terça-feira, 11 de junho de 2013

Mãe - 6 anos sem ter você.




Nem sei por que gosto tanto de escrever, talvez porque falar não seja tão consolador, mas pensando bem, nem escrever é.
Desde que minha mãe se foi, no dia 12 de junho de 2007 um enorme buraco ficou dentro do meu peito, que só se aprofundou quando perdi meu pai, 15 meses depois.
Não sinto que tenha alguém que se importe tanto por mim quanto ela, não vejo que minha vida tenha alguma importância assim como tinha para ela.
Hoje, depois de tantos erros, enganos e desacertos, estou aprendendo ainda na base da chicotada a viver. Sou grata por tudo que tenho, hoje partilhei inclusive que se for analisar minha vida está tudo certo, tenho saúde, amigos, emprego, casa própria, não me falta comida, posso dizer que me auto-sustento. Planto uma sementinha aqui, outra ali e vou regando, uma hora os frutos brotam. 
Não é a solidão de não ter alguém que durma diariamente comigo que me incomoda, honestamente eu tenho uma facilidade para adaptar-me que agradeço à Deus, pois não tenho medo, me viro, fico bem, me conformo em viver assim. Uma hora há de aparecer alguém que valha à pena, porque mereço apenas o melhor, não uma chance de ser feliz, mas quero continuar escolhendo. 
Só que é terrível viver de lembranças e não ter com quem compartilhar minhas vitórias, minhas conquistas, não poder preparar um bom almoço no domingo, nem saber que tudo pode dar errado que ela estará ali pra me colocar pra cima.
Não, minha mãe se foi, não volta, pode até estar aqui ao meu lado triste porque nunca ficou bem sabendo que um de nós chora... e não tem como não chorar com esta realidade: estou órfã. 
Hoje eu disse que Dia dos Namorados não tem importância alguma, que o que me causa angústia é contar mais um ano sem minha mãe.
Era tão bom tê-la, é tão triste quando penso que talvez hoje eu lhe dê mais valor do que quando a tinha, mas este sentimento acomete a todos que perderam algum ente, sempre ouço dizerem que se pudessem estariam mais perto, mais juntos... se o tempo pudesse voltar atrás, meu Deus, quantas mágoas eu poderia ter evitado, quantas preocupações poderia ter lhe poupado, mas de nada vale ficar remoendo. 
Só me machuca mais e a deixa mais triste.
Minha mãe é o exemplo de mulher que me inspira, era uma Amélia sim, não tinha a menor vaidade - bem oposto a mim - lembro que até queria que ela se cuidasse mais, gastasse mais com ela, mas hoje compreendo que o valor da gente não está na quantidade de roupas que acumulamos, nem nos perfumes, sapatos, jóias... o maior tesouro dela era seu coração puro, seus gestos de carinho, seu amor abnegado, dedicado e sincero.
Um dia chego lá...
Tem gestos que gosto de lembrar, a forma como ela me olhava admirada com a minha "beleza", como ela falava para todos o quanto eu era inteligente, lembro que ela guardava o desenho que fiz aos 4 anos de uma casinha, porque obviamente era quase que uma obra prima... ai minha mãe, ela era a maior fã que eu tive na vida, a pessoa que mais me amou - claro, ao lado do meu pai - é difícil pra mim viver sozinha sem seu incentivo, sem seus mimos.
Se não fosse pela minha crença espírita sinceramente já teria me matado, porque a vida é muito sem graça agora.
Vivo "só por hoje", evito pensar no passado com este apego, o passado não volta mais, o futuro só Deus sabe, então o que tenho é este dia, este momento, não adianta viver sofrendo, reclamando, murmurando ou rosnando... 
Aceito mãe, você se foi porque era seu momento, cumpriu sua missão e Deus precisava da senhora, mas confesso, como é chato estas datas, aniversário de vida, de morte, dia das mães, natal... até meu aniversário.
Como é chato viver sem você.
Que bom que tive câncer, sim, pois foi nesse período da doença que deixei mais claro o quanto você e meu pai eram importantes na minha vida a ponto de fazer com que eu largasse meus pensamentos tão depressivos e focasse na vida, não na morte que estava à espreita. Lembro da minha primeira quimioterapia quando fomos direto pra sua casa, deitei na cama com meu pai, você veio com aqueles olhos que expressavam dor profunda e me trouxe o prato de comida, comidinha caseira, simples... um bife, feijão... ainda disposta a me alimentar na boca se necessitasse, mas não foi o caso.
Fico triste porque quando terminei o tratamento e pensei em recomeçar a vida com um novo olhar, veio sua partida. 
Isso me ferrou. 
Foi difícil. Ninguém que estava ao meu lado, tirando meu pai, foi capaz de entender.
Amparar meu pai após 53 anos de casamento F E L I Z, vê-lo sofrer calado, quieto, só eu sei o que senti.
Você não era uma mãe destas que sabem parir filhos e jogá-los no mundo como cachorrinhos, você era A MÃE. 
Foi A VÓ.
Mãe, queria ser um ser humano com 10% das suas qualidades, com 1 % do seu coração amoroso.
Queria ouvir o telefone tocar e ouvir sua voz doce perguntando de mim... há uma música que diz "alguém lhe perguntou como que foi seu dia?"... nunca mãe, sinto falta de você fazendo isso.
Dói crescer, dói virar "senhora do nosso destino", dói ter mãe apenas na memória, nas fotos... no coração.
DÓI PRA... não, não direi, você achava tão feio palavrão... e eu sempre me segurava por isso, talvez por este motivo hoje eu seja meio desbocada.
Desculpe aí mãe... desculpe por tanto tempo perdido ao lado de gente que não merecia 1 dia da minha vida, se a gente nascesse velho e fosse ficando criança seria melhor, mas nascemos crianças e vamos amadurecendo ao longo da vida, aí nos damos conta de quantas besteiras e coisas desnecessárias fazemos.
O valor dos pais é imensurável.
Eu não sei quando mãe, mas tudo o que eu gostaria era poder vê-la, receber um sinal, encontrá-la em meus sonhos... simplesmente porque o meu amor por ti aumenta a cada dia, mesmo estando ausente ainda continua me ensinando, pois seu exemplo, seus conselhos e seu amor fazem parte de quem sou hoje.
Saudades, 6 anos parecem 6 dias, 6 horas, 6 minutos... desculpe se choro, mas será sempre assim até o resto dos meus dias... porque aceitar, me conformar não significam esquecer... e não gosto da vida sem você, apenas aprendi a me adaptar.


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