sábado, 30 de novembro de 2013

Nem sempre...


Nem sempre ao olharmos para cima o céu estará exatamente do jeito que gostaríamos, muitas vezes esperamos um dia de sol e o que teremos será um dia cinzento.
Fico bem chateada quando os dias chuvosos se emendam, sucessivamente.
Hoje, particularmente, foi um dia muito complicado, me senti bem estressada, mas consegui fazer algo que penso ser fácil e de repente percebo que não é: admitir que sou impotente.
Pensei que seria fácil assumir algumas responsabilidades, mas percebi que querer não é poder. Meu problema é querer abraçar o mundo, pensar que sou de ferro, que posso tudo e perder o controle.
Tem duas coisas hoje para as quais me entrego de coração, por amor e de boa vontade: meu Grupo e os animais, leia-se ONG Amigos Protetores.
Nestes últimos dias me dediquei mais aos animais. Das seis cadelas que tenho aqui - duas filhotes - três estou dando LT (lar temporário).
Decidi no impulso, mas enfim, agi com meu coração e talvez elas estivessem lá aonde estavam.
O problema foram complicações, cirurgia, doenças... imprevistos que se fossem previstos não teriam este nome.
Juntando-se a tudo isto, minha dificuldade em conseguir uma pessoa que venha cuidar do meu quintal, como consigo levar canos de jardineiros, é impressionante. 
Já me sugeriram morar numa casa menor, com terreno menor... mas confesso, amo meu lar, de verdade. Por que as pessoas tem a tendência de achar que só porque vivemos sozinha temos que diminuir nosso espaço?
Já morei num espaço de 30 m² e era simplesmente terrível, depressivo. Ligava chorando para meus pais e eles corriam pra ficar comigo.
Esta mania de estar no controle da minha vida, esta dificuldade de entregar minhas vontades, de lidar com as situações, de manter a serenidade.
Quando estou no olho do furacão parece que vou pirar, mas me vejo resolvendo tudo, penso que apesar das dificuldades não chutei, não berrei, não gritei... não fiz merda, não me entorpeci, não fugi da realidade, então, apesar deste dia não ter sido exatamente como eu queria que fosse, está tudo bem. 

O importante é que amanhã posso acordar em paz, me deparar comigo sem me sentir desconfortável e fazer apenas aquilo que decidir que será melhor para mim.
Hoje não estou muito a fim de longos texto, nem sempre serão otimistas, nem sempre os dias são azuis, mas que bom que estou aqui e tenho saúde...

sábado, 2 de novembro de 2013

Movida apenas por amor vou em frente....



Não vou fazer um texto triste porque hoje é Dia dos Finados e as duas pessoas mais importantes da minha vida já passaram para o outro Plano.
Também não vou ao cemitério levar flores que certamente serão roubadas por alguém até o final do dia.
Já fiquei chateada quando notei que roubaram a cruz do túmulo, cruz de mármore maciço, nem aonde estão restos mortais dos entes queridos os ladrões respeitam, mas quer saber, quem faz isso já deve estar morto espiritualmente, não muda em nada o significado daquele local para mim, nem o que sinto no coração.
Lembro todos os dias dos meus pais, especialmente, sinto o amor de ambos muito forte na memória e no coração.
Talvez alguns acreditem, outros não, mas antecedendo a última cirurgia, aliada a uma crise forte de ansiedade e depressão, tive uma noite de insônia, daquelas terríveis. Porque há noites em que apenas não durmo e pronto, não fico lutando, mas há noites que me torturam pensamentos, medos, no silêncio da noite ouço coisas que de dia não consigo.
Senti, perfeitamente, a mão da minha mãe sobre a minha cabeça, como fez por muitas vezes.
Ela queria me acalmar, queria que eu soubesse que não me deixaram.
Senti, acredite ou não.
Não tenho o hábito de sonhar com eles, acontece raramente, mas são sonhos que geralmente não me dizem nada, não sinto como um encontro espiritual aonde conversamos sobre coisas da vida.
Ter pais bons é benção para a vida toda.
Minha mãe era um doce, meu pai a bondade em pessoa.
Não sei ainda por que não nasci da barriga dela, mas isso não significa nada, pois de alguma forma Deus me recolocou no leito desta família.
São tantos momentos bacanas que gosto de lembrar, sentimentos de gratidão e alegria me inundam. Não quero ficar triste e chorosa, pois nunca meus pais gostariam que eu chorasse, seja pelo que fosse.
Se algo eles admiravam em mim era a capacidade que eu sempre tive de lutar e não me abater.
Pai e mãe sempre farão falta quando são presentes na vida da gente.
Vejo muita gente com dificuldade em se relacionar com os seus, vejo filhos abandonados, pais esquecidos... gente com tanto ressentimento que se esquece de ao menos tentar mudar o rumo da história da sua vida.
Não fui uma adolescente admirável, era muito embarulhada, mas sempre busquei demonstrar amor, sempre me preocupei com eles, embora não tenha conseguido evitar algumas discussões, coisas que quando somos jovens fazemos por estarmos sempre pensando que somos o centro do mundo.
Confesso, há coisas que não gosto de lembrar e minha memória me ajuda a esquecer... prefiro pensar nos últimos anos quando consegui juntar as pedras e fazer delas um escada segura e firme, na qual concretizei para sempre minha relação com ambos.
Movida apenas pelo amor que recebi dos meus pais, posso dizer que me tornei uma boa filha, posso não ter sido a melhor, mas com certeza a que eles queriam que eu fosse.
Porque dentro do meu universo particular se existiram duas pessoas que me compreenderam e me aceitaram foram os dois, que nunca desistiram de mim e sempre me estimularam a ser feliz.

Hoje, movida apenas por amor vou em frente...

Pai, mãe... amores eternos.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Para um amigo e para quem sofre e sabe desta dor.



