domingo, 26 de junho de 2011

Para você Bruno Gouveia




Não vou lhe dizer que sei o que está sentindo porque realmente não imagino e me recuso a tentar me colocar em seu lugar.
Porque nenhum pai quer imaginar uma situação desta.

Infelizmente, nada irá trazê-lo de volta, mas com o tempo esta dor absurda tornar-se-á um imenso vazio, uma saudade eterna e um amor perpétuo que será a certeza de que valeu à pena conviver mesmo que por tão pouco tempo com o Gabriel... com o tempo perceberá que o amor que sentimos faz com que estas pessoas que tanto amamos continuem vivas...

Perder um filho ainda bebê não é algo simples de se superar. Perdi meus pais em 2007 e 2008 respectivamente, uma dor que até hoje me assombra.

Se eu pudesse estar com você Bruno, diria para que acredite que este não foi o fim não, é apenas uma separação temporária, pois em algum lugar o Gabriel e a Fernanda vivem.
Não se entregue, não desista de ser feliz nem de acreditar na vida, no quanto ela pode ser boa ainda.
Lembre que daquela estrelinha do céu o olhar do Gabriel está voltado pra você sim, torcendo pelo seu sucesso, orando pela sua recuperação.

Porque é certo de que o nosso sofrimento e revolta não deixa nossos entes que se foram descansar em paz.

Tudo o que seu filho quer hoje é que se conforme e siga a vida feliz. Claro que ainda é cedo pra isso, o luto e a revolta são totalmente compreensíveis. Imagino que ao seu lado estão seus pais, seus familiares, pense no quanto o amor deles é fundamental e no quanto tem a agradecer por estas presenção tão significantes.

Não acumule suas angústias, não segure seu choro, não sufoque seu grito. Sofra se assim sentir-se melhor, mas viva um dia de cada vez e pense que se hoje não está bom pode ser que amanhã seja melhor.

Eu superei um cancer, a morte dos meus pais e todos os dias luto pra vencer, o que não é fácil

Porém, nada tira de dentro de mim a lembrança dos momentos felizes e do amor que recebi dos meus pais.

A saudade agora será seu algoz, mas tenho certeza que sua vida ainda reserva momentos felizes e especiais...

Você vai superar esta dor, tudo isso vai passar...

Você é um cara especial e há muita gente orando para que Deus lhe conforte e amenize esta dor...

FORÇA BRUNO... estamos contigo!

sábado, 11 de junho de 2011

4 anos sem você...



A pior dor que um ser humano pode sentir na vida é a da perda de um ente querido, seja um amigo, um parente, seu pai, sua mãe... um filho, algo inimaginável.
Mesmo sabendo da lei natural da vida, não há como fugir da saudade que espreme nosso coração de tal forma que vazam lágrimas dos nossos olhos.

Difícil viver sem a mãe.
Minha mãe era um ser especial, de uma forma tão espetacular que simplesmente todas as pessoas a adoravam facilmente.

Passam-se os anos e o buraco vai ficando mais profundo.
Não vou dizer que não sou realmente feliz, mas dentro de mim instalou-se pra sempre a menina triste e carente.
Quando eu me sentia só, rejeitada, perdida, era minha mãe que vinha e dizia "bobagem, uma menina tão bonita e inteligente como você"... e lá íamos fazer algo de bom.

Às vezes o dia está perfeito e vem aquele anjo triste e diz "cadê sua mãe mesmo"?

Eu briguei muito com ela, magoei sim, mas sei que no final ela não ficou nada disso, apenas o meu amor incondicional.
Ela sabia que podia contar comigo porque eu a amava.
Porque foi a mãe que eu tinha que ter, não importa como.
No fim das contas também me agradecia por ter lhe dado uma neta, a única. O que foi uma pena porque a mãe era pra ser daquelas avós que enchem a casa de netinhos e os deixam fazer tudo... tudo o que os filhos não podiam...rsrsrs

Hoje o telefone toca, toca, toca... muitas vezes não o atendo porque sei que não é ela.
Lembro exatamente disso, tocava o telefone e eu dizia "a mãe"... pimba! Era ela. "Oi, tudo bem? E a Jéssica? Meu lindão (Hélio...rsrs)? E a cachorra?"... até por eu andar com a Gabi na avenida minha mãe sentia orgulho, ela era demais mesmo, só não era tão exagerada como a tia Armandina com meu primo Maurício... as Lopes são fogo, sempre dizemos isso.

A vida continua, procuro fazer meus dias cada vez mais produtivos, me cuido, no meu serviço meu lema é "as pessoas só esperam que você demonstre preocupação quando mais nada lhe restar", pois a cada pessoa idosa que atendo lembro dos meus pais. Vejo minha mãe em muitas senhorinhas.

Sinto tanta saudades.

Confesso, muitas vezes penso que agora morrer não seria tão ruim assim.
Bem down, bem melodramático mesmo, assim que sou e sempre fui.
Minha vida é um drama mexicano então deixa eu protagonizar as cenas em seus mínimos detalhes.

Penso muito na vida, reflito, acredito na vida após a morte, sinto amor pelo ser humano, raiva também.

Só que este buraco de saudade de mãe é bem sério.

O único pensamento que acalma meu espírito: pensar que ela está aqui.
Porque é tudo tão difícil, ver-se naquela situação aonde percebe-se só, sem alguém que realmente saiba compreender, não te julgar, nem te fazer cobranças, acho que é algo que realmente não me pertence mais.

Porque cada pessoa é do seu jeito, eu sou assim, os outros são de outro jeito. Assim fazemos o mundo.

Então, não adianta amigo presente, marido carinhoso, filho amoroso... é minha mãe que faz falta no meu ser, a minh'alma.
Dentro de mim realmente se modificou a visão do que é a verdadeira felicidade, perdi, não adianta, é um pedaço de mim que foi enterrado junto.

Porque quando se deixa de ser algo, como ser FILHA, isso nos traz uma certa amargura.

Quando tudo dá errado, quando ninguém te compreende, quando você precisa fazer uma manha para ganhar aquele colinho de quem te conhece desde o tempo que você precisava de alguém que te alimentasse, te trocasse, te cuidasse incondicionalmente, só sua mãe mesmo... ou seu pai, se você teve sorte de um Ludovico.


Dia dos namorados para mim é dia de aniversário de morte dela.

O luto é algo que os olhos dos outros não veem mas que vive dentro da gente.

Te amo muito mãe. Você é o meu ideal de mulher perfeita.