segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um dia de cada vez, mas como?

Eu reflito tanto com os acontecimentos do cotidiano porque tenha aquele pensamento de que as coisas não acontecem por acaso.
Vivemos num grande conflito, porque todos os dias notícias de pessoas que morrem de maneira estúpida nos fazem refletir de que a vida é feita a cada minuto, podemos ter metas, mas nunca certezas.

Nos últimos meses tenho refletido com a morte de pessoas à minha volta.
Não lido bem com a morte, não lido bem com finais.

A dor e a separação são sentimentos cruéis na vida de um ser humano.

Por isso, quando a vida lhe oferecer um limão faça uma limonada, suíça que é bem mais gostosa e você merece o melhor.
Analise bem suas atitudes para não prejudicar ninguém, mas não deixe de vivê-las se você sente-se feliz, pense em você porque muitas vezes ninguém pensará...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Foi-se Amy Winehouse...



Quando ouvi a música Rehab pela primeira vez, me surpreendi com aquela voz negra, maravilhosa e com a qualidade da canção.
Pensei "caramba, quem é esta?".
Fui atrás do álbum e adorei todas.

Amy era a novidade, a diferente, a "maluca", aquela que todos esperavam que morresse jovem de overdose.

Muitas vezes pensava que ela era muito grotesca, pois se envolvia em escândalos, abusava do álcool e das drogas.
Era a maldita, mas com sua voz perfeita nos fazia esquecer de tudo.

Eu a admirava porque gosto de gente que está "defecando e caminhando" para os outros.

Amy quis ser exatamente o que foi.

Este lance de usar drogas, lícitas ou não, é algo que só quem já usou pode entender.
Não vou dizer o quê, mas já usei e não me arrependo, pois eu precisava expandir minha mente, tive diversas revelações quando estava sob efeito.
Hoje dou muito mais valor a minha vida, a paz que tenho.

Para mim funcionou para me sentir mais segura.

Este papo das pessoas dizerem que a Amy se matou é simplesmente ridículo. Ela foi além do que deveria ir, mas é compreensível, tinha dinheiro sobrando e fantasmas atormentando sua paz. Porque quando a gente entra nessa é porque tem algo não encaixando.
Ninguém que morre de overdose (embora ainda não tenham confirmado oficialmente) pensa em usar drogas até morrer. Tem mais haver com um pedido desesperado de querer continuar vivendo mas sem enfrentar seus dramas.
Porque tem coisas que dóem demais dentro da gente e nem sempre sabemos o que é.

Todos temos uma válvula de escape, para uns pode ser atitudes positivas que não lhe fazem mal, mas para outros as drogas ajudam. Não são todos que usam e morrem ou chegam ao fundo do poço, tem muita gente que usa moderadamente.
Muita gente que você não imagina usa drogas.

Penso nela, a drogadição tornou-se doença grave. Entrava e saía de clínicas, sua aparência bonita deu lugar a uma moça quase anoréxica, decadente, machucada, feia. Justo ela, tão vaidosa, a "rainha do pin up", a mulher a ser copiada mundialmente.

Não é fácil vencer os tormentos provocados pelos nossos medos e inseguranças.
Fácil é dizer que ela foi uma idiota que se matou.

Queria que as pessoas entendessem que cada pessoa busca resolver seus problemas como pode.
Quando bebemos com amigos e começamos a ficar embriagados, pode ter certeza que logo estão todos rindo relaxadamente.
Tem gente que acha bacana ficar dentro de uma igreja orando... o que é bom pra um certamente não é para o outro.
Somos diferentes, graças à Deus!

Eu sabia que ela iria embora se não parasse.
Amy tinha sucesso, fama e dinheiro, mas isso não é tudo, pode ser nada. Ter dinheiro quando se é viciada não é nada bom... a gente sempre brincava que se fossemos ricos teríamos morrido de overdose já... porque não se tem limite.

E o uso de drogas tem muito haver com a veia artística das pessoas, pois não são poucos os ídolos admirados que usam drogas. Muitos param e o talento vai junto...

O bom da vida é viver de cara sim, mas é injusto pessoas que nunca usaram estas substâncias acharem que tem o direito de dar lição de moral. Muitos falam, enchem a boca pra condenar quem se droga, mas não é algo simples.
E o caráter de alguém não se julga pelos seus vícios.

Conheço gente que fuma cigarro dentro de salas fechados em detrimento dos seus funcionários, tem quem não beba mas adora fazer pega de carro, tem aqueles que não conseguem passar um dia sem falar mal da vida alheia, tem quem trai, quem desvia verbas, quem corrompe, quem mente, quem se vicia em remédios pra dormir ou emagrecer... enfim, não é só o uso de droga que atrapalha a humanidade. Tem muita coisa feia por aí.


Ninguém sabe o que a Amy fazia longe dos palcos, qual seus medos, seus traumas, suas angústias... ela estava sozinha... tenho certeza que não queria se matar, apenas curtir, mudar seus estado mental... porque expandir a mente é algo diferente, só quem já fez isso pra saber.

Ela estava doente e não teve a mesma sorte que eu, que fui e voltei.

Mesmo assim, admiro-a.