Sabe, não te conheço muito, aliás, foram poucas as vezes que nos encontramos pessoalmente.
Foi por causa da dor que nos identificamos, foi a partir dela que um dia entrei naquela instituição aonde ia praticar minha gratidão à Irmandade.
Não ajudava ninguém, mas falar sobre mim a todos esvaziava um pouco o peso das costas, a culpa do meu coração.
Lembro dos rostos, você não tem noção de como foi difícil superar a timidez e falar para pessoas que, muitas vezes, faziam questão de virar os olhos pra cima para demonstrar o descontentamento de ter que estar ali.
Assim, aprendi humildemente a não julgá-los... ninguém é obrigada a gostar.
Só que não foram as pessoas de mente fechada que me marcaram, mas as que conseguiram filtrar algo de bom desses encontros.
Como você.
Sei também que ao sair de lá não gostou do nosso Grupo,teve azar na escolha do padrinho - que logo recaiu - mas por isso a literatura diz que não devemos tirar conclusões de apenas uma ou duas reuniões...
90 dias, 90 reuniões, isso é sugerido.
Nossa Irmandade é mundial, ninguém torna-se perfeito, mas conseguimos melhorar.
Hoje eu senti seu sofrimento na nossa conversa lacônica.
Não posso dizer "falaaaaaaa"...
Posso dizer de mim para você, porque de novo digo, a dor é muito semelhante.
Enquanto você continuar tentando lutar sozinho, enquanto não se render, enquanto não soltar as rédeas, enquanto achar que pode controlar sua vida, desculpe amigo, vai sofrer.
Sofrerá assim, s o z i n h o.
Eu torço por você, amo sua vida, o que puder fazer para te ajudar, farei,
Quase todos os dias perguntava pra sua mãe se havia voltado, porque sofro junto quando vejo estranhos na ativa, imagine uma pessoa encantadora e de grande coração como você?
Minha vida não é fácil, não é bolinho não.
Você, muito mais do que qualquer pessoa, sabe como eu estava nos dias que antecederam esta última cirurgia.
Falei dos meus medos, do sentimento de solidão... de querer colo e não ter.
Sim, foi um show de auto-piedade.
Você soube levar bem, esqueceu-se da sua dor e cuidou da minha... lembrou-me da música da Rita Lee "toda mulher se faz de coitada, toda mulher é meio Leila Diniz".
Aprendi a viver um dia de cada vez.
Percebo que quando coloco os barulhos para fora e me ouço falando, cresço, alivio a carga.
Perfeita? Não... nunca... complicada? Sempre... um pouco menos...
Fiz 18 meses e hoje completo 8 dias de total lucidez.
Neste tempo, passei por cirurgias, minha casa destelhou com o vendaval (duas vezes) tive decepções com pessoas, houveram mortes de pessoas que me abalaram, houve a morte da minha grande companheira, esta da foto do Blog.
Fora as pessoas que tive que matar dentro de mim e se tornaram fantasmas no cemitério da minha mente.
Semana passada levei mais uma martelada da vida, chorei muito, desesperadamente. Tive vontade de desistir, mas recebi apoio da minha filha, meu tesouro maior nesta vida.
Juro que pensei "vou chutar o balde"... mas sou muito orgulhosa, quero ser ficha única, quero somar anos e anos... quero que os moranguinhos que estou plantando tornem-se uma linda colheita, chega destes abacaxis.
Se eu recair, vai ajudar?
Vou ficar rica?
Vai aparecer um príncipe encantado?
Não... o lance que descobri com o programa e é para mim o mais importante é justamente viver um dia de cada vez.
Estar consciente de quem sou, das minhas limitações, detectar os sintomas emocionais, espirituais, físicos da adicção.
Detê-los.
Busquei o isolamento há poucas 24 horas, sinceramente, não é consequência, mas opção pois tenho amigos (as), que brigam comigo por causa disso.
Minha vida não é só NA, como dizem algumas pessoas desprovidas de inteligência.
Sou uma mala mas ainda existe quem gosta de mim... rsrs...
Não me vejo como guerreira, tive câncer e simplesmente os medicamentos fizeram efeito e venci.
Um dia me olhei no espelho e decidi que dá para melhorar um pouco mais este corpo físico e novamente enfrento meu medos e vou pra sala de cirurgia arrumar meu corpo, não para ninguém... apenas para mim, pois quando a dor vem e me deixa, sinto-me mais forte, valorizo mais a minha vida, cada instante.
Poderia estar melhor? Poderia, mas poderia estar lutando pela vida num leito de hospital.
Frequento dois que são tapas na cara: um só tem pessoas deformadas pelo câncer e no outro só gente queimada.
Sim, cada um tem sua cruz, mas para mim funciona assim "olha só sua idiota, vai reclamar do que?".
Aí me sinto tola e vejo como tenho mais a agradecer.

Você é uma pessoa maravilhosa, sinto.
Não se isole do mundo, não adianta.
Procure uma forma de tirar este peso, trate sua doença...se dá certo para tantos os grupos de auto-ajuda, por que não daria para você amigo?
Não gostou desta Irmandade, até entendendo, é muito barulho, mas existe outras de 12 passos, muitas outras...AA, N/A...
Deveria se dar uma chance, deveria...
Não quer falar, mas deveria ouvir.
Dentro de uma sala poderia encontrar amigos, sair deste isolamento... talvez se visse num churrasco tomando guaraná e rindo muito.
De repente poderia perceber que não é pior que ninguém -bem, eu quando cheguei achei que era a mais podre das criaturas - também descobrirá que não somos melhores, somos doentes, não temos culpa, mas devemos ser responsáveis pela nossa recuperação.
Descobri tanta coisa sobre mim, apenas partilhando... ouvindo, lendo.
Aprendo muito, inclusive, com exemplos do que realmente não quero ser.
Tempo limpo não significa nada.
Continuo voltando por amor, cheguei como todos, pela dor.
Bem, eu estou aqui, pois os laços que nos unem são bem mais fortes do que aqueles que nos afastariam e eu me abraço a você e uno meu coração ao seu para que juntos possamos fazer aquilo que sozinhos não conseguiríamos.

Fica perto, fica junto, fica bem... FICA.


Tire de dentro de você o que te atormenta, lembre-se que JUNTOS PODEMOS... 

sábado, 12 de outubro de 2013

Criança é... criança não é.










Criança é para ser amada, não para ser abortada.
Criança é para trazer alegria, não para ser esquecida.
Criança é para todos, mas não para ser usada como salvação dos casamentos falidos.
Criança, quando tem pai e mãe, é para aprender a lidar com a separação, não para ser usada como arma de um contra o outro.
Criança deve ser vacinada. não para ser levada em postos de saúde nas Campanhas de Vacinações atrasadas (na minha opinião os pais deveriam ser multados).
Criança é para ser admirada, não reprimida.
Criança deve ser respeitada e não humilhada publicamente.
Criança deve estar em primeiro lugar na vida dos pais, não ser um empecilho para que estes justifiquem suas frustrações.
Criança deve ser levada aos circos, parques, teatros, não à bares.
Criança precisa ser vigiada, não ignorada.
Criança dever ser orientada quando errar, não ser castigada fisicamente.
Criança não deve apanhar, mas deve ter limites.
Criança precisa ouvir não de vez em quando, mas não deve ouvir APENAS não.
Criança tem que saber que apesar de tudo dar errado, sempre encontrará os braços carinhosos dos seus pais.
Criança deve ser colocada no colo e ouvida, não tratada aos gritos.
Criança merece ter toda a atenção e não ser deixada para depois.
Criança deve ter os joelhinhos roxos por suas travessuras - isso ouvi do melhor neuropediatra em Curitiba - deve correr, soltar pipa, brincar, e não ser colocada em frente a um videogame o tempo todo.
Criança deve ser tratada como criança, jamais deverá ser tratada como adulto.
Criança precisa brincar, não deve trabalhar, no máximo recolher os brinquedos e organizar sua bagunça.

Criança é tudo de bom, mesmo quando não é planejada. 

