quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sou manifestante com muito orgulho!







Eu não estava presente no movimento estudantil brasileiro realizado no decorrer do ano de 1992 e tinha como objetivo principal o impeachment do Presidente do Brasil Fernando Collor de Melo e sua retirada do posto.
Em agosto de 1992 eu era mãe de uma linda garotinha de pouco mais de 1 ano, não pensava em outra coisa que não fosse a alegria de tê-la comigo, descobrindo o mundo, dando seus primeiros passinhos, balbuciando suas letrinhas, embora tivesse apenas 18 anos, não quis saber de nada disso.
Era mãe, não estudante engajada, nem estava aí se o Collor tinha roubado, me preocupava mais com o estado físico do Cazuza e sua iminente partida.




Agora em 2013 nasceu em mim aquele sentimento que não tive há 21 anos, vontade de me unir à massa, gritar, protestar, dizer que não quero mais isso tudo, que não merecemos...
Sou uma adolescente, "avôrrescente", bem "aborrescente", tenho um espírito jovem, não combino com o lado sério do mundo, não me adapto, mesmo não cabendo mais nas roupas que eu cabia.
Na real, existem muitos jovens velhos e velhos jovens, nem preciso dizer em qual me enquadro.
O movimento que todos pensavam ser apenas por causa das passagens de ônibus, tomou outros rumos, cresceu.
Sinto como se realmente estivéssemos deitados em berço esplêndido e de repente decidimos mostrar que nenhum filho iria fugir da luta.
Os políticos CAGAM na nossa cabeça e nunca fazemos nada, aceitamos, indignados, mas sem tentar mudar.
Ilusão achar que será nas urnas nossa resposta, quando aqui mesmo, perto de nós, pessoas ignorantes, humildes e totalmente sem noção alguma das leis, foram bater na casa de uma jovem vereadora que lhes prometeu alguns trocados para que vendessem seus votos, para que assim, ela fosse representá-los na Câmara.
O que dizer destas pessoas? Como julgá-los se são frutos de um país aonde a Educação está falida há anos e nada é mudado?
Não estudamos para aprendermos a pensar melhor, estudamos apenas para ter um diploma que mal nos ensina a diferença entre "mas e mais ou perda e perca".
O Governo nos quer ignorantes, afinal de contas, lembram dos jovens pensadores da época da Ditadura? Como incomodaram...
Para o povão, receber estas ajudas do Governo apaga qualquer problema de corrupção, desvio de verbas, ainda preciso ouvir "que pelo menos eles tem isso". Pobrezinhos, se soubessem calcular a carga tributária de cada produto entenderiam que recebem menos do que migalhas.
Quem decide são eles, a massa não-pensante, de repente os poucos alienados, até então, que viviam no Facebook compartilhando besteiras mostrou a cara. Quantas vezes disseram por aí que no Brasil transformamos o Facebook num Orkut, que em nenhum país do mundo usa-se esta rede social assim. 
Só aqui, o movimento contou com 5 mil pessoas, claro, nem todas oriundas do FB, mas com certeza convocada por alguém dali.
O recado é claro, já que foram eleitos pelo povo ao menos tenham atitudes dignas, senão o país pára.
Senão os vândalos destroem tudo e a guerra civil será instalada. Não há revolução sem danos, é triste, mas é utopia achar que isso pode ser evitado, até porque, quem está detonando são os filhos desta corja maldita que comanda o Brasil. 
Há exceções, sempre haverá.
O momento que vivemos é histórico, hoje não temos a dimensão disso, mas meus netos - se é que os terei - um dia vão ler sobre estes fatos, serão eles que desfrutarão das mudanças. Porque se o povo não fizesse isso simplesmente teríamos aprovadas a PEC 37 aprovada. Uma vergonha enorme mas que os caras de pau do Congresso ousaram criar. 
Agora vão ter que aprender a trabalhar, não é só chegar lá e esquecer da gente. 
Chega, não vamos mais aturar tantas palhaçadas enquanto vemos pessoas morrendo por falta de uti.
Um país miserável, aonde crianças não tem bancos pra sentar em escolas nordestinas, aonde adictos sofrem nas ruas sem programas eficazes que os ajude a tirá-los do vício das drogas, aonde andamos espremidos como sardinhas, aonde policiais colocam suas vidas em risco para tentar nos proteger recebendo merreca, são tantas coisas absurdas no país da Copa do Mundo que se eu ficar listando uma por uma este texto não termina mais.
Triste é que pessoas do bem pagam quando a imbecilidade de alguns os alcança, pobres comerciantes saqueados, mas aonde está o Governo e a Segurança Pública? Talvez protegendo a nossa seleção brasileira de futebol.

Sou manifestante, acredito no meu país, boto fé na minha gente, gente humilde, gente que precisa de oportunidades, gente criativa, gente boa, feliz apesar de tudo.
Podemos fazer parte da minoria que não elegeu esta galera, mas juntos podemos!

