segunda-feira, 27 de maio de 2013

Falar do que sinto mas ainda não realizei.

Assim... falando um pouco de amor, foi exatamente por causa do amor que ingressei na Irmandade.
Por falta de amor próprio, cheguei  a um colapso de sentimentos quando de repente me vi no meio de uma situação inimaginável, sofrendo, arrependida da escolha que segui, chocada com minhas atitudes, sentindom-me vazia e o pior de tudo, percebi que tinha um grande inimigo capaz de destruir-me assim, sem pestanejar: EU.
Foram tantos questionamentos, o mais difícil de todos foi constatar que eu realmente não sabia quem era.
Estava falida emocionalmente destruída, sem esperança, me sentindo um animal traiçoeiro, com vergonha de carregar tão nobre sobrenome.
Não, nunca consegui usar máscaras, isto é o que determina tudo, pois mesmo errada, naquele momento a verdade que se apresentava saltou da minha boca e e eu falei, admiti, pensando apenas em mim. Sem ter certeza do que sentia, cansada apenas de viver das migalhas, sozinha... me adaptando a vida do outro.
Semanas depois, fiz questão de desdizer o que eu havia dito antes.
Porque busquei o que eu queria da pessoa que amava aonde jamais encontraria.
Sobrou dentro de mim apenas um enorme vazio, um coração que servia apenas paras as funções vitais, nada mais.
Procurei a solidão, de novo me vi como há 15 anos flertando com o submundo e tentando fugir da realidade.
Depois de alguns dias sofrendo, com o coração exposto, chorando desesperadamente sozinha, de joelhos, gritando, perguntando... por quê???!!!
Muitas e muitas garrafas... quase voltei a fumar...um cigarro como companhia poderia ser bom.
Quanta dor, quanto sofrimento, quanta vergonha, quanto medo de morrer, porque querer eu queria, mas sabia que não poderia ser quando eu decidisse.
Culpa... 
Procurei, ser humilde, aceitar, fugir do lodo... afastar quem me fazia mal, foi difícil, porque a solidão me fez algumas vezes trazer para perto de mim quem eu não queria, até sentir nojo, asco, até notar minha insanidade em ficar com alguém como forma de auto-punição.
Estava abandonando uma verdade simples.

Sei que desde que nasci algo bom está reservado.

Tudo bem, o preço foi ter sido separada do meu irmão, mas ganhei os melhores pais do mundo todo, estudei nas melhores escolas, a infância que poucos tem, nunca passei necessidade, tive uma doença maligna que demorou a ser diagnosticada mas mesmo assim, venci... hoje tenho saúde, minha filha,  um emprego que me sustenta, uma casa em meu nome e dignidade.
Errar, todos erram, adictos ou não, mas o que a gente faz com nossos erros é o que nos transforma.
No meu caso, fiz do limão, uma limonada, mudei do vinho...pra água.
CARÁTER eu tenho muito, DEFEITOS, pra caramba. Só que hoje acredito que posso melhorar tudo isso, tenho aceitação, reflito, quando me dizem algo que não gosto, tento me ver  e descobrir se faz sentido, qual a impressão que causei.
Mergulho dentro de mim.
Quando não é do meu jeito ainda é difícil, lidar com a frustração, mas a diferença é que consigo perceber e fazer o movimento contrário, me colocar no lugar do outro, deixar um pouco o EU de lado.
Minha vida não é a melhor vida do mundo, nem quero, nem serei exemplo, mas cuido do que me interessa, do que me faz vibrar, vivo buscando melhorar e sonho sim, com um amor que me traga alegrias e que possa receber meus sentimentos com abnegação.
Planto morangos, todos os dias.
Não quero um homem lindo, perfeito em tudo, que não tenha problemas nenhum, que seja rico, maduro... não... quero alguém carinhoso, que acredite nos sonhos, que seja bondoso, tenha caráter, dignidade, que note quando eu estiver triste, que perceba quando eu precisar de um elogio...

Eu estive perto da morte e às vezes vou lá, porque os meus iguais também são os doentes com câncer do hospital, as pessoas que aguardam serem chamadas, as crianças que vejo queimadas tendo que lutar para reconstituir seus pequenos corpinhos... como é que posso me permitir de vez em quando chorar porque me sinto triste? Só que estes momentos fazem parte também, mas não podem durar, não é justo...


Não vou deixar de acreditar no amor e agora que aprendi a me amar de verdade, a sentir, como posso desistir apenas porque encontrei alguns obstáculos?
O Amor é pra todos, pra mim, pra você e pra quem não soube nos amar e nos perdeu...
Só sei que mesmo assim, apesar de parecer tudo tão insano, apesar dos riscos, ainda prefiro me arrepender de tentar do que nunca pagar pra ver...

Sou otimista, sou Alice, sou Bob... quem sabe a Sininho da Terra do Nunca...

Porque mesmo que morra por amor, tenho certeza que conseguirei continuar vivendo.

Eu ainda amo... e consigo ser feliz, mesmo amando apenas lembranças...




domingo, 26 de maio de 2013

Posso não saber quem sou, mas sei do que não gosto...