Minha criança não foi planejada, aliás, aos 17 anos eu era uma adolescente mimada, pois fui uma criança escolhida, desejada, aguardada, querida e muito amada.
Minha criança nunca teve um vacina atrasada, mas me viu cometer coisas erradas com as quais aprendeu muito, especialmente como não ser.
Porque não sou e jamais serei perfeita, mas ela me admira, porque me vê como uma guerreira.
Sabe que não desisto, sabe que sou verdadeira, franca e que batalho pelo que quero.
Minha criança nunca foi deixada sozinha, para acordar e sentir-se abandonada no mundo.
Minha criança sempre brincou, tinha joelhos roxinhos... fazia bico quando ouvia um não, aliás, foram poucos, mas foi o melhor presente que recebi na vida.
Minha criança teve, assim como eu, todos os seus direitos respeitados, a maior parte dos brinquedos que sonhou e sempre estudou nas melhores escolas desta cidade. 
Porque a minha criança merecia a melhor educação e foi o que almejei para ela.
Minha criança se tornou uma mulher digna, que aos 22 anos irá se formar, tem um ótimo emprego, uma casa comprada em seu nome, muita responsabilidade, muitos objetivos, muitos planos e um sorriso que encanta o mundo.
Minha criança veio na hora certa, não arrependo-me por tê-la tido novinha, por ter passado os melhores anos da minha vida lavando fraldas, fazendo papinhas, dividindo meu salário para que ela tivesse as melhores coisas e nunca se sentisse menos do que ninguém.
Minha criança trouxe uma nova perspectiva de vida aos meus pais, trouxe-lhes alegrias, sorrisos orgulhosos.
Minha criança se tornou uma mulher esforçada, que não tem preguiça de trabalhar.
Minha criança nos proporcionou muitas satisfações com suas atitudes, era sempre correta, elogiada por professores, líder da turma, uma das melhores dançarinas do Centro De Artes da Adriana Digiovanni, foi aquela criança que por ser tão perfeita simplesmente não precisava conferir se fazia a tarefa, aliás, descobri recentemente que ela via isso como descaso meu, mas expliquei que eu confiava nela, creio que tenha compreendido.
Minha criança não teve a melhor mãe do mundo, mas aos poucos consegue entender que teve o melhor que consegui ser dentro do meu mundo.
Minha criança é a mulher que mais amo nesta vida e foi por causa dela que desisti do suicídio, pois dentro de mim, apesar de ser uma criança muita amada, era cheia de medos e frustrações, não tinha auto-aceitação e era um grande "Rei Bebê".
Hoje, vivo, porque quero ser melhor para ela e quero ser uma boa vó para os netos que virão um dia.



domingo, 22 de setembro de 2013

Vai voltar amanhã... mais uma vez, eu sei.


Preparando-me para mais uma cirurgia, uma outra etapa, algumas barreiras e medos a serem vencidos.
Desta vez estou mais ansiosa. 
Muito mais emotiva.
Sei que Deus sempre tem o melhor para mim... sei que o Sol vai brilhar mais uma vez.
Sei.
"Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã"...
Tem tanta coisa me pegando, tanta angústia, sentimentos tristes, depressivos. 
Pode ser pressentimento, pode ser desejo, pode ser tristeza, saudade.
Difícil definir.
Preciso encarar e pagar para ver.

De tanto me chamarem de guerreira, estou acreditando ser. 
Visto minha armadura, pego meu escudo e sigo.
Não fujo de nada, o que tiver que ser será, já passei por momentos piores... e estou aqui, viva, fiz do limão aquela limonada deliciosa.
Não espero compreensão de ninguém, só desejo que as pessoas olhem pra dentro de si e se cuidem, pois nada melhor do que cuidar da sua própria vida.
Quando passar esta fase, quero mudar - de novo - preciso colocar em prática algumas coisas para ser um ser humano melhor, para tratar minhas doenças, viver de forma saudável, quero ser melhor para mim.
Há 17 meses e 8 dias eu parei de usar substâncias que me entorpeciam e passei a sentir o mundo exatamente como ele é.
Quando dói, apenas choro, me isolo e fico pensando em coisas ruins.
 Está aí o núcleo da minha doença, pensamentos depressivos, sombrios que servem para alimentar minha personalidade que tende para este lado.
Meus problemas não são maiores nem iguais aos seus, mas são todos meus.
Tem muita coisa que crio, expectativas então nem se fala, mas mal consigo fazer nascer as flores nas  orquídeas, quem dirá resolver os meus labirintos existenciais.
Este texto é melancólico, triste, frio... mas o momento em que vivo é este, não finjo ser quem não sou, minha alegria é sincera, minhas palavras também.
Prefiro assim, uma tristeza sincera a uma falsa alegria.
Não quero agradar ninguém, quero apenas melhorar um pouco a cada dia.
Amanhã não vou estar aqui, nesta cidade, estarei resolvendo as questões do mundo adulto, das quais não posso fugir e ninguém fará por mim.
A vida dói sim, muitas vezes, porque ninguém é o tempo todo feliz, mas ao menos, posso dizer que nunca precisei de bengala para me sentir bem, apenas usei subterfúgios para fugir... das coisas que se passavam dentro de mim e nunca entendi.
Bem, vou lá, mais uma vez... e hei de retornar.
Viver não é apenas respirar, nem acertar o tempo todo, muitas vezes é cair, levantar, serenar, passar por longos vales de silêncio mas nunca deixar de ACREDITAR e FAZER O BEM. 
Sem esperar nada.
Chegará um momento aonde serei recompensada, pois aceito... só por hoje...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Onde você se esconde? Onde se revela?




Vou falar de algo que vem me pegando, há algum tempo, melhor, há alguns anos.
Não chega por um motivo, não avisa, não pede licença, apenas se instala e pronto.
Muitas vezes a forma de escoar um pouco é deixar virem as lágrimas.
Lágrimas... que lavam a alma, me deixam mais leve.
Uns dizem "faça exercícios, procure seus amigos, tome remédios, NÃO tome remédio", porque resolver a vida do outro é simples, também sou mestra nisso.
Posso estar rodeada de pessoas e me sentir sozinha, posso estar no lugar mais bonito do mundo, posso estar em casa, no serviço, conhecendo uma nova cidade, a caminho do Grupo, do nada, ela chega.
Contorce meu coração, faz doer minh'alma, tira-me a vontade de continuar viva.
Só não rouba minha fé.
Se roubar, sei que me entrego e vou embora.
Só por hoje, um dia li um artigo na Gazeta do Povo sobre suicídio e fiquei com medo.
Já falei sobre isso, que depois que minha filha nasceu, desisti totalmente da tolice.
Penso em formas, mas minha espiritualidade, minha crença crê que não seria a solução permanente para algo que é provisório.

No meio destes meus sentimentos, ontem, mais um famoso se foi.

Ouvi muita coisa, li, confesso que concordo com poucos e percebo que a grande maioria não entende mesmo o que é não sentir-se parte deste mundo, sentir-se morto, mesmo vivo.
Não há esposa grávida, fama, dinheiro, pessoas a sua volta, família, trabalho... só tratamento resolve.

Depressão... o mal do século.

Não sabemos o que se passa no íntimo do outro, apenas sei que é a falta da serotonina produzida no corpo que causa esta disfunção.
Claro, exercitar-se, gastar energia, tudo isso ajuda muito, mas primeiro precisa ter o mínimo de serotonina pra começar.
É a mesma coisa que querer chegar num posto de combustível com o tanque vazio.
Pode ser que consiga empurrar, pode ser que ache muito pesado.
Eu estou quase chegando ao posto, vejo-o, falta pouco, não vou desistir, estou cansada, está pesado...
Posso perder tudo, menos a certeza de que é uma fase, que vai passar e
  ter fé de que vou vencer, principalmente.
Isso tenho, mas ainda não é o suficiente para evitar estes sentimentos que chegam e me corroem...
Quando penso na minha vida hoje, sei que muita coisa que machucava, que inseri na minha vida há mais de 15 anos, só poderiam ser retiradas assim, abruptamente, arrebentando tudo, sem deixar raiz.
Sim, paguei o preço, ainda caio na pergunta se valeu à pena pagar, bem, confio em Deus, se tudo aconteceu foi porque havia um propósito. Porque era para ser.
Apesar de tudo, percebo o quanto cresci, o quanto evolui, o auto-conhecimento que adquiri... tudo o que sabia sobre mim, até então, eram camuflados, disfarçados por máscaras, abri baús aonde haviam ressentimentos infantis, juvenis, que me tornaram no que eu achava ser.
Dói?
Sim, mas hoje sinto, não uso nada que me altere psiquicamente.
"Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto"... não gostava de mim.
Não é fácil, quando penso na culpa, tenho certeza que eu subi degraus, perdoo-me porque não tinha outra forma de deixar pra trás os espinhos que viviam no meu cérebro.
Nem tirar da mira as pessoas para quem apontava minha arma, sem pensar duas vezes em apertar o gatilho.
Bastava não ser do meu jeito.
BUM!
Hoje identifico meus sentimentos, sou mais humilde, quando erro prontamente admito, não arrumo desculpas, quando não estou bem, simplesmente não fujo para outra dimensão.
Nem disfarço, ninguém vive minha vida, nem paga minhas contas.

