. É bem triste pensar que os adolescentes de hoje tem que aturar Justin Timbelake e Britney Spears...

Que Deus receba Michael Jackson que para mim foi um menino muito infeliz, perdido e sozinho...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

12 de junho de 2009 - 2 anos sem minha mãe amada







Domingo passado, dia 7, fez 9 meses do meu pai. Sua partida ainda é um trauma difícil de esquecer, pois eu o vi tendo o enfarte fulminante. Engana-se quem pensa que não sofre. Sofre sim... e muito.

Pensando no acidente do airbus que semana passada matou quase 250 pessoas, caindo em alto-mar, refleti sobre a morte e seus rituais.
A princípio pensei que se de repente não encontrassem todos os corpos (quase impossível mesmo), pelo menos sobraria as lembranças da pessoa viva pra família.
Só que cheguei a conclusão que isto é besteira. Ficará sempre a dúvida de saber se o seu ente sofreu ou não.

Eu vi minha mãe viva pela última vez no dia 11/06/07. Ela estava internada na Santa Casa. Fomos eu e meu pai vê-la. Como a baixinha estava bem. Muito alegre, cheia de esperanças de sair dali e melhorar sua saúde. Estava sensibilizada com a moça do leito ao lado, tinha tido um AVC, só tinha uma irmã na vida. Então a mãe contou que ajudou-a durante a noite com o soro. Minha mãe e meu pai eram fantásticos, preocupavam-se mais com os outros do que consigo.

Embora eu tenha esta grande saudade, ainda acredito que a vida me reserve momentos maravilhosos.
Porque sempre tive muita sorte, sempre entendi que Deus era por mim, mesmo quando tudo vem contra.
O fato de eu ter sido escolhida pra viver com estas pessoas tão especiais já me torna alguém de sorte inigualável. Não é em qualquer esquina que encontramos uma Rose e um Ludovico.
Fico triste porque queria que nos vissem neste momento. A Jéssica se tornando uma mulher bem sucedida, decidida e íntegra. Imagino o quanto minha mãe não "babaria" em cima dela. Meu pai também, claro.
Queria que vissem que pela primeira vez na vida estou trabalhando em algo que eu gosto.

Viver sem nossos pais é como viver sem estar 100% completa.
Perde-se um pouco da magia da vida, da segurança, do carinho.

Eu sinto uma falta enorme de ambos.
Estes dias até sonhei com meu pai me abraçando. Eu imagino que minha mãe fique mais próxima do Eduardo, não por ele ser o preferido, mas por ser o que mais a preocupou sempre.

O segredo da vida é aproveitarmos todos os instantes como se fossem os últimos. Nunca sabemos quando será mesmo...

Só sei que amo muito meus pais e jamais os esquecerei. São meus anjos protetores.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Irmãos

Engraçada a vida, para não dizer trágica.
Quando nasci fui separada do meu irmão gêmeo.
Por alguma ironia do destino,eu conheci e tive apenas um irmão na vida.
Uma pessoa desequilibrada, perturbada, de má índole e mau-caráter.
Abandonou meu pai em seus últimos meses de vida.
Chegou a deixá-lo falando sozinho num posto de gasolina.
Não atendia seus telefonemas.
Em compensação, antes da missa de sétimo dia já tinha percorrido bancos como um rato atrás de migalhas.

Não me perguntou em nenhum instante como foram os últimos dias do meu pai, mas quis saber porque dois dias antes de falecer ele sacou 800 reais.
Ele é frio e calculista, além de ser perigoso.

Hoje infelizmente tivemos que estar juntos para pagarmos o causa mortis do inventário, além de me ofender, foi extremamente agressivo com um senhor de mais de 70 anos que está envolvido também, pois foi seu filho que comprou nossa antiga casa.

Aquela cena dele interpelando o seu Antônio, falando alto, ameaçando lembrou exatamente o assédio que ele fazia em cima de minha pobre mãe.
A vida de ambos só não foi perfeita por causa desta criatura malévola.
Aliás, minha família só não foi perfeita por isso.

Eu acredito que o erro começou quando fui separada do meu irmão Marcos.
A partir daí, por algum motivo do destino que nunca saberemos, eis que esta criatura podre veio ocupar o espaço que deveria ser de um irmão.
Não culpo ninguém, só Deus sabe e deve ter tido motivos pra fazer isso.

Jamais me indignei com os percalços do meu destino.
Nem quando me vi com câncer.

Hoje não tenho um irmão, mas um sócio-herdeiro.

Ao mesmo tempo a vida apresenta-me várias pessoas que me chamam de irmã, tia, pois tem o mesmo sangue que eu correndo nas veias.

Só que nada é simples assim. Tenho quase 40 anos e de uma hora pra outra não vou conseguir me aproximar de estranhos e amá-los como irmãos de sangue.
Tudo tem seu tempo.
Foi por isso que fugi há alguns anos atrás.
Sinto-me sufocada com as pessoas tão ansiosas em me amar e se aproximar de mim.
Assustei-me quando a dona Maria queria simplesmente que eu fosse viver com ela.
Hã?!
Acho que todos são pessoas simples de coração puro, uma família unida, grande, como sempre quis ter. Talvez pra eles seja bem mais fácil do que pra mim. E é.

Com o passar dos anos, com estes últimos acontecimentos, tornei-me uma pessoa mais fechada, mais voltada pra minha família (Jéssica e Hélio).
Fico um pouco assustada com esta facilidade das pessoas demonstrarem que me amam... não consigo amar pessoas que não conheço.


Tudo tem seu tempo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Eu - Estranha



Ainda bem que tenho um grande senso crítico.
Além disso, penso e penso muito.
Muitas vezes fico sem escrever aqui porque são tantos textos dentro da minha cabeça que fico sem saber qual o melhor, o mais apropriado.
Mesmo para alguém que não liga para opinião alheia, há de se tomar cuidado com cada palavra aqui publicada.
Minha vida está se transformando, meus pensamentos, a maneira como vejo as coisas.

Tento não deixar meus defeitos saltarem pra fora, procuro evitá-los, controlá-los. Só que sempre há um limite.
Tem coisas que devem sair. Precisam causar impacto para que novas idéias surjam.

Um fato que já aceitei: sou uma pessoa estranha.
Tenho minhas estranhezas, meus absurdos.
Porém, dentro de mim sinto que há algo de puro, de bom.
Não sou uma pessoa qualquer nesta vida.
Sou especial, tenho uma vida única.
Ahhh... a vida... tão simples e tão complicada por nós.

Vivo uma fase engraçada e antagônica. Sinto um pouco de tristeza, mas vejo que estou mais conformada com os percalços desta fase.
Também estou conhecendo um lado da minha vida para o qual nunca quis olhar.
Nunca senti falta e nem tinha interesse.
A necessidade fez com que o momento voltasse.

Não sei como será. Pode ser que eu retroceda como da outra vez.
Nunca é fácil lidar com novas realidades.

O que me assusta são as pessoas que não entendem que preciso de tempo, de muito tempo talvez.
Quem sabe da vida toda.
Adaptar-se é uma tarefa bem complicada.

Só que sei que Deus nos fez todos irmãos.
E é o que somos.