O sentimento que me faz vir aqui tentar expressar um pouco em palavras o que vem na minha mente é o de gratidão.
Nem todos conseguirão entender o que eu digo, tudo bem, não é fácil me compreender, não sou simples assim e nem tenho esta pretensão.
Se eu não tivesse passado por todos os vales escuros, se não tivesse me exposto a degradação moral, se eu não tivesse chego ao colapso espiritual, emocional e talvez físico, quem eu seria?
Uma pessoa cheia de defeitos incapaz de controlá-los e sem tentar revertê-los?
Eu brincava com a vida, sem perceber o quanto ela é efêmera. Tanta coisa poderia ter me acontecido, mas quis Deus que eu continuasse aqui.
Lamento dizer isso a quem possa sentir-se ofendido, mas este é meu espaço e o mundo não é um lugar aonde amamos tudo o que vemos, lemos e ouvimos, enfim, que bom que não estou enfiada dentro de um local de oração com os braços pra cima entoando cânticos de louvor, com olhos fechados, mão no peito, talvez me jogando no chão, me prostrando de joelhos... porque seria uma hipocrisia sem tamanho. Afinal de contas, acredito em Deus, mas este papo de Bíblia, de seguir "ipsis literis" conforme a interpretação de um homem, de um grupo, sei lá, nunca foi pra mim.
Nada contra, se está fazendo o bem, se tirou a pessoa de um caminho ruim, mas ainda tenho restrições porque vejo muita gente usando máscaras, fazendo algo entre seus iguais e deixando de fazer o certo na rua.
Sou deísta, isso é fato.
Deísta e adicta em busca de recuperação.
Que bom que sofri e pude chegar neste momento em que me encontro agora, totalmente voltada para dentro de mim, buscando um crescimento interior, despertando minha espiritualidade através do que ouço e vejo, aprendendo a compreender o outro de forma amorosa, tentando não julgar e o melhor acreditando num Poder Superior, que pode ser revelado apenas dentro de um grupo aonde tem ateus, umbandistas, evangélicos, espíritas e toda espécie de pessoa.
Ainda prefiro chorar ouvindo um companheiro contando sua história de vida cheia de erros e me espelhar em sua recuperação porque sei que ninguém é perfeito, que somos iguais e se as portas se abriram pra ele, podem vir a se abrir pra mim.
Aprendo até quando o espelho reflete no outro algo que está guardado a 7 chaves, atrás de uma das máscaras que ainda tenho.
Um dia alguém disse que sou especialista em apontar meus defeitos, sei disso, me exponho pra caramba, mas sinceramente, antes já fazia isso, porque agora seria diferente?
Quem não está ao meu lado, quem não me conhece, mas se interessa pela minha humilde vida para criticar certamente deve ter dificuldade em lidar com a própria. Não que eu saiba que exista alguém assim, na verdade não penso que minha vida chame a atenção de alguém, sinto que ela interessa a mim e mais ninguém.
Estou feliz, agradecida.
Estar no local aonde se quer, procurar melhorar, evoluir, buscar, ter fé e se sentir feliz se auto-aceitando são novidades pra mim.
Uma nova maneira de viver, esperando o mais ser revelado.
Acredito em mim, acredito nos meus sonhos e no que quero.

Só posso agradecer.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo prefiro acreditar no mundo do meu jeito...





Finalmente, passou um pouco aquele sentimento de aflição e vazio que tomou conta de mim... talvez o vazio pós-término do Primeiro Passo escrito, sei lá, minha vida não é uma constante, seria estranho se fosse, porque não encontrar motivos pra sofrer um pouco seria esquisito.
Loucura para quem não é capaz de entender este meu maravilhoso mundo, mas meus iguais sabem bem que sentimento é este.
Esta semana foi e ainda está diferente, tem algo, uma inquietude, uma vontade, uma angústia, bem misturadas com esperança, vontade, desejo, certezas.
Só que aí fico duelando comigo mesmo: a que se acha capaz de e a que tem medo e quer desistir mesmo.

Prefiro acreditar no mundo do meu jeito.
A única coisa que quero é não causar dor, nunca mais magoar ninguém, porque administrar minhas decepções, meus traumas, os pavores que atormentam minh'alma é simples, mas o que é alheio a mim não tem jeito e não há uma forma.
Mesmo assim... nada é por acaso, ainda creio nesta verdade absoluta.
O que não posso é me prostrar, ficar inerte e insensível ao mundo, perder a certeza de que estou aqui pra ser feliz e que tudo irá acontecer no momento certo.
É que quando não é do meu jeito, na minha hora... é um saco.
Ansiedade me sufoca, perguntas povoam minha mente.
Vejo, leio, penso, reflito, em alguns momentos penso... "este você sou eu", em outros a voz me diz "não se alugue"... nada é fácil de entender.
Só sei que não gosto do comum, não é o que é simples que me atrai, nem o que se decifra facilmente.
Difícil quando não se pode gritar para que barreiras, medos, traumas e fantasmas sumam, não da minha mente, eu tenho meus meios... mas como fazer o outro acreditar?

O que importa é que a lua está linda, que me sinto serena, que não me sinto só, tenho o Poder Superior de várias entidades e seres de luz aqui, meus pais inclusive.
Adotei um animal da rua, machucado, mudei seu destino. Hoje conheci pessoas iluminadas que querem ajudar e diminuir o sofrimentos destes pobrezinhos, uma pessoa que atravessou a cidade sem me conhecer para irmos até uma veterinária, que também não cobrou nada para examiná-lo, sabe, esta energia linda do amor que brota assim, quando deixamos ele entrar.
Ter um gesto despretensioso de amor gera mais amor... me sinto tão bem e tão gratificada por ter passado por isso, pois me faz ter a certeza que o mundo é muito bom...vale à pena sim viver... que bom que estou aqui... obrigada meu Deus, obrigada.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Nada é fácil de entender...