Viver dói, mas minha vida tem muito mais acertos do que erros, sou muito honesta, embora colecione meus defeitos com uma certa predileção por alguns.
Ser adicta e ter que controlar todos os sintomas, dia após dia, fica mais fácil com a programação que procuro seguir.
Lembrar da Oração da Serenidade quando sinto raiva, quando ouço um não, ajuda-me.
Ter depressão é difícil, porque minha mente de vez em quando quer me sabotar, quer me levar daqui.
Só que hoje encontrei mecanismos que me afastam da doença, nada que me entorpeça, apenas a visão clara e objetiva de quem sou.
Não vou perder a fé, não posso, ninguém pode.
Tudo é fase, tudo passa, ninguém vem aqui pra sofrer.
Vou buscar, vou encontrar um caminho.

Não vim ao mundo para errar e viver no erro, sou como a Fênix... quantas vezes for preciso irei renascer.
Ainda não está bem do jeito que quero, mas vai ficar melhor.
Quando não está bom, simplesmente sinto.
Posso me sentir sozinha, mas sei que não sou.

A vida é só um detalhe... é tudo, é nada... é uma cilada.

sábado, 7 de setembro de 2013

5 anos sem Ludovico Mikosz, mas o amor ainda está muito vivo dentro de mim!







"O amor como palavra é muito lindo, como vivência também, mas a vivência só será completada quando o amor for verdadeiro, quando o amor significar caridade e tudo for feito no mundo por caridade".
É pai, apenas 5 anos se passaram. Tanta coisa mudou na minha vida, tanta coisa mudou dentro de mim.
Queria abraçá-lo e dizer mais uma vez muito obrigada.
Queria pedir perdão, mas hoje não carrego culpa por ter sido aquela adolescente tão difícil, tão rebelde, tão desajustada e complicada.
Agora sei qual é o foco dos problemas, entendo-me e assim, um pouco a cada dia, perdoo-me.
As vitórias que conquisto, por mais um dia, gostaria de compartilhar com você (s).
Quem sabe ainda sou uma garotinha, esperando o ônibus, não para escola, mas sozinha.
Vi um idoso caminhando tranquilamente na Praça Dois Leões ou dos Leões - tenho dúvidas até hoje - mas enfim, meu coração quase parou, quem dera fosse o senhor pai, que Deus, por descuido, deixou que saísse para dar uma voltinha e me permitiu vê-lo.
Claro que não, mas aquela visão fez com que me visse ali, brincando na praça com meu irmão sob a vigilância da cuidadosa dona Rose, a quem tive o privilégio de ter como mãe.
Que doce infância eu tive, posso dizer que com tudo o que uma criança merece ter.
Lembrei de comprarmos o material escolar na Rosibrás, mas nada de escolher o que fosse mais caro, o senhor deixava eu escolher sim, se não fosse luxo. Lembro de ambos encapando os cadernos, da ajuda que me davam nas lições, com paciência., do cheiro das tintas, do lápis de cor, do uniforme novo, do tênis...
Quando o senhor brigava comigo só sua voz já me fazia tremer... e a cara de brabo então?
Olha que mereci muitas cintadas, mas não, vocês não eram disso. Só uma vez tomei uma, fiquei muda de raiva, passei o dia todo fingindo que tinha perdido a voz... para se sentirem culpados, no fim das contas ninguém notou... ou notaram e deixaram, porque sabiam como eu era bicuda.
O senhor era tão justo pai, justo com funcionários, justo com pessoas desconhecidas, justo como homem público, queria tanto uma cidade melhor, que pensasse no povo, no mais pobre, no mais desfavorecido. 
Meus primos sentem sua falta porque dizem que o "tio Lude" era como pai.
Tão simples, mas poucos percebem o estrago emocional que faz numa criança que chega no Natal e vê seu primo ganhar 2, 3, 4, 5... presentes e ele apenas um, de plástico, que ao abrir o pacote já cai a rodinha, a perninha da boneca. Nunca meus primos, na época mais pobres, passaram por isso, o presente que nós ganhávamos era igual pra eles. 
Quem pensa assim neste mundo de consumo exagerado, aonde crianças de 4 anos já ganham TABLETs?
Tenho orgulho de ser Mikosz, porque o senhor foi um grande homem, de caráter, índole, que ajudou muita gente apenas porque seu coração mandava, nem eu sabia de algumas histórias, soube no seu enterro.
Não tinha vaidade, não que fosse perfeito, ninguém é... mas suas qualidades abafavam defeitos e se sobressaiam.
Agradeço a Deus por ter dado a você uma neta, tão amada e tão querida que trouxe aquela velha alegria já perdida nas desilusões e das decepções que a vida trouxe a ambos.
Tiveram perdas cruéis.
Tenho a lembrança de vê-lo sentado na beira da cama, um dia após o enterro da minha mãe, chorando. Acho que só o vi chorando duas vezes, quando roubaram-lhe um carro em Curitiba e ainda haviam tantas parcelas do consórcio a serem pagas... e quando perdeu sua cara-metade.
Ela queria você perto, você queria ir.
Sei que fiz minha parte como filha naqueles 15 meses que separam a morte de ambos, vivi para o senhor, adotei-o como meu filho, lembro do senhor sempre dizendo "não precisa, vai se incomodar comigo, você tem tanta coisa pra fazer", mal sabia o quanto eu me sentia honrada de cuidá-lo.
Na minha cabeça, vocês ficariam bem idosos, talvez até numa cama precisando de cuidados, sabia que seria minha missão, que sozinhos não ficariam.
Só que Deus, com toda sua misericórdia, mandou enfartes fulminantes, nenhum dos dois ficou inválido, foram ainda ativos.
Sabe que tenho certeza que ela estava junto do senhor o tempo todo, sofrendo porque o via sofrer?
Porque eu sei que sozinho no seu quarto chorava de saudades.
Foram 52 anos de casamento, de cumplicidade, de amor, respeito, carinho...
Digo que não fazem mais homens como o senhor pai, por isso estou sozinha. 
Este ano minha filha, melhor, a filha que eu pari e você e minha mãe educaram como se fosse de ambos, irá se formar.
Não vou dizer que criaram, porque nunca abandonei a Jéssica, ela sempre me chamou de mãe, sempre morou comigo porque filho é pra ficar com a gente. Só que dividimos as responsabilidades, pois eu era uma menina, novinha e o seu coração era acolhedor.
Queria-o (s) junto comigo vendo-a, tão jovem, formando-se, já com um bom emprego, bem casada, responsável... ela sim, é a Roseane que não deu certo, mas sei, vocês vão sempre arrumar uma desculpa para dizerem que tem orgulho de mim.
Modéstia a parte, passo tantos percalços que sempre alguém me diz "guerreira, admiro você", tem sempre alguém me ajudando, nunca estou sozinha... talvez seja Deus, talvez sejam meus anjos da guarda, Ludovico e Rose, nunca saberei, o que sei é que sinto saudades, mas toco minha vida, tirando as pedras do caminho, enfrentando meus medos, escalando degraus, conformando-me com os fatos, tendo fé e esperança no futuro.
A caridade meu pai? Pratico-a, todos os dias, com estranhos, com conhecidos, com animais e comigo mesma, a final, foram anos e anos repetindo os mesmos erros esperando resultados diferentes.
Agora é um dia de cada vez e quando chegar minha hora, torcer para ser recebida por vocês dois.