Ela foi exemplo do que NÃO fazermos, foi alguém que simplesmente viveu sua vida sem fingir pra ninguém que era o que não era.


Menina maluca, doidona, piradona. Os amigos diziam que era doce e boa, isso que vai ficar pra família e pros que conviveram ou a conheceram.

Para nós, fãs mais uma vez órfãos, fica a certeza de termos perdido alguém diferenciado, único em seu talento.

Suas músicas extremamente tristes (nem todas) pareciam um prenúncio de que algo de ruim estaria pra acontecer.
Hoje vendo as fotos do funeral e ouvindo, coincidentemente, Back to Black no mp3, senti uma profunda dor porque aquela cena não era um clip, mas a despedida.


Comete mais pecados aquele que prefere exaltar seus erros, pois agora Amy não está aqui para se defender.

E a Amy que morreu sábado, foi a filha judia rebelde, a amiga maluca, a moça sem limites, independente e infeliz.

Só conhecemos seu lado artista e o que os tablóides sensacionalistas mostraram tão habilmente.

A Amy artista viverá para sempre em nossos corações e em nossas memórias.
Dane-se o que ela fez de sua vida, dane-se todas as demonstrações de descontrole, isso nada importa mais.
Dane-se quem aredita que ela não era exemplo, por um acaso ela disputava o prêmio Nobel da Paz?

Amy se foi... e deixou um grande vazio para os que, como eu, a admiravam e torciam pra que não se deixasse levar por seus vícios.

Descanse em paz querida, você foi alguém verdadeiro que expôs suas fraquezas sem medir as consequências, eu sei... pobre menina, tão maravilhosa e tão insegura!


Adeus Amy...cuide-se!

domingo, 17 de julho de 2011

Só o que é bom...

Minha tia Ady se foi na manhã desta sexta-feira.
Foi um choque porque há um mês mais ou menos estive com ela, nunca ficou doente seriamente.
Porém era fumante e tinha 79 anos.

Graças à Deus teve uma vida boa e saudável. Superou a morte do filho único e conseguiu fazer Bodas de Ouro com o amor da sua vida, seu marido, meu tio.

Fica pra mim apenas as lembranças de infância quando nossas famílias era bem unidas. Minha mãe e ela tiveram algumas rusgas, que hoje entendo que foi porque ambas eram duas leoas pra defender sua família, cada qual com suas armas. Não cabe a mim nenhum julgamento. Sei que minha tia foi recebida de braços abertos pela minha mãe, pois conheço a mãe.
Acredito na evolução espiritual, em vida após a morte.

Se tive uma infância mágica, cheia de momentos especiais e cercada de amor foi em parte porque contávamos com a amizade deles.
A gente passava os domingos lá, eu adorava as festas de aniversários, as sobremesas, as comidas que a tia preparava. Era dela a receita de pavê de pêssego que era a predileta do meu pai e que eu aprendi a fazer.
Fora que a tia tem várias irmãs, então era aquela criançada... e criança é um amor, se enturma fácil e logo tá correndo, brincando, brigando, fazendo as pazes e chorando na hora de se despedir.

Tinha um quarto aonde ela guardava seus acessórios, super coloridos, brincos de pressão, uma mais lindo que o outro.

Foram os bons tempos mesmo.

Uma pena é que os caminhos da vida tenham afastado as duas, minha mãe e minha tia.

Quando estive com ela pela última vez era mais por preocupação com o tio Mário que havia feito uma cirurgia. Nunca pensei que fosse a última vez que a veria.

Conversamos tanto, senti uma real alegria dela em saber o quanto estamos bem e nos encaminhando. Falamos dos nossos mortos, das nossas saudades.
Porque é um assunto que está entre nós, não adianta, era natural.

O momento agora é pensar em estar mais perto do meu tio, que ficou mais só que meu pai.
Tio Mário tornou-se um homem só.
Vou colocar em prática o projeto do livro que seria apenas sobre meu pai, mas que decidi que deve ser sobre a vida dos dois irmãos radialistas.
Quero que meu tio saiba que pode contar comigo assim como meu pai contou.

Não tenho muita intimidade com ele, mas sei que temos o fundamental: AMOR.

domingo, 26 de junho de 2011

Para você Bruno Gouveia




Não vou lhe dizer que sei o que está sentindo porque realmente não imagino e me recuso a tentar me colocar em seu lugar.
Porque nenhum pai quer imaginar uma situação desta.

Infelizmente, nada irá trazê-lo de volta, mas com o tempo esta dor absurda tornar-se-á um imenso vazio, uma saudade eterna e um amor perpétuo que será a certeza de que valeu à pena conviver mesmo que por tão pouco tempo com o Gabriel... com o tempo perceberá que o amor que sentimos faz com que estas pessoas que tanto amamos continuem vivas...

Perder um filho ainda bebê não é algo simples de se superar. Perdi meus pais em 2007 e 2008 respectivamente, uma dor que até hoje me assombra.

Se eu pudesse estar com você Bruno, diria para que acredite que este não foi o fim não, é apenas uma separação temporária, pois em algum lugar o Gabriel e a Fernanda vivem.
Não se entregue, não desista de ser feliz nem de acreditar na vida, no quanto ela pode ser boa ainda.
Lembre que daquela estrelinha do céu o olhar do Gabriel está voltado pra você sim, torcendo pelo seu sucesso, orando pela sua recuperação.