Só por hoje!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Mãe - 6 anos sem ter você.




Nem sei por que gosto tanto de escrever, talvez porque falar não seja tão consolador, mas pensando bem, nem escrever é.
Desde que minha mãe se foi, no dia 12 de junho de 2007 um enorme buraco ficou dentro do meu peito, que só se aprofundou quando perdi meu pai, 15 meses depois.
Não sinto que tenha alguém que se importe tanto por mim quanto ela, não vejo que minha vida tenha alguma importância assim como tinha para ela.
Hoje, depois de tantos erros, enganos e desacertos, estou aprendendo ainda na base da chicotada a viver. Sou grata por tudo que tenho, hoje partilhei inclusive que se for analisar minha vida está tudo certo, tenho saúde, amigos, emprego, casa própria, não me falta comida, posso dizer que me auto-sustento. Planto uma sementinha aqui, outra ali e vou regando, uma hora os frutos brotam. 
Não é a solidão de não ter alguém que durma diariamente comigo que me incomoda, honestamente eu tenho uma facilidade para adaptar-me que agradeço à Deus, pois não tenho medo, me viro, fico bem, me conformo em viver assim. Uma hora há de aparecer alguém que valha à pena, porque mereço apenas o melhor, não uma chance de ser feliz, mas quero continuar escolhendo. 
Só que é terrível viver de lembranças e não ter com quem compartilhar minhas vitórias, minhas conquistas, não poder preparar um bom almoço no domingo, nem saber que tudo pode dar errado que ela estará ali pra me colocar pra cima.
Não, minha mãe se foi, não volta, pode até estar aqui ao meu lado triste porque nunca ficou bem sabendo que um de nós chora... e não tem como não chorar com esta realidade: estou órfã. 
Hoje eu disse que Dia dos Namorados não tem importância alguma, que o que me causa angústia é contar mais um ano sem minha mãe.
Era tão bom tê-la, é tão triste quando penso que talvez hoje eu lhe dê mais valor do que quando a tinha, mas este sentimento acomete a todos que perderam algum ente, sempre ouço dizerem que se pudessem estariam mais perto, mais juntos... se o tempo pudesse voltar atrás, meu Deus, quantas mágoas eu poderia ter evitado, quantas preocupações poderia ter lhe poupado, mas de nada vale ficar remoendo. 
Só me machuca mais e a deixa mais triste.
Minha mãe é o exemplo de mulher que me inspira, era uma Amélia sim, não tinha a menor vaidade - bem oposto a mim - lembro que até queria que ela se cuidasse mais, gastasse mais com ela, mas hoje compreendo que o valor da gente não está na quantidade de roupas que acumulamos, nem nos perfumes, sapatos, jóias... o maior tesouro dela era seu coração puro, seus gestos de carinho, seu amor abnegado, dedicado e sincero.
Um dia chego lá...
Tem gestos que gosto de lembrar, a forma como ela me olhava admirada com a minha "beleza", como ela falava para todos o quanto eu era inteligente, lembro que ela guardava o desenho que fiz aos 4 anos de uma casinha, porque obviamente era quase que uma obra prima... ai minha mãe, ela era a maior fã que eu tive na vida, a pessoa que mais me amou - claro, ao lado do meu pai - é difícil pra mim viver sozinha sem seu incentivo, sem seus mimos.
Se não fosse pela minha crença espírita sinceramente já teria me matado, porque a vida é muito sem graça agora.
Vivo "só por hoje", evito pensar no passado com este apego, o passado não volta mais, o futuro só Deus sabe, então o que tenho é este dia, este momento, não adianta viver sofrendo, reclamando, murmurando ou rosnando... 
Aceito mãe, você se foi porque era seu momento, cumpriu sua missão e Deus precisava da senhora, mas confesso, como é chato estas datas, aniversário de vida, de morte, dia das mães, natal... até meu aniversário.
Como é chato viver sem você.
Que bom que tive câncer, sim, pois foi nesse período da doença que deixei mais claro o quanto você e meu pai eram importantes na minha vida a ponto de fazer com que eu largasse meus pensamentos tão depressivos e focasse na vida, não na morte que estava à espreita. Lembro da minha primeira quimioterapia quando fomos direto pra sua casa, deitei na cama com meu pai, você veio com aqueles olhos que expressavam dor profunda e me trouxe o prato de comida, comidinha caseira, simples... um bife, feijão... ainda disposta a me alimentar na boca se necessitasse, mas não foi o caso.
Fico triste porque quando terminei o tratamento e pensei em recomeçar a vida com um novo olhar, veio sua partida. 
Isso me ferrou. 
Foi difícil. Ninguém que estava ao meu lado, tirando meu pai, foi capaz de entender.
Amparar meu pai após 53 anos de casamento F E L I Z, vê-lo sofrer calado, quieto, só eu sei o que senti.
Você não era uma mãe destas que sabem parir filhos e jogá-los no mundo como cachorrinhos, você era A MÃE. 
Foi A VÓ.
Mãe, queria ser um ser humano com 10% das suas qualidades, com 1 % do seu coração amoroso.
Queria ouvir o telefone tocar e ouvir sua voz doce perguntando de mim... há uma música que diz "alguém lhe perguntou como que foi seu dia?"... nunca mãe, sinto falta de você fazendo isso.
Dói crescer, dói virar "senhora do nosso destino", dói ter mãe apenas na memória, nas fotos... no coração.
DÓI PRA... não, não direi, você achava tão feio palavrão... e eu sempre me segurava por isso, talvez por este motivo hoje eu seja meio desbocada.
Desculpe aí mãe... desculpe por tanto tempo perdido ao lado de gente que não merecia 1 dia da minha vida, se a gente nascesse velho e fosse ficando criança seria melhor, mas nascemos crianças e vamos amadurecendo ao longo da vida, aí nos damos conta de quantas besteiras e coisas desnecessárias fazemos.
O valor dos pais é imensurável.
Eu não sei quando mãe, mas tudo o que eu gostaria era poder vê-la, receber um sinal, encontrá-la em meus sonhos... simplesmente porque o meu amor por ti aumenta a cada dia, mesmo estando ausente ainda continua me ensinando, pois seu exemplo, seus conselhos e seu amor fazem parte de quem sou hoje.
Saudades, 6 anos parecem 6 dias, 6 horas, 6 minutos... desculpe se choro, mas será sempre assim até o resto dos meus dias... porque aceitar, me conformar não significam esquecer... e não gosto da vida sem você, apenas aprendi a me adaptar.