Obrigada Pai... obrigada Deus, por ter me colocado no seio desta família.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Por favor vá embora.



Momento difícil, sentimentos que afloram dentro do peito e transbordam em formas de lágrimas sem motivos.
Dias e dias mal dormidos, convites não aceitos para ficar em isolamento.
Ressentimentos que não desaparecem, sentimento de inutilidade, sensação de ser invisível. 
O que me motiva hoje?
Nada.
Doença latente, anos e anos mascarei com analgésicos ilícitos, mas agora, 16 meses depois, sinto-a... 
Lá vou eu, não tem meus pais pra me colocarem num carro e me levarem mas tem uma mulher guerreira que quer viver muito bem e não se abate e não se entrega. 

Não escolhi este caminho, ninguém escolhe ter uma doença, mas posso combatê-la... sim, estou cansada, triste, sozinha, porém, nada tira minha fé de que nasci para ser feliz.
O mundo dá voltas, se hoje sofro, aceito com resignação, cada dia ruim será convertido em dias muito mais felizes.
É difícil, mas vou vencer mais esta... e dia 30, outra operação, outras dores, outros medos... mas embora eu diga estar sozinha, meus amigos não me desamparam.

domingo, 11 de agosto de 2013

Obrigada por me escolher como filha.



Há 4 anos esta data passou a ter um significado diferente, passou a ser apenas um dia aonde a saudade aperta o peito e as lembranças afloram.
O sentimento de gratidão é o maior de todos, mas não é como era quando o tinha aqui ao meu lado, não sinto que pertenço ao mundo dos que tem este privilégio: de ter Pai... até porque, não é apenas hoje que sinto sua falta, mas a mídia a intensifica, a cada propaganda, a cada oferta, a cada matéria.
Na maior rede social então, nem se fala, há os que se igualam a mim, sofrem pela ausência e os que estão felizes por terem os seus ao lado, mas também, como não poderia faltar, os hipócritas e apesar de não serem bons filhos ou nem terem bons pais, estão ali, rasgando-se em homenagens.
Tudo é válido nesta vida, tudo... quem sabe a partir deste dia um novo recomeço para tantos, tomara, tomara mesmo... o mundo precisa de mais amor.
Ontem fui com uma amiga ao centro, ela foi comprar o presente do sogro, lojas lotadas, ruas cheias de carros, engarrafamento, gente com sacolas... e eu não me encaixo mais.
Agora, ao menos, sinto a gratidão de ter tido um grande Pai, um grande Homem que me criou e me ensinou princípios que talvez só após ter amadurecido um pouco, eu os entenda.
Sinto falta de planejar o almoço de hoje, puxa pai, o dia está tão lindo, tão azul, um clima ameno, agradável, certamente se estivesse por aqui a churrasqueira estaria sendo preparada, pois adorava uma carne assada, o pavê de pêssego - seu favorito - estaria pronto desde ontem, seu presente o aguardando.
Fui adotada, mas sei que foi a forma com a qual Deus decidiu que deveríamos continuar juntos, pois não imagino outro pai, outra mãe, mesmo tendo que ter pago o preço da separação do meu irmão gêmeo, se fosse para escolher, escolheria vocês de novo.
Não basta ser pai, tem que participar, você participava.
Foi meu pai e da minha filha.
Sabia como ninguém nos entender, tínhamos uma cumplicidade, éramos tão ligados.
De tão Paizão que você era, hoje vejo meus primos sentindo sua falta porque foi pai para eles também, enquanto os seus trabalhavam ou apenas não conseguiam desempenhar este papel da forma como os filhos precisavam.
Porque cada um é o pai que consegue ser.
Somos humanos, imperfeitos...
O que vale são os momentos vividos, o exemplo deixado, por isto quando me perguntam "VOCÊ É FILHA DO LUDOVICO MIKOSZ?" respondo que sim, COM MUITO ORGULHO.
Porque sinto orgulho de saber que seu exemplo de dignidade, caráter e integridade moral são as marcas da sua personalidade que deixou saudades em todos que te conheceram.
Ainda é difícil aceitar e perdoar quem te magoou, ainda tenho ressentimentos, pois seria mais fácil se tivessem feito para mim, não para quem eu tanto amo.
Agradeço à Deus, por todos os momentos, apesar da minha doença, das minhas dificuldades, que me impediram de ser a filha que vocês mereceriam ter desde que me adotaram, sei que nos últimos anos da vida de ambos consegui ter o despertar, consegui lhes dar mais motivos para que se orgulhassem de mim, para que compreendessem a minha essência e sei que hoje, quase 1 ano e 3 meses desta nova forma de viver, aí do Paraíso vocês sentem uma enorme paz por saberem que finalmente entendi, que cometer os mesmos erros buscando resultados diferentes é pura insanidade.
Sei que me protegem, que continuam me amando, me vigiando...
Só tenho a te agradecer meu Pai, por tudo... e dizer que por mais que os anos se passem eu vou sempre amá-lo e torcer para que Deus propicie nosso encontro quando achar que for a hora.
Não tenho medo da morte, sei que a vida continua aí.


"...e uma enorme saudade aqui dentro do peito do peito ficou..."



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Devaneios...pensamentos sem nexo...



Muita coisa ainda preciso modificar em mim... mas meus defeitos ainda estão enraizados: culpa, raiva, procrastinação, ressentimentos...ainda não consigo aceitar as pessoas do jeito que elas são.
Não sei lidar com as diferenças.
Se não sai como eu esperava, a frustração toma conta.
Ainda sou aquela que acredita nas pessoas e sofre com as decepções, que age pensando no bem alheio e que não sabe lidar com a falsidade.
Desonestidade é algo que entra em conflito com minha honestidade.
Penso que minhas ideias são melhores porque me vejo agindo motivada pelo coração, não gosto da hipocrisia, não gosto da ingratidão.
Não gosto da falsidade.
Quando sou amiga, sou amiga até debaixo d'água, mas aprendi que posso não gostar de uma pessoa, mas posso respeitá-la e no mínimo não ser falsa.
Estou numa fase que são as pequenas coisas que me trazem alegria... não penso muito na solidão, até porque, gosto, me cai bem.
Acredito em Deus, ele irá resolver minhas dificuldades pois sei que estou plantando...
Ainda tenho dificuldades em procurar as pessoas, quero ser procurada, mas ainda me sinto perdida quando me convidam e penso que é tão bom estar aqui... na minha casa, com minhas coisas...
Quero ler, quero estudar a literatura da minha Irmandade, quero falar dos assuntos com conhecimento, quero estudar o Evangelho, segundo o Espiritismo, quero desenvolver minha espiritualidade...
Tenho objetivos, não vou ficar aqui simplesmente vendo a vida passar... posso vender tudo e ir pra aonde eu quiser, neste momento quero ficar aqui, está bom, me sinto feliz, grata...mas posso mudar tudo... e quem sabe, amanhã mudo mesmo... só por hoje, sou dona do meu destino, responsável por minhas escolhas... nada me prende... sou livre... há 1 ano, 2 meses e 19 dias... foi a melhor coisa que fiz por mim...

sábado, 20 de julho de 2013

Constatações de uma infância.