Sensação de nostalgia pura, acabei de sair do cinema, com lágrimas nos olhos, nariz vermelho, saudades de um tempo que se foi... fui ver como começou a história de uma banda que acompanha minha vida desde os anos 80, quando surgiu.
Legião Urbana, Renato Russo, lembro como se fosse ontem, nós sentadas no portão de casa, o som alto na sala era um tempo nada perdido entre risos, palhaçadas e paqueras... sonhávamos, planejávamos e vivíamos bem, sem grandes preocupações.
De manhã na escola, à tarde batendo perna, às vezes passávamos pela Biblioteca Pública, eu, sempre a mais atentada, dava um berro na janela e saíamos correndo... as monitoras iam com cara de bravas na porta e a gente correndo, rindo, mastigando Bubaloo... vergonha era ter que voltar alguns dias depois com a cara mais deslavada pra fazer alguma pesquisa.
Eu era moleca, provocava mesmo. Apertava campainhas e corria, furava pacotes de arroz e feijão, quando não espalhava spray de barbear... agora entendo por que agia assim, era uma forma de chamar a atenção, ser aceita, sei lá, meus atributos físicos na época serviam apenas para chacota alheia, magricela demais...então, rebatia assim.

Sorte que eu ainda era nova na época do Legião, bitolada, porque certamente teria sido presa pela Ditadura, pois bastava não poder para eu querer fazer, sem medir muito as consequências, aliás, isso ainda tenho, sou impulsiva...
Puxa, mas o filme me trouxe saudades de tudo que já fui, de tudo que já tive, das pessoas que faziam parte. Alguns ainda fazem, outros nem tanto, outros nem faço questão, outros se foram para nunca mais voltarem.
Síndrome de Peter Pan, morando na Terra do Nunca, literalmente.
Era um tempo mais ingênuo, a gente não tinha maldade, nem pensava em beber, usar drogas, aliás, eu tinha medo destas pessoas que faziam estas coisas, nem faziam parte do meu círculo de amizades. Nem quero falar nisso.
Eram tempos doces.

As tardes na confeitaria aonde todos se reuniam... o "point"...


Final de semana a gente se reunia na minha casa, primeiro porque meus pais deixavam a gente super à vontade, com as salas livres, ouvindo música, dando gargalhadas mesmo, daquelas que doem a barriga... derrubávamos, tá, eu derrubava todos os desavisados que se sentavam num sofá, era um barato... ficávamos jogando "queimado", quem perdia pintava a cara, comíamos pipoca demais, além de brigadeiros na colher, 5, 6, 7... todos compartilhando o mesmo prato.
Passávamos trotes...
Sempre na minha casa.... até porque a localização favorecia...
Eu não pensava muito nos meus complexos, apenas vivia, tinha muitos amigos, tudo o que pedia, dentro da medida do possível, meus pais me davam, a gente ia no cinema aos sábados ou à pizzaria...aliás, tivemos uma passagem triste quando resolvemos mudar de local, o garçom explodiu uma garrafa de álcool na mesa, quando foi trocar o fogareiro de uma pizza pra outra, dois amigos se queimaram, estávamos em 6, não tenho certeza, mas acho que tínhamos 13, 14 anos... graças à Deus, apesar do sofrimento, ambos superaram... éramos tão crianças, não posso dizer que éramos adolescentes, éramos bobos... este episódio ficou conhecido como "o acidente da pizzaria" e até hoje ainda alguém me pergunta como foi...
Pensando em tudo, sempre tive uma boa vida, com saúde, amor, amigos... só faltava me aceitar e acreditar.
Quando eu ouvia o Legião Urbana me identificava com sua rebeldia inicial, depois com a melancolia, as dúvidas... até hoje, quantas frases me definem?

Sou um animal sentimental...
Não sou escravo de ninguém...
Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto...

O Renato, era foda, era o cara, nunca conseguirei superar este vazio sua ausência.
Porque ninguém consegue dizer sobre mim tão bem quanto ele dizia cantando...ainda diz, quando estou triste, quando estou perdida, quando estou amando...
Lembro que eu morava na praia quando a notícia da sua morte chegou, não acreditei, nem sabia que o cara estava doente... nossa, bebi uma garrafa de conhaque aquela noite e vi o dia nascer totalmente desnorteada. alterada... agoniada.
Tolamente dizia que cada gole, cada dose, era pra ele... como a gente lamentou sua partida...bem loucamente...irracionalmente.

Tenho um trauma... em 1988 minha família mudou-se para Florianópolis, alguns dias antes do show do Legião Urbana no ginásio Tarumã em Curitiba, como eu tinha 15 anos, meus pais não deixaram eu ir, aliás, eu nunca podia ir à nada, só de dia...então se mudaram até pra eu parar de encher o saco. As minhas amigas que foram, simplesmente almoçaram com ele, pois há alguns integrantes da família Manfredini lá, uma das meninas era parente e todas almoçaram com ele, pegaram autógrafo e só não tiraram foto porque naquele tempos uma máquina do dia pra noite era complicado... se tem uma coisa que nunca perdoei meus pais foi essa... rsrs... tudo bem, hoje passou... foi para minha proteção.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Quando a gente perde, a gente ganha...




Tem momentos que realmente a vida pesa.
Não venha me dizer que isso só acontece comigo porque ninguém consegue ser feliz 100%, apenas, talvez, Dalai Lama, inclusive ele escreveu um livro sobre isso: F E L I C I D A D E.
Mesmo assim, cá entre nós, acho que nem ele.
Eu me considero pra lá de otimista, principalmente porque me lembro como eu era e como estou.
Tudo bem, nem tinha motivos concretos para ser "a depressiva", mas minh'alma não encontrava sossego.
Eu creio aonde tudo começou, lá em 1972, em algum dia de novembro, quando me separaram do Marcos, meu irmão gêmeo.
Sem saber, porque só me contaram uma parte da história, aliás, compreendo perfeitamente por que, os personagens da Liga da Justiça que eu mais gostava], eram os Irmãos Gêmeos...