Porque é certo de que o nosso sofrimento e revolta não deixa nossos entes que se foram descansar em paz.

Tudo o que seu filho quer hoje é que se conforme e siga a vida feliz. Claro que ainda é cedo pra isso, o luto e a revolta são totalmente compreensíveis. Imagino que ao seu lado estão seus pais, seus familiares, pense no quanto o amor deles é fundamental e no quanto tem a agradecer por estas presenção tão significantes.

Não acumule suas angústias, não segure seu choro, não sufoque seu grito. Sofra se assim sentir-se melhor, mas viva um dia de cada vez e pense que se hoje não está bom pode ser que amanhã seja melhor.

Eu superei um cancer, a morte dos meus pais e todos os dias luto pra vencer, o que não é fácil

Porém, nada tira de dentro de mim a lembrança dos momentos felizes e do amor que recebi dos meus pais.

A saudade agora será seu algoz, mas tenho certeza que sua vida ainda reserva momentos felizes e especiais...

Você vai superar esta dor, tudo isso vai passar...

Você é um cara especial e há muita gente orando para que Deus lhe conforte e amenize esta dor...

FORÇA BRUNO... estamos contigo!

sábado, 11 de junho de 2011

4 anos sem você...



A pior dor que um ser humano pode sentir na vida é a da perda de um ente querido, seja um amigo, um parente, seu pai, sua mãe... um filho, algo inimaginável.
Mesmo sabendo da lei natural da vida, não há como fugir da saudade que espreme nosso coração de tal forma que vazam lágrimas dos nossos olhos.

Difícil viver sem a mãe.
Minha mãe era um ser especial, de uma forma tão espetacular que simplesmente todas as pessoas a adoravam facilmente.

Passam-se os anos e o buraco vai ficando mais profundo.
Não vou dizer que não sou realmente feliz, mas dentro de mim instalou-se pra sempre a menina triste e carente.
Quando eu me sentia só, rejeitada, perdida, era minha mãe que vinha e dizia "bobagem, uma menina tão bonita e inteligente como você"... e lá íamos fazer algo de bom.

Às vezes o dia está perfeito e vem aquele anjo triste e diz "cadê sua mãe mesmo"?

Eu briguei muito com ela, magoei sim, mas sei que no final ela não ficou nada disso, apenas o meu amor incondicional.
Ela sabia que podia contar comigo porque eu a amava.
Porque foi a mãe que eu tinha que ter, não importa como.
No fim das contas também me agradecia por ter lhe dado uma neta, a única. O que foi uma pena porque a mãe era pra ser daquelas avós que enchem a casa de netinhos e os deixam fazer tudo... tudo o que os filhos não podiam...rsrsrs

Hoje o telefone toca, toca, toca... muitas vezes não o atendo porque sei que não é ela.
Lembro exatamente disso, tocava o telefone e eu dizia "a mãe"... pimba! Era ela. "Oi, tudo bem? E a Jéssica? Meu lindão (Hélio...rsrs)? E a cachorra?"... até por eu andar com a Gabi na avenida minha mãe sentia orgulho, ela era demais mesmo, só não era tão exagerada como a tia Armandina com meu primo Maurício... as Lopes são fogo, sempre dizemos isso.

A vida continua, procuro fazer meus dias cada vez mais produtivos, me cuido, no meu serviço meu lema é "as pessoas só esperam que você demonstre preocupação quando mais nada lhe restar", pois a cada pessoa idosa que atendo lembro dos meus pais. Vejo minha mãe em muitas senhorinhas.

Sinto tanta saudades.

Confesso, muitas vezes penso que agora morrer não seria tão ruim assim.
Bem down, bem melodramático mesmo, assim que sou e sempre fui.
Minha vida é um drama mexicano então deixa eu protagonizar as cenas em seus mínimos detalhes.

Penso muito na vida, reflito, acredito na vida após a morte, sinto amor pelo ser humano, raiva também.

Só que este buraco de saudade de mãe é bem sério.

O único pensamento que acalma meu espírito: pensar que ela está aqui.
Porque é tudo tão difícil, ver-se naquela situação aonde percebe-se só, sem alguém que realmente saiba compreender, não te julgar, nem te fazer cobranças, acho que é algo que realmente não me pertence mais.

Porque cada pessoa é do seu jeito, eu sou assim, os outros são de outro jeito. Assim fazemos o mundo.

Então, não adianta amigo presente, marido carinhoso, filho amoroso... é minha mãe que faz falta no meu ser, a minh'alma.
Dentro de mim realmente se modificou a visão do que é a verdadeira felicidade, perdi, não adianta, é um pedaço de mim que foi enterrado junto.

Porque quando se deixa de ser algo, como ser FILHA, isso nos traz uma certa amargura.

Quando tudo dá errado, quando ninguém te compreende, quando você precisa fazer uma manha para ganhar aquele colinho de quem te conhece desde o tempo que você precisava de alguém que te alimentasse, te trocasse, te cuidasse incondicionalmente, só sua mãe mesmo... ou seu pai, se você teve sorte de um Ludovico.