Chego ao apartamento do meu primo/irmão e a primeira coisa que ele faz é me mostrar um álbum aonde descubro fotos do meu passado que não me lembrava ter vivido...
O terno do meu pai, meu vestido... são apenas coisas materiais que ainda guardava na memória.
de repente me vejo com mais ou menos 3 anos, na festa religiosa do casamento da minha tia, na Sinagoga.
Sinto meus olhos se encherem de lágrimas, porque eu queria tanto de novo voltar lá, pro colo do meu pai, ser aquela menininha que era a alegria da vida de ambos.
Nesta época os dois já estavam juntos há mais de 20 anos, um filho era a certeza da formação da família, era a cereja no bolo da união perfeita que era o casamento.
Minha emoção junta muitos sentimentos que me embarulham, me sacodem, se escondem porque se resolverem gritar minha sanidade some.
Serenidade é o que preciso para aceitar que não posso modificar o fato de que cresci e hoje minha vida é esta.
Luto, sou honesta - até demais - quero sempre ser correta, mas há sentimentos que me pegam... a ausência dos meus pais, a solidão da minha vida, às vezes aceito, às vezes caio na culpa dos meus ressentimentos, então busco as orações, minha madrinha, choro.
Só que hoje, percebo o quanto Deus é amoroso comigo e quanto preciso realmente entregar minha vida e confiar, porque não sou alguém mal, pelo contrário.
Olho para as fotos, vejo uma garotinha sempre sem sorriso, meu primo sorrindo, aliás, todos estão, mas eu não, eu nunca sorria.
Porque será?
Não vou dizer que ali já tinha traços da adicção, pode ser, mas talvez eu sofresse mesmo com o vazio da separação do meu irmão gêmeo, do mesmo jeito que hoje sei que ele sofria também.
Talvez fosse uma criancinha chata de tão mimada, afinal, filhos adotivos são extremamente protegidos, muito mais amados... ao menos comigo foi assim.
Não sei, mas é incrível perceber isso, esta falta de sorriso... eu era uma criança que vivia com muitos motivos pra sorrir e estava sempre aparentemente triste...

Assim, buscando respostas interiormente vou percebendo que está tudo aqui dentro de mim e que só eu posso resolver estes vazios.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sou manifestante com muito orgulho!







Eu não estava presente no movimento estudantil brasileiro realizado no decorrer do ano de 1992 e tinha como objetivo principal o impeachment do Presidente do Brasil Fernando Collor de Melo e sua retirada do posto.
Em agosto de 1992 eu era mãe de uma linda garotinha de pouco mais de 1 ano, não pensava em outra coisa que não fosse a alegria de tê-la comigo, descobrindo o mundo, dando seus primeiros passinhos, balbuciando suas letrinhas, embora tivesse apenas 18 anos, não quis saber de nada disso.
Era mãe, não estudante engajada, nem estava aí se o Collor tinha roubado, me preocupava mais com o estado físico do Cazuza e sua iminente partida.




Agora em 2013 nasceu em mim aquele sentimento que não tive há 21 anos, vontade de me unir à massa, gritar, protestar, dizer que não quero mais isso tudo, que não merecemos...
Sou uma adolescente, "avôrrescente", bem "aborrescente", tenho um espírito jovem, não combino com o lado sério do mundo, não me adapto, mesmo não cabendo mais nas roupas que eu cabia.
Na real, existem muitos jovens velhos e velhos jovens, nem preciso dizer em qual me enquadro.
O movimento que todos pensavam ser apenas por causa das passagens de ônibus, tomou outros rumos, cresceu.
Sinto como se realmente estivéssemos deitados em berço esplêndido e de repente decidimos mostrar que nenhum filho iria fugir da luta.
Os políticos CAGAM na nossa cabeça e nunca fazemos nada, aceitamos, indignados, mas sem tentar mudar.
Ilusão achar que será nas urnas nossa resposta, quando aqui mesmo, perto de nós, pessoas ignorantes, humildes e totalmente sem noção alguma das leis, foram bater na casa de uma jovem vereadora que lhes prometeu alguns trocados para que vendessem seus votos, para que assim, ela fosse representá-los na Câmara.
O que dizer destas pessoas? Como julgá-los se são frutos de um país aonde a Educação está falida há anos e nada é mudado?
Não estudamos para aprendermos a pensar melhor, estudamos apenas para ter um diploma que mal nos ensina a diferença entre "mas e mais ou perda e perca".
O Governo nos quer ignorantes, afinal de contas, lembram dos jovens pensadores da época da Ditadura? Como incomodaram...
Para o povão, receber estas ajudas do Governo apaga qualquer problema de corrupção, desvio de verbas, ainda preciso ouvir "que pelo menos eles tem isso". Pobrezinhos, se soubessem calcular a carga tributária de cada produto entenderiam que recebem menos do que migalhas.
Quem decide são eles, a massa não-pensante, de repente os poucos alienados, até então, que viviam no Facebook compartilhando besteiras mostrou a cara. Quantas vezes disseram por aí que no Brasil transformamos o Facebook num Orkut, que em nenhum país do mundo usa-se esta rede social assim. 
Só aqui, o movimento contou com 5 mil pessoas, claro, nem todas oriundas do FB, mas com certeza convocada por alguém dali.
O recado é claro, já que foram eleitos pelo povo ao menos tenham atitudes dignas, senão o país pára.
Senão os vândalos destroem tudo e a guerra civil será instalada. Não há revolução sem danos, é triste, mas é utopia achar que isso pode ser evitado, até porque, quem está detonando são os filhos desta corja maldita que comanda o Brasil. 
Há exceções, sempre haverá.
O momento que vivemos é histórico, hoje não temos a dimensão disso, mas meus netos - se é que os terei - um dia vão ler sobre estes fatos, serão eles que desfrutarão das mudanças. Porque se o povo não fizesse isso simplesmente teríamos aprovadas a PEC 37 aprovada. Uma vergonha enorme mas que os caras de pau do Congresso ousaram criar. 
Agora vão ter que aprender a trabalhar, não é só chegar lá e esquecer da gente. 
Chega, não vamos mais aturar tantas palhaçadas enquanto vemos pessoas morrendo por falta de uti.
Um país miserável, aonde crianças não tem bancos pra sentar em escolas nordestinas, aonde adictos sofrem nas ruas sem programas eficazes que os ajude a tirá-los do vício das drogas, aonde andamos espremidos como sardinhas, aonde policiais colocam suas vidas em risco para tentar nos proteger recebendo merreca, são tantas coisas absurdas no país da Copa do Mundo que se eu ficar listando uma por uma este texto não termina mais.
Triste é que pessoas do bem pagam quando a imbecilidade de alguns os alcança, pobres comerciantes saqueados, mas aonde está o Governo e a Segurança Pública? Talvez protegendo a nossa seleção brasileira de futebol.

