sábado, 20 de julho de 2013

Constatações de uma infância.


Chego ao apartamento do meu primo/irmão e a primeira coisa que ele faz é me mostrar um álbum aonde descubro fotos do meu passado que não me lembrava ter vivido...
O terno do meu pai, meu vestido... são apenas coisas materiais que ainda guardava na memória.
de repente me vejo com mais ou menos 3 anos, na festa religiosa do casamento da minha tia, na Sinagoga.
Sinto meus olhos se encherem de lágrimas, porque eu queria tanto de novo voltar lá, pro colo do meu pai, ser aquela menininha que era a alegria da vida de ambos.
Nesta época os dois já estavam juntos há mais de 20 anos, um filho era a certeza da formação da família, era a cereja no bolo da união perfeita que era o casamento.
Minha emoção junta muitos sentimentos que me embarulham, me sacodem, se escondem porque se resolverem gritar minha sanidade some.
Serenidade é o que preciso para aceitar que não posso modificar o fato de que cresci e hoje minha vida é esta.
Luto, sou honesta - até demais - quero sempre ser correta, mas há sentimentos que me pegam... a ausência dos meus pais, a solidão da minha vida, às vezes aceito, às vezes caio na culpa dos meus ressentimentos, então busco as orações, minha madrinha, choro.
Só que hoje, percebo o quanto Deus é amoroso comigo e quanto preciso realmente entregar minha vida e confiar, porque não sou alguém mal, pelo contrário.
Olho para as fotos, vejo uma garotinha sempre sem sorriso, meu primo sorrindo, aliás, todos estão, mas eu não, eu nunca sorria.
Porque será?
Não vou dizer que ali já tinha traços da adicção, pode ser, mas talvez eu sofresse mesmo com o vazio da separação do meu irmão gêmeo, do mesmo jeito que hoje sei que ele sofria também.
Talvez fosse uma criancinha chata de tão mimada, afinal, filhos adotivos são extremamente protegidos, muito mais amados... ao menos comigo foi assim.
Não sei, mas é incrível perceber isso, esta falta de sorriso... eu era uma criança que vivia com muitos motivos pra sorrir e estava sempre aparentemente triste...

Assim, buscando respostas interiormente vou percebendo que está tudo aqui dentro de mim e que só eu posso resolver estes vazios.