Dia dos namorados para mim é dia de aniversário de morte dela.

O luto é algo que os olhos dos outros não veem mas que vive dentro da gente.

Te amo muito mãe. Você é o meu ideal de mulher perfeita.

domingo, 8 de maio de 2011

Dia das Mães




Hoje o dia amanheceu belo, sem nuvens, com um céu azul e um sol perfeito. Presente de Deus para nós mães? Pode ser... mas mesmo que houvesse chuva, o passeio poderia até ser prejudicado, a alegria de estar junto da minha filha não.

Saudades sim, muitas, minha mãe era uma pessoa magnífica que deixou apenas boas lembranças... tristeza não, pois sei que daonde ela está com certeza ficou feliz de nos ver juntas aproveitando a vida e fortalecendo nossos laços de amor...

Todas as mães são especiais.
Todas as mulheres nasceram com a pretensão de desempenhar este papel, mesmo que não tenham filhos. Um dia, quando casar, poderá transformar-se na mãe do marido. Porque homens são tão limitados, não conseguem viver sozinhos. A maioria de nós acaba adotando o marido como filho.
A mulher nasceu para ser o alicerce da família.

Nós temos o poder de transformar o ambiente.

Respeito a diversidade, sei que algumas mulheres não aceitam este papel.

O papo hoje é para as mães que assim como eu, sentem-se plenas, realizadas, infinitamente felizes.

Mãe é tudo na vida da gente.

Mãe ajuda, incentiva, cuida, se preocupa, sofre junto, chora junto, ri junto, faz rir, alimenta, quebra um galho, põe no colo, compreende, espera, acolhe, aconselha, briga, xinga quando precisa, educa... mãe é tudo...

Nada mais triste do que uma mãe perder seu filho... porque o filho perder uma mãe é da sequencia natural da vida... os que vivem sem suas mães precisam acostumar-se a buscar nas lembranças o conselho certo para a decisão final.

Mãe é mãe.

Tenho doces lembranças da minha infância graças a influência e a presença dela. Sou o que sou porque fui abençoada com sua presença... minha MÃE era a MÃE que eu idealizo ser.

Fico feliz de saber que tenho minha filha. Porque ser mãe é algo inexplicável.

Amo você filha. Amo você mãe...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Do auge da alegria... ao auge da perplexidade!







Folheando jornais da semana passada encontrei um texto da minha amiga Dolly Polasek falando do massacre de Realengo, focando-se de maneira brilhante na figura de uma menina que tinha assistido a tudo. Seu nome é Jade.

No dia 5 de abril estive no evento que mais aguardei nos últimos anos: o show da mega banda Iron Maiden. Sou louca pela voz do Bruce, a maneira como ele prolonga as notas é sobrenatural. Vivi dias de grande ansiedade, até resolvermos ir em cima da hora. Fui com minha amiga loira, a melhor companhia que eu poderia ter.
Show impecável, emoção inigualável. Como foi bom sonhar com o encontro. Melhor ainda ter ficado a 10 metros deles.

Voltei em êxtase, daquele jeito que ficamos quando vemos um ídolo e ficamos perto dele admirando sua arte, seu dom. Sua maneira de ser incrivelmente genial, único. Porque não dizer, onipotente...

Confesso, deu uma deprê pós show sim... só que tudo ficou tão pequeno quando às 8:20 da manhã do dia 7 comecei a acompanhar as notícias desencontradas sobre um atirador dentro de uma escola. Um absurdo, 8 mortos... que até o 12h ficamos sabendo que foram 12, contando com o responsável por inciar toda esta tragédia.

Inacreditavelmente um homem invadiu uma escola e matou a queima-roupa 11 crianças, deixando mais umas 7 na UTI.
As cenas eram cruéis, crianças correndo desesperadamente, ensanguentadas, pais atônitos, políticos chorando (sinceramente)... e um assassino morto. Como morreu? Matou-se ou foi morto? Pouco importa. Só não queremos correr o mesmo risco.

O que mais me doía era ver os relatos das crianças que viram as cenas mais bárbaras no local aonde os pais supunham estarem seguros.
A menina Jade contava com aqueles olhinhos arregalados de quem enxergou a morte em sua frente. Deu de cara com a maior maldade do mundo. Aqueles coleguinhas do dia-a-dia sendo exterminados como se fossem patinhos de madeira nas barracas do parque de diversão... e a espingarda fosse de pressão. Só que não era.
Ele atirou no pé e depois na cabeça das meninas.
Matou as virgens, talvez como uma espécie de sacrifício.

Reflita com a tradução de 666 - The Number Of The Beast, a música que erroneamente alguns pensam que é uma apologia do Iron Maiden ao demo...

O Número da Besta
"Ai de vós, ó Terra e Mar,pois o Demônio envia a besta com ódio,
Porque ele sabe que o tempo é curto...
Deixe aquele que compreende reconhecero número da besta porque é um número humano
Seu número é seiscentos e sessenta e seis."

Saí sozinho, minha mente estava vazia
Precisava de tempo para pensar e para tirar as memórias de minha mente

O que eu vi, posso acreditar?
Que aquilo que eu vi naquela noite era real,e não apenas fantasia.