Pois é, dá para imaginar o tamanho do rombo que uma separação dessas pode deixar. Junto com mais outras vivências foi a fórmula para se criar uma personalidade complicadíssima.
Nunca me senti diferente por ser adotada, sempre lidei bem com isso pois meus pais eram formidáveis e desde cedo me contaram a história de que não nasci da barriga, mas do coração deles... então, não era um tabu, nem um trauma, aliás, sempre tive certeza de que aquele era meu lugar.
Por isso nunca senti revolta, eu compreendi perfeitamente os motivos que levaram aquela mãe a doar sua filha, mas depois de 18 anos, quando soube do Marcos, após outros anos até digerir a informação, talvez porque fosse uma fase da minha vida aonde não gostava de pensar em nada além do bebê que tinha, não fui imediatamente atrás dele. Pena, ele foi assassinado aos 21 anos e quando resolvi procurá-lo foi tarde demais.
Aí sim...
Soube que ele vivia atrás de mim e que era revoltado por não ter tido a mesma chance que eu, pior ainda, não aceitava terem nos separado.
Esta é uma dor e uma inconformidade que levo escondida.
Tenho que aceitar? Óbvio, mas caio sempre no sonho de que se ele tivesse vindo comigo hoje eu teria um irmão ao meu lado... ai o tempo, ele sempre corre contra mim, digo, repito, nada na minha vida é "bolinho"... 
Por que tantas provações? 
Porque lá na frente algo especial, algo magnífico, espetacular, será que ainda me acontecerá?
Será é um verbo de dúvida, quem tem fé não pode duvidar.
Eu acredito, acredito mesmo, mas sabe, meu coração está cansado de porradas. Algumas eu mesma me dei, outras vem da vida. Estas dão na minha cara, sem dó, nem piedade.
Não tenho medo de nada. Nem de ficar uma idosa solitária, já tenho um plano pra isso também.
Mesmo assim, há uma voz que diz aqui "isso não vai acontecer"...
Não fico mais com pena de mim, porque penso que tudo na vida tem uma razão de ser e acredito que quando seguimos o caminho certo coisas boas chegam.
Mudei muito, bem mais do que poderia esperar, além do que poderia supor, mas ainda assim, há muita coisa para tirar de mim, estes meus defeitos que me apego porque gosto.
Agora não tenho desculpas, preciso vivenciar o programa espiritual cujo qual fui escolhida a tomar conhecimento.
Não dá para viver no escuro depois de achar o interruptor e saber que a lâmpada pode ser acesa, basta querer.
Eu sei que basta querer ser feliz e acreditar. Acredito e quero.
Tenho tanto a agradecer, tão pouco a pedir, sinto-me ingrata quando me deixo levar pelo pessimismo, quando cedo à impotência e à inabilidade em lidar com os fatos da minha vida que nada posso fazer para mudar, apenas aceitá-los.
Hoje, o que mais me traz angústia é a ansiedade em querer que os momentos aconteçam, sejam eles quais forem.
A cirurgia, a viagem, o aumento salarial, a troca de ficha, o momento de sentar com a madrinha e falar sobre o 1º Passo, porque eu necessito começar o 2º... rendida estou, aceito que minha vida estava incontrolável, aliás, só assim pude continuar voltando, a cada reunião...
Tenho uma ansiedade enorme também em poder dividir o amor que sinto em mim, por esta vida que recomeça a cada amanhecer, já cheguei a pensar que nunca soube amar ninguém, mas agora acredito que não, há uma centelha de esperança de que agora sim, tenho certeza que sei quem sou, amo-me desta forma torta mas verdadeira, pura e intensa de ser e sinto... é possível sim!
Não tenho justificativas para nada, porque cada um de nós é o que é e ponto final.
Poucas pessoas tem coragem de se arriscar e correr atrás de uma mudança, mesmo que seja para se arrepender, meu pai dizia "melhor tentar mesmo que dê errado, do que passar a vida toda pensando e se...", pois é pai, mas acho que se estivessem aqui poderiam ter dito que estava na cara que aquilo não daria certo.
Só que, analisando friamente e cruamente, sem sentimentalismos e paradoxos idiotas, sem a moralidade hipócrita da sociedade demagoga, deu errado para quem?
Para mim? Hoje, após 1 ano e 1 mês limpa?
Após o nascimento de uma vida tão linda?
Negativo, deu tudo certo, tinha que ser assim, Deus escreve certo por linhas tortas...

A vida segue seu curso, tudo provavelmente está encaixado em seu devido lugar.

De alguma forma, vai chegar até mim... ou já chegou!
Vou acreditar, vou atrás, vou buscar o que creio ser melhor, nenhuma barreira vai me impedir, nenhum muro será tão alto que seja intransponível, nenhuma pedra por mais que me faça tropeçar irá me manter no chão ou me fazer desistir.
Estes momentos de tristeza apenas servem para eu valorizar todos os outros em que me sinto muito feliz, apenas por existir e acreditar...
SOU FELIZ SIM.
Sou grata.