Sou manifestante, acredito no meu país, boto fé na minha gente, gente humilde, gente que precisa de oportunidades, gente criativa, gente boa, feliz apesar de tudo.
Podemos fazer parte da minoria que não elegeu esta galera, mas juntos podemos!

Só por hoje!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Mãe - 6 anos sem ter você.




Nem sei por que gosto tanto de escrever, talvez porque falar não seja tão consolador, mas pensando bem, nem escrever é.
Desde que minha mãe se foi, no dia 12 de junho de 2007 um enorme buraco ficou dentro do meu peito, que só se aprofundou quando perdi meu pai, 15 meses depois.
Não sinto que tenha alguém que se importe tanto por mim quanto ela, não vejo que minha vida tenha alguma importância assim como tinha para ela.
Hoje, depois de tantos erros, enganos e desacertos, estou aprendendo ainda na base da chicotada a viver. Sou grata por tudo que tenho, hoje partilhei inclusive que se for analisar minha vida está tudo certo, tenho saúde, amigos, emprego, casa própria, não me falta comida, posso dizer que me auto-sustento. Planto uma sementinha aqui, outra ali e vou regando, uma hora os frutos brotam. 
Não é a solidão de não ter alguém que durma diariamente comigo que me incomoda, honestamente eu tenho uma facilidade para adaptar-me que agradeço à Deus, pois não tenho medo, me viro, fico bem, me conformo em viver assim. Uma hora há de aparecer alguém que valha à pena, porque mereço apenas o melhor, não uma chance de ser feliz, mas quero continuar escolhendo. 
Só que é terrível viver de lembranças e não ter com quem compartilhar minhas vitórias, minhas conquistas, não poder preparar um bom almoço no domingo, nem saber que tudo pode dar errado que ela estará ali pra me colocar pra cima.
Não, minha mãe se foi, não volta, pode até estar aqui ao meu lado triste porque nunca ficou bem sabendo que um de nós chora... e não tem como não chorar com esta realidade: estou órfã. 
Hoje eu disse que Dia dos Namorados não tem importância alguma, que o que me causa angústia é contar mais um ano sem minha mãe.
Era tão bom tê-la, é tão triste quando penso que talvez hoje eu lhe dê mais valor do que quando a tinha, mas este sentimento acomete a todos que perderam algum ente, sempre ouço dizerem que se pudessem estariam mais perto, mais juntos... se o tempo pudesse voltar atrás, meu Deus, quantas mágoas eu poderia ter evitado, quantas preocupações poderia ter lhe poupado, mas de nada vale ficar remoendo. 
Só me machuca mais e a deixa mais triste.
Minha mãe é o exemplo de mulher que me inspira, era uma Amélia sim, não tinha a menor vaidade - bem oposto a mim - lembro que até queria que ela se cuidasse mais, gastasse mais com ela, mas hoje compreendo que o valor da gente não está na quantidade de roupas que acumulamos, nem nos perfumes, sapatos, jóias... o maior tesouro dela era seu coração puro, seus gestos de carinho, seu amor abnegado, dedicado e sincero.
Um dia chego lá...
Tem gestos que gosto de lembrar, a forma como ela me olhava admirada com a minha "beleza", como ela falava para todos o quanto eu era inteligente, lembro que ela guardava o desenho que fiz aos 4 anos de uma casinha, porque obviamente era quase que uma obra prima... ai minha mãe, ela era a maior fã que eu tive na vida, a pessoa que mais me amou - claro, ao lado do meu pai - é difícil pra mim viver sozinha sem seu incentivo, sem seus mimos.
Se não fosse pela minha crença espírita sinceramente já teria me matado, porque a vida é muito sem graça agora.
Vivo "só por hoje", evito pensar no passado com este apego, o passado não volta mais, o futuro só Deus sabe, então o que tenho é este dia, este momento, não adianta viver sofrendo, reclamando, murmurando ou rosnando... 
Aceito mãe, você se foi porque era seu momento, cumpriu sua missão e Deus precisava da senhora, mas confesso, como é chato estas datas, aniversário de vida, de morte, dia das mães, natal... até meu aniversário.
Como é chato viver sem você.
Que bom que tive câncer, sim, pois foi nesse período da doença que deixei mais claro o quanto você e meu pai eram importantes na minha vida a ponto de fazer com que eu largasse meus pensamentos tão depressivos e focasse na vida, não na morte que estava à espreita. Lembro da minha primeira quimioterapia quando fomos direto pra sua casa, deitei na cama com meu pai, você veio com aqueles olhos que expressavam dor profunda e me trouxe o prato de comida, comidinha caseira, simples... um bife, feijão... ainda disposta a me alimentar na boca se necessitasse, mas não foi o caso.
Fico triste porque quando terminei o tratamento e pensei em recomeçar a vida com um novo olhar, veio sua partida. 
Isso me ferrou. 
Foi difícil. Ninguém que estava ao meu lado, tirando meu pai, foi capaz de entender.
Amparar meu pai após 53 anos de casamento F E L I Z, vê-lo sofrer calado, quieto, só eu sei o que senti.
Você não era uma mãe destas que sabem parir filhos e jogá-los no mundo como cachorrinhos, você era A MÃE. 
Foi A VÓ.
Mãe, queria ser um ser humano com 10% das suas qualidades, com 1 % do seu coração amoroso.
Queria ouvir o telefone tocar e ouvir sua voz doce perguntando de mim... há uma música que diz "alguém lhe perguntou como que foi seu dia?"... nunca mãe, sinto falta de você fazendo isso.
Dói crescer, dói virar "senhora do nosso destino", dói ter mãe apenas na memória, nas fotos... no coração.
DÓI PRA... não, não direi, você achava tão feio palavrão... e eu sempre me segurava por isso, talvez por este motivo hoje eu seja meio desbocada.
Desculpe aí mãe... desculpe por tanto tempo perdido ao lado de gente que não merecia 1 dia da minha vida, se a gente nascesse velho e fosse ficando criança seria melhor, mas nascemos crianças e vamos amadurecendo ao longo da vida, aí nos damos conta de quantas besteiras e coisas desnecessárias fazemos.
O valor dos pais é imensurável.
Eu não sei quando mãe, mas tudo o que eu gostaria era poder vê-la, receber um sinal, encontrá-la em meus sonhos... simplesmente porque o meu amor por ti aumenta a cada dia, mesmo estando ausente ainda continua me ensinando, pois seu exemplo, seus conselhos e seu amor fazem parte de quem sou hoje.
Saudades, 6 anos parecem 6 dias, 6 horas, 6 minutos... desculpe se choro, mas será sempre assim até o resto dos meus dias... porque aceitar, me conformar não significam esquecer... e não gosto da vida sem você, apenas aprendi a me adaptar.


domingo, 2 de junho de 2013

Tudo passa...




"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma".