O que eu vi, nos meus sonhos antigos,
Eram reflexos da minha mente distorcida olhando para mim

Porque nos meus sonhos, está sempre lá
A face do mal que retorce minha mente e me leva ao desespero
Yeah!!!

A noite estava negra, não dava para se esconder
Porque eu tinha que ver, alguém me observando
Na névoa, formas escuras se moviam e se retorciam,
Tudo isso era real, ou só algum tipo de inferno?

Seis, seis, seis, o número da besta.Inferno e fogo nasceram para serem liberados.

Tochas foram queimadas e cânticos sagrados foram elogiados

Como eles começam a chorar, apertando as mãos em direção ao céu
Noite adentro, os fogos queimavam brilhantemente
O ritual começou, o trabalho do Satanás estava feito

Seis, seis, seis, o número da bestaEstá havendo sacrifício esta noite

Isto não pode continuar, devo informar a lei

Pode ainda ser real, ou apenas um sonho louco?Mas me sinto atraído pelas hordas que cantam o mal,
Elas parecem hipnotizar... Não posso evitar seus olhos

Seis, seis, seis, o número da Besta
Seis, seis, seis, o número pra mim e você.

Estou voltando, vou retornar
Possuirei seu corpo e o farei queimar
Eu tenho fogo, tenho o poder
Eu tenho o poder para fazer o meu mal seguir adiante

Sim, Wellington escolheu fazer o mal seguir adiante. Quando ele sofreu na mão de desajustados que o humilharam, o ridiculizaram e o infernizaram, conseguiram desencadear a doença que habitava dentro de si.
Porque não devemos ter raiva deste rapaz. Um pobre coitado, doente e sozinho.
A solidão é o mal do século, Renato Russo já dizia.

Sua loucura, o auge culminou no dia 7 de abril quando colocou seu plano em prática, acreditando em um mundo irreal, tão fantasioso que até agora as pessoas não sabem se os personagens das anotações existem.
Em que momento alguém próximo a ele ignorou sua doença?

Agora será enterrado como indigente.

As crianças tiveram suas vidas podadas precocemente, nada poderá ser feito.


(continuo depois)

sexta-feira, 25 de março de 2011

No Diabo eu não acredito!




Falar de religião e crenças é algo complicado e é bom sempre usarmos a cautela para não ofender nem agredir ninguém.
Não dá, tem assuntos como time, partido político e religião não se discutem... afinal, quantas guerras ainda explodem no mundo por causa de um destes temas?
Sempre acreditei em Deus, no seu poder, na sua força, na sua onipresença. Atualmente nem pertenço a uma religião. Quando sinto vontade vou tomar passe num centro espírita, raramente assisto uma missa em uma Igreja Católica, aonde fui batizada e frequentei por muito tempo, mais para desfrutar da companhia do meu pai do que para ouvir o que diziam os padres.
Ano passado fui algumas vezes a um culto numa igreja que reúnem jovens, tem um linguajar mais apropriado e as músicas no estilo gospel são sempre no ritmo do reggae ou do rock. Às vezes era bom ouvir o sermão do pastor, muitas vezes me emocionei. Só que um dia fui a um culto direcionado apenas às mulheres e senti-me um peixe fora d'água por não entrar naquele transe coletivo, nem me prostar ao chão em lágrimas. Depois disso percebi que as pessoas precisam ter um comportamento igual de submissão e de afastamento de tudo aquilo que eles consideravam pecado. Não pode beber, usar drogas, curtir músicas que não fossem gospel, adorar imagens ou frequentar lugares aonde estão os considerados "pecadores".
Tudo o que eu sempre fiz.
Ou quase tudo.
Não que eu "adore" imagens, mas gosto muito das divindades indianas, não queria me desfazer das minhas roupas.
Acredito que cada um tem uma forma de se conectar com Deus, alguns fazem um altar em casa e vão até ali algumas vezes fazer suas orações, outros bebem chás alucinógenos, bem, há uma gama enorme de rituais que dependendo da cultura de cada um, da sua formação, do seu cotidiano, irá atrair este ou aquele. Logo, é de uma imbecilidade tão grande debochar da forma como as pessoas praticam sua fé. Confesso que fiquei espantada e até incomodada quando vi algumas mulheres ajoealhadas no chão quase gritando, algumas até desmaiando, mas respeito. Sei que é sempre melhor estar em união rezando do que sentada em volta de uma mesa esperando a vez para usar cocaína.
Outra coisa que percebi em alguns locais aonde as pessoas reúnem-se para orar, falam muito mais do Diabo do que em Deus. O Diabo tem uma força tão grande que leva ao fundo do poço as almas daqueles que se deixam corromper, que usam drogas, que matam, que estupram, que bebem álcool, que gastam dinheiro em jogatina ou aplicando golpes. Todas estas pessoas agem motivadas pelo Mal, pelo Demo, pelo Coisa Ruim.
E o livre-arbítrio? Onde fica?
Há alguns dias, uma amiga evangélica falava sobre a recaída do marido e a cada frase usava alguma citação da Bíblia. Tudo estava na Bíblia, as formas como o Diabo usa de artimanhas para obter seu objetivo e levar aquela alma de volta ao inferno, está tudo lá.
A única coisa que poderiam fazer era orar muito para que Deus agisse e o trouxesse de volta à Luz.
Daí eu penso, se somos monoteístas, se devemos acreditar apenas em um Deus, como aceitar que o Diabo tenha mais força e consiga interferir na vida das pessoas?
Não, definitivamente há muita contradição em todas as religiões. O que se assemelha um pouco ao que penso é o Espiritismo, acreditam que temos carmas, mas que nosso livre-arbítrio determina tudo.
Canso desta enorme hipocrisia que envolve os devotos de qualquer religião. Será que todos se esquecem que a Bíblia, conforme conhecemos, foi apresentada ao mundo pela Igreja Católica, que por muitos anos concentrou o poder e dominou povos através do medo? Tudo é uma questão de interpretação.
Quantos são os padres católicos que se envolveram em escândalos, quantos pastores tiverem enriquecimento ilícito?
Quantos se aproveitam da boa fé pra cobrar (o que eles chamam de doar) o tal dízimo? Enquanto pastores andam de caminhonetes importadas, muitos fiéis tiram de seus miseráveis salários a quantia para dar à igreja. Basta assistir 5 minutos de uma pregação para constatar o que eu digo: um minuto falam de Deus, depois dividem o tempo falando da importância do dízimo - e do quanto a pessoa pode sofrer as consequências por não contribuir - e do poder do Diabo, do quanto pode te dominar.
Não existe o Diabo pra mim.
Concordo que tudo na vida tem dois lados, mas discordo da existência deste ser que é tão forte que compete com Deus, nosso Criador.
O Bem e o Mal se difundem dentro de nós. Não há criatura que seja apenas má, nem uma que tenha só bondade. Todos nós em algum momento da vida pecamos, pois é do ser humano. Muitas vezes nem nos damos conta dos nossos erros, das nossas falhas.
Quantas vezes vemos pessoas extremamente religiosas negando-se a ceder um prato de comida a um irmão que lhe bate a porta, preferindo jogar suas sobras no lixo ou aos cães?
Ou caindo na tentação de julgar aquela vizinha? Também vejo aqueles que dedicam-se integralmente as obrigações da sua igreja esquecendo-se dos familiares, dos amigos, como se estes que não comungam pela mesma Bíblia não lhes servisse mais. Por outro lado, conhecço adictos dedicados à família e que são capazes de fazer qualquer coisa para apoiar um amigo.