sábado, 11 de maio de 2013

"A gente somos" MÃE & FILHA







Eu tinha 17 anos, era uma adolescente super mimada e protegida pelos pais, estudava em colégios particulares, surtava quando me diziam não, era bem arrogante, cheia de complexos porque era magérrima e viviam me colocando apelidos pejorativos.
Não me aceitava quando olhava minha figura no espelho.
Achava-me feiosa, sem graça.
Odiava-me.
Tola, tinha bem mais do que muitos a minha volta, mas mesmo assim me sentia à margem da vida.
Olhava o que não tinha e nem percebia toda a riqueza familiar que desfrutava, não digo materialmente, mas afetivamente.
Tinha o desejo de morrer, nem sabia o que isso significava, mas queria... tudo seria melhor do que viver com aquele vazio.
Hoje sei, aquele apelidos imbecis que me colocavam juntamente com a ausência da separação do meu irmão gêmeo, contribuíram para minha personalidade rebelde e triste.
Justamente sendo adicta.
Nada estava bom, nunca.
Eu queria a vida de muita gente, menos a que eu tinha.
Depois de algum tempo namorando, depois de me separar, descobri que estava grávida.
Primeiro pensamento: ABORTO. Já conhecia algumas pessoas que tinham feito.
Na minha cabeça só pensava que meus pais sempre deixaram claro, que não aceitariam isso, era um medo...parece que pressentiam.
Um dia, quando apenas os que hoje são seus padrinhos, Maurício e Cristiana, e, poucas amigas sabiam, estávamos tomando café com minha mãe, eu e meu primo Mau, do nada ela me solta esta:
- Sonhei que você estava grávida! Seu pai morre se isso acontecer!
Nunca esqueço que meu primo praticamente cuspiu num riso nervoso a comida e eu o chutei por debaixo da mesa dizendo um "tá louca" ...
Imagina se esta mulher não era minha mãe de verdade?
Só uma mãe pode sentir com o coração o que se passa com um filho.
Passaram-se uns dias, ainda perdida e confusa, estou passeando pelo centro de Curitiba quando para em uma loja de artigos infantis. Entre mantas, sapatinhos, tip tops e outras coisinhas, coloco a mão na barriga e sinto... ela é minha, minha filha, já a amava. Não podia retirá-la dali.
A ideia idiota e absurda do aborto foi enterrada, puxa...não me julgo por pensar nisso porque era uma menina de 17 anos, não mulher, estava começando a descobrir o sexo, mas era inexperiente, imatura.
Minha mãe me pressionou numa noite de terça-feira, eu assistia TV Pirata e acabei confirmando.
Meu pai não levantou da cama quando soube, ficou meio chocado, assustado, penalizado,afinal eu estava na fase do cursinho, sonhando com o curso de Direito, estudando muito, esta mudança de planos pegou a todos de surpresa.
Após a notícia ter sido absorvida, começou a melhor fase das nossas vidas: viver a gestação.

Para um casal que vivia junto por amor, que adotou 3 crianças, sendo que a 1ª morreu por uma doença degenerativa grave, poder acompanhar o crescimento de uma nova vida da filha amada foi simplesmente sensacional.
Vi meus pais desabrocharem, pois vínhamos de um período de decepções, quando meu pai acreditou num sócio para criar seu maior sonho: ter uma rádio FM, mas em pouco tempo se viu enganado, trapaceado, usado e colocado pra escanteio, foi aí que precisou abandonar tudo para recomeçar.
Minha filha foi o presente que Deus nos concedeu por merecimento, creio nisso.
Sei que fui a melhor mãe que poderia ter sido, mas eu assumo meus erros, meus pecados, minha omissão, a negligência, pois tinha e acho que tenho ainda, inabilidade em viver, apenas um dia de cada vez.
Há dias que está tudo bem, mas há outros em que me vejo lá no passado ou estou sofrendo pelo futuro.
Esta sou eu, ainda...
Sorte que tive meus pais, então, se ela é o que é, agradeço a eles, pois sempre estiveram presentes.
Sei que errei, muito... por culpa.
Então, a palavra não é algo que minha filha também tem dificuldade em ouvir... lembro de fatos, percebo o quanto somos parecidas, aí penso por um lado "que pena"... rsrs...
Percebo que até hoje é difícil pra mim ser mãe, ter pulso firme, não ser uma amiga, mas quem sabe, um dia eu consiga melhorar.
Estou me esforçando para melhorar em todas as áreas da minha vida e a mais importante é esta, SER MÃE.
Errei por querer acertar, porque sempre a quis ver feliz, porque nunca suportei vê-la sofrer, mas eu a fiz sofrer muito, mas foi conseqüência do sofrimento que imputava a mim.
Lembrei ontem de um acontecimento: quando ela tinha uns 5 anos, dei um perfume pra ela, que afoita, abriu do lado contrário e o vidro caiu no chão, espatifando-se em mil pedaços. Imediatamente ela começou a chorar e eu...
 A MÃE TE DÁ OUTRO, NÃOOOOOOOO CHOOOOOOORAAAAAAAA!
Era assim, eu fazia de tudo para vê-la feliz, sentia orgulho da sua inteligência acima da média - ouvi da coordenadora que enquanto as crianças da sua turma estavam indo, ela já estava voltando e querendo bater papo - da forma como ela era líder da sua turminha, da sua personalidade, muitas vezes difícil de lidar, mas sempre a admirei.
Carinhosa, escrevia textos de amor pros avós, pra mim, pros vizinhos, pras amigas, chegando a tirar lágrimas das pessoas.
Briguenta, falante, às vezes eu evitava ir às reuniões da escola pra não ouvir as professoras reclamarem.
Porque tenho dificuldades em aceitar que falem mal dela.
Também sou "Rei Bebê"...
Este sentimento de querer quebrar a cara de quem se atravessa no caminho da minha filha ainda me acompanha mas procuro me controlar, até porque ela mesma diz "não se mete mãe"... hahahaha...mais sensata que eu.
Sempre botei fé nela, tanto que nem me importava em ver se ela tinha feito a lição, ela era responsável, mas recentemente me jogou na cara isso por entender que eu era omissa... tomara que após nossa conversa ela tenha me entendido.
Eu a criei pra ser livre, não dependente... hoje queria que ela fosse mais dependente de mim...
Digo, que quando eu crescer quero ser minha filha.
Sou sua fã.
Ainda me açoito por ter feito tantas besteiras, por não ter estado mais presente, por ter lhe causado tantas mágoas... mas nada anima mais minha vida quando recebo um "eu te amo" dela.
Nossa relação ainda está sendo construída, assim como foi com minha mãe, apenas com o tempo tudo ficará muito melhor, pois os laços que nos unem são bem mais fortes do que os que nos separariam...