domingo, 2 de junho de 2013

Tudo passa...




"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma".

Autora: Marina Colassanti

Muito difícil a gente não se identificar com este texto, porque todos nós de uma forma ou de outra nos acostumamos as coisas que não deveríamos sequer aceitarmos.
Caio em controvérsias emocionais, sentimentais porque nunca sei o que se passa, se estou me acostumando, se apenas estou entregando minha vontade ou se quero que seja do meu jeito.
Não quero me acostumar com a solidão, mas preciso aceitá-la e acreditar que um arco-íris nascerá em breve.
Não gostaria de lembrar do meu passado com saudades, mas infelizmente não consigo fugir desta certeza.
Não posso mentir para mim dizendo que apesar de tudo de maravilhoso ter ocorrido na minha vida, que simplesmente aceito, porque não real só acredito que tudo tem uma razão de ser, que eu não estaria aqui... nem...
Eu estava forçando uma situação, mas no fundo acreditava que poderia sim conseguir apagar sentimentos, foi como se enxugar com uma toalha molhada. 
Infelizmente percebo o quanto me falta serenidade quando as coisas não saem do meu jeito e minha reação é de revolta, ódio, raiva. 
Quando vou aprender que só porque eu digo a verdade, custe o que custar, há pessoas que preferem dissimulá-la, falar nas entrelinhas... mas nunca fui boa de perceber coisas obscuras, camufladas, disfarçadas. Pode ser que a verdade se confunda, me iluda, mas a partir do momento em que sinto desconforto por algo que faço, sempre irei dizer, mesmo que seja para depois desdizer.
Sou uma pessoa um tanto confusa, mas para quem me conhece sabe que sempre há uma certa razão. 
Sim, concordo, me acostumei a viver e me adaptei a volta de 180º que minha vida deu, não fico lamentando, busquei modificar o que acreditava estar me atrapalhando, porque quando tudo dá errado e saímos do apogeu para queda, temos dois caminhos: desistir ou tentar.
Preferi tentar uma nova maneira, dei uma chance pra mim, resolvi me conhecer, me compreender.
Ainda não está do jeito que quero, muita coisa ainda precisa acontecer para que eu sinta uma mudança verdadeira, não apenas viver uma hipocrisia, esta não é a forma de recuperação que quero.
Sou paciente comigo, afinal, 1 ano, 1 mês e 19 dias voltando não me dão respaldo algum, tem muita coisa que deveria procurar que não procuro, nem pratico todos os evites, apenas os 3 primeiros, que são os alicerces pra eu me manter.
Ainda me vejo como tola, mas sei que por culpa minha que não controlo minha ansiedade e atropelo meus sentimentos. 
Forço-os. 
Simplesmente não dá, do meu jeito sempre deu errado, por que insisto tanto?
Eu sei, porque no fundo quero um recomeço, quero me renovar, anseio demais... mas quando vou entender que preciso entregar minhas vontades e confiar que o melhor ainda está por vir?

Não, me recuso a me acostumar com o que é banal.