Confesso que é mais conveniente acreditar na presença de uma força maligna quando nos deparamos com notícias sobre mães que matam seus filhos, filhos que matam seus pais e saem para beber cerveja, sobre estupradores de crianças, decaptadores de jovens.
Há muita maldade no mundo sem dúvida. Sempre houve na verdade. A diferença é que hoje vivemos num mundo globalizado, então, as informações nos chegam ao mesmo instante que ocorrem.
Ao invés de simplificar e acreditar que o Diabo mais uma vez se fez presente, prefiro crer que a pessoa que cometeu o crime só pode ser alguém doente, que nasceu com algum distúrbio e por isso age desta maneira tão inconsequente, disseminando todo o seu ódio ou seja lá o que for.
Até por uma questão de proteção, precisamos aceitar que existem pessoas más, sem escrúpulos, sem sentimento, que não se importam com a vida alheia e com o sofrimento que podem causar. A maldade faz parte da nossa sociedade desde as primeiras civilizações.
Creio na lei da Ação e Reação, acredito que todo o mal que plantar gera uma energia negativa e será isso que atrairá para sua vida, assim como todo o Bem que propagar irá trazer muitas coisas boas para você.
É uma questão de energia, basta perceber as pessoas que te rodeiam.
Eu, por exemplo, trabalho num local aonde há muita infelicidade, desde funcionários (alguns) aos pacientes. Até posso entendê-los, pois os pacientes não procuram o posto por estarem bem. Ficar sem saúde, nem que seja por causa de uma simples gripe, não é legal mesmo, tira o humor de qualquer um. Agora os funcionários até entendo alguns, embora acredite que para tudo há solução e que ninguém tem nada haver com o meu salário baixo, nem com as péssimas condições de trabalho que nos é oferecida. Ninguém é obrigado a fazer algo que não lhe traz felicidade. Não sou feliz no posto com certeza, mas encontrei mecanismos para evitar tudo o que me aborrece. Não deixo que a energia negativa da maioria das pessoas me afete. Nem a falsidade. Enxergo ali inversão de valores o tempo todo, mas recuso-me a entrar na onda.
Então não creio no Diabo, porque dentro de mim há a certeza de que Deus é muito maior, mesmo quando fiquei doente ou perdi meus pais, sabia que eram etapas dolorosas que serviriam ao meu crescimento espiritual, porque acreditar em Deus não impede que coisas ruins te aconteçam, mas são nestes momentos que sabemos se realmente temos FÉ.
Eu tenho e sei que sou protegida.
FÉ EM DEUS E PÉ NA TÁBUA...

terça-feira, 22 de março de 2011

Somos um grão...