Obrigada por ser minha filha, minha fi... como te chamo, meu grande amor... desculpa porque sei que não dei o melhor de mim, mas ainda há tempo e sempre podemos recomeçar e fazer um novo final.
Seremos para sempre mãe e filha, mas sinto saudades de te levar no colo enquanto me admirava, beijava e dizia que "a gente somos namoradas"...

5 anos que tenho este blog...

Quanta coisa pode acontecer na vida de uma pessoa neste tempo, parece nada, mas relendo algumas postagens percebo que havia sensatez, lucidez e que realmente tudo começou a ruir quando fui perdendo meus pais e com eles parte da minha esperança e da segurança.
Perdi também um pouco da loucura que adorava cultivar, abandonei a rebeldia, segurei algumas feras... não quebrando a cara, mas esfolando literalmente no asfalto.
Cá estou, aceitando minha condição, ora feliz e decidida, ora doente procrastinando, ora namorando a vida, ora desejando a morte...
Tenho fé, mas ao mesmo tempo estou cansada.
Acredito em mim, mas tenho vontade de chorar quando reconheço minhas fraquezas, quando me sinto impotente perante a alguns aspectos da minha doença.
Esta gangorra emocional é complicada, espero que jamais me leve a cometer nenhum ato insano, por isso eu peço diariamente que eu não perca a fé, a esperança.
Havia parado de escrever um pouco porque tinha perdido a espontaneidade, sei exatamente que pessoas que me odeiam estão sempre aqui me vigiando, rindo quando eu digo que não estou bem, torcendo para que eu não sobreviva na próxima cirurgia.
Se for pra ferir o propósito do blog e ser hipócrita prefiro ficar em silêncio, controlar quem pode ver meus desabafos no Facebook e pronto. Parar de escrever jamais, fui bem alfabetizada e adoro letras, frases... idéias... e me anima pensar que daqui a 80 anos algum descendente pode querer saber quem fui eu.
Não sou ninguém neste mundo capitalista, mas tento ser alguém no mundo espiritual.
Passei por tanta coisa... ainda hei de passar por muito mais.
Hoje, sou uma pessoa solitária, mas aprendi a viver com esta casa vazia, com este silêncio... tomara que mude, porque embora seja bom, estar com outro ser dividindo alegrias e tristezas também é maravilhoso.
Tenho uma boa casa, num grande terreno, alguns até questionam pra que viver sozinha em tanto espaço, mas poxa... querem que eu vá pra uma kitinete, acho o fim da picada, além de tudo viver com pouco espaço... esta casa é uma dádiva do meu PS...
Eu creio que tudo vai mudar ainda... não preciso falar e provar quem sou eu, atirem-me pedras, tripudiem da minha dor, mas aproveitem e paguem minhas contas... porque aí sim a opinião alheia fará diferença.
Ninguém sabe quem sou eu, ninguém entende o que passei, muito menos percebem as minhas dificuldades, mas serei recompensada... acredito que estou fazendo o certo, pelo motivo certo...
Há muito pra ser mudado e vivido... eu tenho fé porque até no lixão nasce flor!

Meu blog é pra sempre.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dona Rose, "tia" Rose, vó, bem, mãe, minha mãe.