Autora: Marina Colassanti

Muito difícil a gente não se identificar com este texto, porque todos nós de uma forma ou de outra nos acostumamos as coisas que não deveríamos sequer aceitarmos.
Caio em controvérsias emocionais, sentimentais porque nunca sei o que se passa, se estou me acostumando, se apenas estou entregando minha vontade ou se quero que seja do meu jeito.
Não quero me acostumar com a solidão, mas preciso aceitá-la e acreditar que um arco-íris nascerá em breve.
Não gostaria de lembrar do meu passado com saudades, mas infelizmente não consigo fugir desta certeza.
Não posso mentir para mim dizendo que apesar de tudo de maravilhoso ter ocorrido na minha vida, que simplesmente aceito, porque não real só acredito que tudo tem uma razão de ser, que eu não estaria aqui... nem...
Eu estava forçando uma situação, mas no fundo acreditava que poderia sim conseguir apagar sentimentos, foi como se enxugar com uma toalha molhada. 
Infelizmente percebo o quanto me falta serenidade quando as coisas não saem do meu jeito e minha reação é de revolta, ódio, raiva. 
Quando vou aprender que só porque eu digo a verdade, custe o que custar, há pessoas que preferem dissimulá-la, falar nas entrelinhas... mas nunca fui boa de perceber coisas obscuras, camufladas, disfarçadas. Pode ser que a verdade se confunda, me iluda, mas a partir do momento em que sinto desconforto por algo que faço, sempre irei dizer, mesmo que seja para depois desdizer.
Sou uma pessoa um tanto confusa, mas para quem me conhece sabe que sempre há uma certa razão. 
Sim, concordo, me acostumei a viver e me adaptei a volta de 180º que minha vida deu, não fico lamentando, busquei modificar o que acreditava estar me atrapalhando, porque quando tudo dá errado e saímos do apogeu para queda, temos dois caminhos: desistir ou tentar.
Preferi tentar uma nova maneira, dei uma chance pra mim, resolvi me conhecer, me compreender.
Ainda não está do jeito que quero, muita coisa ainda precisa acontecer para que eu sinta uma mudança verdadeira, não apenas viver uma hipocrisia, esta não é a forma de recuperação que quero.
Sou paciente comigo, afinal, 1 ano, 1 mês e 19 dias voltando não me dão respaldo algum, tem muita coisa que deveria procurar que não procuro, nem pratico todos os evites, apenas os 3 primeiros, que são os alicerces pra eu me manter.
Ainda me vejo como tola, mas sei que por culpa minha que não controlo minha ansiedade e atropelo meus sentimentos. 
Forço-os. 
Simplesmente não dá, do meu jeito sempre deu errado, por que insisto tanto?
Eu sei, porque no fundo quero um recomeço, quero me renovar, anseio demais... mas quando vou entender que preciso entregar minhas vontades e confiar que o melhor ainda está por vir?

Não, me recuso a me acostumar com o que é banal.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Falar do que sinto mas ainda não realizei.

Assim... falando um pouco de amor, foi exatamente por causa do amor que ingressei na Irmandade.
Por falta de amor próprio, cheguei  a um colapso de sentimentos quando de repente me vi no meio de uma situação inimaginável, sofrendo, arrependida da escolha que segui, chocada com minhas atitudes, sentindom-me vazia e o pior de tudo, percebi que tinha um grande inimigo capaz de destruir-me assim, sem pestanejar: EU.
Foram tantos questionamentos, o mais difícil de todos foi constatar que eu realmente não sabia quem era.
Estava falida emocionalmente destruída, sem esperança, me sentindo um animal traiçoeiro, com vergonha de carregar tão nobre sobrenome.
Não, nunca consegui usar máscaras, isto é o que determina tudo, pois mesmo errada, naquele momento a verdade que se apresentava saltou da minha boca e e eu falei, admiti, pensando apenas em mim. Sem ter certeza do que sentia, cansada apenas de viver das migalhas, sozinha... me adaptando a vida do outro.
Semanas depois, fiz questão de desdizer o que eu havia dito antes.
Porque busquei o que eu queria da pessoa que amava aonde jamais encontraria.
Sobrou dentro de mim apenas um enorme vazio, um coração que servia apenas paras as funções vitais, nada mais.
Procurei a solidão, de novo me vi como há 15 anos flertando com o submundo e tentando fugir da realidade.
Depois de alguns dias sofrendo, com o coração exposto, chorando desesperadamente sozinha, de joelhos, gritando, perguntando... por quê???!!!
Muitas e muitas garrafas... quase voltei a fumar...um cigarro como companhia poderia ser bom.
Quanta dor, quanto sofrimento, quanta vergonha, quanto medo de morrer, porque querer eu queria, mas sabia que não poderia ser quando eu decidisse.
Culpa... 
Procurei, ser humilde, aceitar, fugir do lodo... afastar quem me fazia mal, foi difícil, porque a solidão me fez algumas vezes trazer para perto de mim quem eu não queria, até sentir nojo, asco, até notar minha insanidade em ficar com alguém como forma de auto-punição.
Estava abandonando uma verdade simples.

Sei que desde que nasci algo bom está reservado.

Tudo bem, o preço foi ter sido separada do meu irmão, mas ganhei os melhores pais do mundo todo, estudei nas melhores escolas, a infância que poucos tem, nunca passei necessidade, tive uma doença maligna que demorou a ser diagnosticada mas mesmo assim, venci... hoje tenho saúde, minha filha,  um emprego que me sustenta, uma casa em meu nome e dignidade.
Errar, todos erram, adictos ou não, mas o que a gente faz com nossos erros é o que nos transforma.
No meu caso, fiz do limão, uma limonada, mudei do vinho...pra água.
CARÁTER eu tenho muito, DEFEITOS, pra caramba. Só que hoje acredito que posso melhorar tudo isso, tenho aceitação, reflito, quando me dizem algo que não gosto, tento me ver  e descobrir se faz sentido, qual a impressão que causei.
Mergulho dentro de mim.
Quando não é do meu jeito ainda é difícil, lidar com a frustração, mas a diferença é que consigo perceber e fazer o movimento contrário, me colocar no lugar do outro, deixar um pouco o EU de lado.
Minha vida não é a melhor vida do mundo, nem quero, nem serei exemplo, mas cuido do que me interessa, do que me faz vibrar, vivo buscando melhorar e sonho sim, com um amor que me traga alegrias e que possa receber meus sentimentos com abnegação.
Planto morangos, todos os dias.
Não quero um homem lindo, perfeito em tudo, que não tenha problemas nenhum, que seja rico, maduro... não... quero alguém carinhoso, que acredite nos sonhos, que seja bondoso, tenha caráter, dignidade, que note quando eu estiver triste, que perceba quando eu precisar de um elogio...

Eu estive perto da morte e às vezes vou lá, porque os meus iguais também são os doentes com câncer do hospital, as pessoas que aguardam serem chamadas, as crianças que vejo queimadas tendo que lutar para reconstituir seus pequenos corpinhos... como é que posso me permitir de vez em quando chorar porque me sinto triste? Só que estes momentos fazem parte também, mas não podem durar, não é justo...


Não vou deixar de acreditar no amor e agora que aprendi a me amar de verdade, a sentir, como posso desistir apenas porque encontrei alguns obstáculos?
O Amor é pra todos, pra mim, pra você e pra quem não soube nos amar e nos perdeu...
Só sei que mesmo assim, apesar de parecer tudo tão insano, apesar dos riscos, ainda prefiro me arrepender de tentar do que nunca pagar pra ver...

Sou otimista, sou Alice, sou Bob... quem sabe a Sininho da Terra do Nunca...

Porque mesmo que morra por amor, tenho certeza que conseguirei continuar vivendo.

Eu ainda amo... e consigo ser feliz, mesmo amando apenas lembranças...