Sexta-feira, 11 de março, acordei cedo e assim que liguei a televisão, como de costume, fiquei chocada ao ver as imagens do terremoto e do tsunami que assolaram algumas cidades do Japão. Mesmo estando longe, a gente se penaliza com tamanha destruição.
Depois veio a notícia de que a cidade de Morretes estava embaixo d'água... uma surpresa, pois não ouvi chuva alguma durante a madrugada.
Fui trabalhar e choveu muito, muito mesmo, algo que só tinha visto uma vez, há alguns anos. Fiquei preocupada por ter deixado meu carro na cabeceira da ponte e as informações eram de que havia carros boiando.
Confesso que não me desesperei, devo estar acostumando-me a ser resignada.
Como sou uma pessoa de sorte, meu carro ficou num local seco enquanto em torno dele tudo era água, parecia um rio imenso. Entrei, agradeci muito Deus por ter me poupado e encarei a rua inundada. Fui devagar e logo estava a salvo em casa. Na cama quentinha, com meu marido ao lado. Ufa...
No transcorrer da tarde descobrimos que não tínhamos água. Entre as notícias da tragédia no Japão acompanhávamos as informações dos desmoronamentos em Morretes e Antonina, até que fomos informados de que estávamos isolados. Sim, não dava para passar pela rodovia que liga Paranaguá a Praia de Leste por causa da água na pista e nem pela BR-277, aonde pontes foram levadas com a enxurrada.
Só então começamos a ter uma noção da dimensão do problema.
Paranaguá era uma cidade isolada. Se alguém precisasse ser levado às pressas para Curitiba não tinha como sair, só se tivesse dinheiro pra um táxi-aéreo.
O desespero da população nos dias seguintes foi encontrar água mineral. Descobrimos que nosso galão tinha pouco mais de 3 litros. Por sorte, achei por um preço bem acessível garrafinhas de 500 ml. Porque sempre tem aqueles que não se importam em lucrar com a desgraça alheia.
Também vimos que não podíamos reclamar mesmo, pois a caixa d'água debaixo estava cheia. Só precisávamos nos acostumar com os baldes. Balde pra tudo.
Menos mal, pois alguns estavam sem telefone, outros sem internet. Outros sem casa...
Na segunda-feira tivemos que correr ao posto, pois soubemos que os combustíveis também acabariam. Nos supermercados as gôndolas de verduras e frutas estavam vazias, alguns alimentos como pão fatiado já não eram encontrados.
Sem contar a onda de boatos. Uns diziam que havia mais de 100 corpos em um conteiner ao lado do IML, outros falaram que a luz acabaria e a população em pânico correu pra comprar velas. Aos poucos a imprensa conseguiu reestabelecer a verdade.
Apesar de tudo, ainda acredito que não podemos reclamar, pois não perdemos nada, pior seria se estivéssemos em Morretes, Antonina... Ou no Japão.
A situação dos caminhoneiros que ficaram quatro dias sem poder sair do lugar e descarregar no porto também foi lamentável. Em nenhum momento lembraram que aqueles trabalhadores estavam sem banheiro, sem alimentação e sem água. Os pobres tiveram que se virar do jeito que deu.
Hoje, dez dias após, ainda enfrentamos problema com água, mas em alguns domicílios está chegando, fraca porque não tem pressão. O risco agora é de contaminação, campanhas alertam sobre o risco de contrairmos Hepatite A e Leptospirose.
Não estamos mais isolados, a BR-277 está com o tráfego liberado nos dois sentidos, mas em alguns trechos ainda o tráfego flui lentamente porque passa em meia pista.
Ainda encontramos pessoas preocupadas em conseguir água potável, também é comum encontrarmos pessoas com garrafas pelas ruas.
Estamos vivendo tempos que muitos chamam de apocalípticos?
Poderíamos evitar?
Não acredito que seja o fim do mundo, como muitos, aquela frase chata das pessoas que dizem "é 2012 chegando", isto é besteira.
Prefiro acreditar nos cientistas, segundo os quais estes fenômenos sempre ocorreram, a diferença é que hoje nós, humanos, tomamos conta do planeta.
Poluímos, destruímos, ocupamos morros, desmatamos, criamos bombas nucleares...
Por não terem condições financeiras de morarem em locais seguros, a população mais desfavorecida acaba arriscando-se e habitando morros, encostas, consequentemente são os primeiros a serem atingidos quando estes fenômenos ocorrem.
O Japão desgraçadamente está em cima de placas tectônicas, hoje compreendemos exatamente o que isso significa, mas quando as primeiras civilizações começaram a habitar a face da Terra não imaginavam tais fatos.
Quando nos deparamos com tais fatos, percebemos o quão pequenos somos.
Notamos que não temos nada, que tudo pode ser levado em questão de segundos. Pobre daqueles que se acreditam onipotentes porque moram em casas boas, tem carros possantes e muito dinheiro na conta bancária. Nada disso tem valor quando não temos um coração puro e solidário. O que importa nesta vida é a vida que se leva, não o que podemos levar da vida. Porque nada nos iguala mais do que a morte. Para todos chegará o dia de partir, pobres, ricos, feios, bonitos, magros, gordos, bons ou maus, todos estão no mesmo barco.
Agora é o momento de repartimos o que temos com aqueles que perderam tudo. Porque acumular dinheiro deve servir para isto, parar praticarmos a solidariedade, não apenas para vivermos confortavelmente num país de miseráveis.
Mesmo quem não tem muito, com boa vontade consegue doar algo que ajudará o próximo.
A água também é nosso maior bem, fonte da nossa vida, precisamos usar de forma mais racional porque um dia irá acabar e não teremos mananciais que nos sirvam.