Hoje estava conversando com uma pessoa no meu trabalho, falando sobre como o fato de estar chegando o Dia das Mães mexe comigo, com meu humor, com meu coração... e por mais que eu seja mãe - isso certamente transformará o domingo próximo - a ausência que ela me deixou é imensurável, inquestionável, incomparável, quase impossível de aguentar.
Depois folheando um catálogo de cosméticos percebi que tudo já está voltado para o Dia dos Namorados, resmungona, claro que reclamei para quem estava a minha volta, meio que sarcasticamente, porque eu dou risada das coisas que não posso modificar, mas tive que completar que foi num 12 de junho que a perdi.
Perdi, não há outra palavra.
Naquele dia, perdemos, eu e meu pai naquele instante, juntos, no PS do hospital. Foi naquele instante quando vi meu primo cardiologista sacudindo a cabeça negativamente que começou a se formar esta carência, que se concretizou como definitiva quando ele nos deixou, 14 meses e 22 dois dias depois.
Primeiro me conformei porque eu o tinha, depois porque ambos estariam juntos. Foi assim, tenho esta mania de passar por cima da dor, mas honestamente, antes tivesse caído de cama, ficado doente, mas preferi ir morrendo um pouco a cada dia...a cada semana... a cada mês, a cada ano... hoje, sou isso aqui, alguém que sente tantas saudades do passado que não consegue parar de lembrar... de se remoer por ter deixado de viver tanta coisa ao lado deles, de ter perdido tantas oportunidades.
Peço perdão, tento fazer por todos os outros o que não posso fazer mais por eles, sinceramente, acho que estar bem, limpa, procurando serenidade é uma forma de ao menos poder lhes dar paz agora que eles partiram.
Não queria falar de tristezas, não queria lembrar o momento da notícia, nem nada... mas como? Como não voltar o tempo exatamente naquele 12 de junho de 2007?
Sei que não tenho este direito, mas que saco, queria tanto estar com meus pais.
Não porque minha vida é ruim, mas porque me sinto muito só sem eles.
Porque precisava ouvir todos os dias minha mãe perguntando como estou, se a Jéssica está bem... e até se as cachorras estão bem... ela era assim. Mãe que se anulava, mãe que deixava de comprar algo pra ela pra dar pra gente, mãe que estava sempre junto, mãe que sentia quando tudo estava bem ou mal, mãe que ia no supermercado e não comprava um pão se não fosse pra comprar pra gente também...
Ai mãe... você era tão maravilhosa, tão querida, todo mundo que te conhecia te adorava, quando não te amava.
Mesmo quando eu estava errada ela brigava por mim, claro, depois me pontuava que não podia ser assim... 
Aprendi tanto com ela, mas a maior lição que ela pode me dar é a da humildade. 
Por isso não finjo, sou o que sou... valorizo as coisas simples...mas quero um pouco mais da vida, afinal, ela teve a sorte de casar-se com um homem digno, companheiro, que a fazia sentir-se importante, pois a cada decisão que ele precisava tomar, sempre a ouvia. Por isso que não deu certo ainda pra mim, pois não quero uma pessoa ao meu lado apenas pra dizer que tenho, quero um cara como meu pai. 
Mereço.
As mães devem ir antes dos filhos, não é natural irmos antes delas, mas que elas não vão sem levar uma parte de nós isso tenho certeza.
Nunca mais a gente tem um Natal completo, nem estas datas nos preenchem. Vou estar feliz e grata por estar com minha filha, por termos saúde, mas aquela alegria de se preparar para fazer o almoço, de querer saber o que ela quer, qual sobremesa, se vai ser aqui ou lá, que presente darei... enfim, isso ficou lá atrás.
Um amigo disse que este texto deveria ser escrito como se estivesse falando pra ela... só queria dizer que a amo.
Que jamais conseguiria sequer supor em ter outra mãe.
Agradeço porque fui gerada 9 meses pela dona Maria, mas minha mãe é a dona Rose Maria... e minha vida não existiria se não fosse por ela.
Não entenderei agora por que desta vez vim através de outra barriga, mas a mãe que devo ter sei que é ela.
Quando fiquei doente, lembro daquele olhar de dor misturado com desespero e do esforço que ela fez pra não chorar na minha frente... mas perguntei como ela estava e meu pai disse que estava arrasada. Foi ali, quando imaginei-me num caixão com ambos em volta de mim sofrendo que decidi: QUERO VIVER E VOCÊ, DOENÇA MALDITA, N Ã O VAI ME LEVAR!
Foi graças à minha mãe que não fui um total desastre neste papel, aliás, fui e sou meio que uma mãe irmã, até hoje acho minha filha mais madura que eu, mas isso é pra outro texto.
Mãe é um alicerce, mãe é quem cria, mãe é quem briga, mãe é quem pega no pé, mãe é aquela que nunca nos abandona, seja quando estejamos errados, seja quando estejamos surdos... seja quando estamos aqui e ela lá...
Minha mãe me cuida, há momentos que a sinto, mas esta falta de contato físico me dilacera a alma...
Como queria te abraçar, ajeitar seu cabelo, vestir sua meia fina 3/4 e calçar seu sapato... comer sua comidinha, ouvir aquela sua chantagem emocional quando eu estava sem fome "fiz com tanto amor, que pena...", porque as Lopes sabem manipular os filhos com seus dramas.
Ai mãe, lembro de tudo, do seu riso, daquele seu jeito de contar um filme inteiro quando gostava dele, do modo como me elogiava, de como me incentivava a ser mais, muito mais... porcaria que a gente só ouve de verdade os conselhos quando cresce ou quando dá tudo errado.
Mesmo assim, tivemos tantos momentos maravilhosos, de ternura, de amor... não, não vou lembrar do mal que te causei tantas vezes, porque na ocasião da doença que  me acometeu, entendo agora que ela serviu não apenas pra eu dizer muito mais "eu te amos", "eu te admiro", mas para que eu pudesse fazer as reparações...
Tudo foi lindo na nossa história mãe, desde quando decidiram pegar esta pretinha aqui, beiçuda e careca, que se tornou numa maletinha mimada, depois numa aborrescente, numa rebelde, enfim... uma palavra que você não conheceu sobre minha pessoa: adicta. É mãe, descobri mais esta, ainda bem que posso aproveitar o tempo que me resta aqui e refazer minha vida, sonhando, buscando uma nova maneira de viver, sorrindo por nada ou por tudo, compreendendo que saudade e lágrimas fazem parte dos sentimentos que ficaram da vida maravilhosa que vocês me proporcionaram.
Mais que tudo mãe, sei que você não morreu, nem morrerá, porque pra sempre será lembrada.
É com saudades que continuarei a viver, é com gratidão que carrego este sobrenome que me identifica e com orgulho posso dizer que foi bom ter sido sua filha por 32 anos... mas eu queria mais, lembra? Chorava sozinha no meu quarto e você perguntava super assustada: "que foi?" e eu dizia... "é porque eu tô pensando que um dia você vai morrer", você ria e dizia que ia demorar e que isso ia acontecer porque ninguém fica pra semente...só se enganou, pra mim sua vida ter durado 76 anos foi pouco, justamente quando terminei o tratamento e ia recomeçar, mas... quem sabe do nosso tempo é Ele, Deus.
O que posso fazer hoje é estar perto da mãe idosa de um amigo que passa por problemas, é respeitar aquele idoso que chega até mim pedindo auxílio, pois é em cada uma destas pessoas que te vejo mãe e faço por você, porque tive anjos que enquanto esteve aqui e precisou também cuidaram de você.
Obrigada, pelas noites sem dormir, por mim e pela minha filha, por todas as vezes que me alimentou, por nunca ter me deixado passar fome, frio, sede, por ter se anulado para realizar meus sonhos, por nunca ter desistido de mim, por estar ao meu lado sempre... até hoje.
Também te peço perdão... só sei dizer que você foi a melhor mãe que alguém poderia ter tido, tanto pra mim quanto pra minha filha... e pro meu irmão, apesar de que nunca conseguimos nos entender, espero que um dia possamos, pois sei que este sempre foi seu maior sonho.

Rose Maria Lopes Mikosz... não sei por que você se foi... mas aceito.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

1 ano e 22 dias de serenidade, coragem e sabedoria... só por hoje eu sou de NA!

Sem vocês isso não seria possível porque sozinha não consigo... só junto!

Vivendo das minhas escolhas.



Foi assim, um dia olhei um caminho que me parecia muito mais interessante, enxerguei duendes, fadas, gnomos, vi cogumelos, muitas flores coloridas, muitas nuances que minha vida pacata buscava.
Nesse caminho havia uma caverna profunda e no fundo dela enxerguei uma luz, notei uma água cristalina e olhando apenas o que havia em volta, seguindo as borboletas coloridas que me rodeavam, decidi entrar e ver de perto por que aquele brilho me encantava, acreditando que algo surpreendente me aguardava.
Sempre sonhando...
Não olhei pra trás, não olhei nem pra dentro de mim, corri como uma insana transloucada e quando, enfim, cheguei em frente a luz, percebi que era apenas um espelho refletindo tudo o que estava do lado de fora, todos os meus desejos não realizados, minhas frustrações, as vontades ignoradas.
Indignada, surtei, quebrei o espelho e fiquei ali, na escuridão curtindo o breu, deixando que os bichos peçonhentos me atacassem, sabia que merecia cada mordida, cada ferroada, lambi meu próprio sangue, vivi medo por medo, sozinha.
Não veio ninguém me buscar, eu não queria, pois entrei sozinha e sozinha tinha que sair.
Apodreci, sequei, me perdi, desci ao inferno, cultivei fungos dentro do coração e enterrei qualquer sentimento.
Expulsei o amor do coração, preferi vê-lo oco, era mais confortável.
Merecia aquela dor, o vazio, toda vez que olhava em volta ainda pensava que era pouco, quase nada. Alguém precisava me chicotear, me deitar sobre pregos. Talvez me colocar numa guilhotina...
Não me revoltei com Deus, sei que há sempre um motivo para que coisas ruins nos aconteçam.
Não acredito no Diabo, a antítese de Deus são pessoas como eu, que agem desta forma, deixando de lado suas qualidades, boicotando-se, exteriorizando o que de pior há dentro de si.
Pessoas que querem tomar conta da sua vida com arrogância, que são incapazes de olhar o que é certo.
Tudo bem, nem chego a ser tão ruim assim, sou uma humana egoísta, egocêntrica, que erra, que se ilude, que cai no auto-engano, que adora uma auto-piedade.
Daquele lodo, cansada dos zumbis que me acompanhavam, querendo abraçar de volta um novo caminho, resolvi fazer o impensável, ACREDITAR QUE UM PODER MAIOR DO QUE EU PODERIA DEVOLVER-ME A SANIDADE.
Um dia meus pés me guiaram, espontaneamente, a um lugar aonde percebi quanto tempo perdi fazendo coisas erradas esperando resultados diferentes.
Aprendo a me interiorizar, buscando lá no fundo d'alma o que mais me machuca, o que não quero carregar comigo, pratico conscientemente os meus "evites"...também sei que meu valor é imensurável, minha bondade é verdadeira e que minha sinceridade é meu ponto forte.
Uma amiga disse que admira minha capacidade de me auto-julgar com coragem de me expor... nunca tinha notado até então.
Ainda é apenas o começo de aplicar um programa universal, que salva vidas no mundo todo, sou igual a tantos e com eles quero caminhar, pois os laços que nos unem são bem mais fortes do que aqueles que nos afastariam.
Vivi com muita culpa, muita raiva, ressentimentos, há muitas reparações não concluídas, inclusive com pessoas que já se foram... ainda preciso trabalhar estes sentimentos, mas hoje a própria vida se encarrega de me dar respostas e os sentimentos já não tem tanto peso assim.
Estou serena, tenho saúde, família, amigos de verdade, pessoas que valem à pena, sou uma pessoa boa, nem pior e nem melhor do que ninguém.
Há muito amor à minha volta, nunca estou sozinha, sempre tenho o Poder Superior comigo.
Aceito-me, amo-me, perdoo-me... mas oriento-me e vigio-me, com a ajuda de outras pessoas, porque auto-apadrinhamento é uma cilada, não fujo do que é sugerido.
A pessoa que mais pensei ter prejudicado, hoje, vive um momento mágico, especial, no fundo, isso acalenta meu coração, pois saber que no final das contas a mágoa que causei foi capaz de trazer uma nova vida ao mundo é uma dádiva.
O cara merece ser feliz.
Eu sei que vivo de escolhas, por enquanto estão dando certo, embora no início tenha começado errado, a partir do momento em que acordei pra isso e optei por mudar minha vida, tudo tem sido cada dia melhor. Infelizmente, se eu continuasse naquela zona de conforto, jamais estaria renascendo e me tornando uma pessoa melhor.
Nem ele.
Estar em paz é uma benção, poder viajar, poder servir, conhecer pessoas especiais, viver momentos mágicos, sentir a vida tocar no rosto, sonhar com o futuro... estar limpa e agradecida, sentindo os momentos com gratidão, mesmo quando não está tudo exatamente do jeito que quero, mas é minha vida, tenho poder sobre ela, não sou escravo das escolhas erradas, sou a "senhora do meu destino".
Quando não me sinto bem, permito-me chorar, corro para alguém e resolvo sem camuflar a angústia, ainda bem que a balança tem pendido mais pro lado dos risos...
Tudo que quero, posso, agora decidi que vou correr atrás, porque algo me despertou.

Fico feliz de que mesmo sem escolhas, há pessoas que sabem aproveitar as chances que a vida lhe dá...

O mais importante é que entre mortos e feridos, todos estamos muito bem, cada um com seus cada um... e que Deus dê cada vez mais saúde pra vocês e pra mim!!!