A mãe Natureza está dando vários alertas.
Ou cuidamos do nosso planeta ou teremos que aprender a viver com estas catástrofes.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval... carnaval...



Não sei exatamente quando começou, mas a verdade é que nunca tive aquele amor incondicional por esta festa popular que é o carnaval. Quer dizer, mais ou menos popular, pois se hoje quiser curtir esta festa de verdade só indo pro nordeste e gastando entre R$80 a R$800 num abadá... se bem que Recife ofereceu vários shows no Marco Zero absolutamente de graça... eu vi Lenine, Nação Zumbi, Marcelo D2... bem mais a minha cara.

O fato é que quando eu tinha 5 anos e meus pais ainda gostavam de me fantasiar e me levar pro clube, eu achava mais legal juntar o confete do chão do que dar voltas no salão... sei lá, sempre achava que seria atropelada pelos adultos, talvez tenha sido mesmo...
Nesta foto estou com meu primo, que considero um irmão... dois bibelôs em cima da mesa...rsrsrs!

Teve o tempo que eu gostava, não dançava, mas enchia a cara e me alugava... teve o tempo em que eu e minha amiga Luciane íamos de preto e ficávamos com cara de enterro, fazendo estilo... hoje vejo e me acho bem ridícula, mas eu tinha uns 22 anos.

Bem, com quase 40 anos, uma VELHA, posso dizer que adoro apenas o fato de poder ficar 5 dias em casa, ou aonde quer que eu quisesse ir. Sim, porque eu não trabalho na quarta-feira de cinzas. Coisa estúpida, ninguém rende p**** nenhuma, a maioria ainda tá de ressaca... o ritmo é lento... não tenho paciência.

Confesso que na sexta me senti angustiada, sabe aquela sensação de que todo mundo tem algum lugar divertido pra ir e você não?
Aí meu sábado foi super bacana, resolvemos questões domésticas, mesmo parecendo algo idiota, foi incrível.
Nos outros dias também, fizemos especiais os momentos em que passamos juntos... nos divertimos, rimos, passeamos com nossas 3 cachorras... e comemos muito!
Carnaval é excesso, não adianta, você não bebe e nem se droga, mas enche a pança... até comentei que não sabia mais o que era sentir fome...

Não senti falta nehuma de gente bêbada a minha volta, nem de beber.
Não sei qual foi o "hit" do carnaval porque se ouvi alguma música foi algo como Arnaldo Antunes e meu "hit" foi "Tears of Dragon" do Bruce Dickinson.
Não me estressei com nada, absolutamente.

Minha vida não combina mais com exageros. Fiquei pensando, antigamente, chegava na quarta tipo "cinza" mesmo...passava todos os dias enchendo a cara - e se fosse só isso - mal dormia, mal comia... e pensava que me divertia, mas como podia, se não conseguia me lembrar bem das coisas?

E quantos estão nesta situação?

Prefiro ser esta pessoa pacata na qual me tornei.

Fico pensando quantas pessoas perderam suas vidas na violência do trânsito, quantas brigas, quantos tiveram overdose... se começar a falar do lado ruim não páro mais...

Não quero ser chata, até porque tenho minha filha de 20 anos que está no auge da juventude e ela curtiu todas as noites...

Vejo apenas que a cada ano as pessoas se excedem mais e mais... bebem demais, drogam-se demais... tudo é demais... e será que todos tem motivos pra se sentirem tão felizes assim?
Será que compensa gastar tanto, muitos sem poder?
Aqui no Paraná o carnaval é ridículo. Fico pensando o que deve ter tocado nos trios, algo como pagode-funk-axé?
Tanto é que aqui a folia vai até segunda, porque terça ninguém aguenta mais...

Porque carnaval no Paraná não tem identidade.

No nordeste, no RJ, vemos uma festa bonita, cheia de artistas famosos, muito luxo... mas, num país tão cheio de problemas, não é contraditório que festejem como REIS? Porque aparece tanto dinheiro para financiar escolas e trios, sendo que a verdade é que faltam professores, médicos, medicamentos, segurança... e...e...e...e...falta tudo.

Quando você consegue ter esta percepção da realidade faz questão de não fazer parte deste circo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Difícil, mas não impossível.



2011 começou como sempre, muito calor, chuvas intensas, desmoronamentos, falta de remédios em postos de saúdes, alta de preços na cesta básica, caos aéreo, violência de todo tipo, filas de pais em escolas.
Enfim, nada de diferente.

Daí a gente pensa que precisa começar o ano com pé direito.
Precisamos manter o pensamento positivo.
Não te dá uma dor na consciência às vezes?

Ficamos entre a cruz e a espada. Pelo menos me sinto assim.
Trabalho num posto de saúde aonde vão pessoas miseráveis e muitas vezes preciso dizer que o remédio procurado não tem.
Por outro lado saio de lá e me jogo numa maravilhosa piscina ou deito no meu quarto gelado pelo ar condicionado.
E olha que não sou nem classe média baixa...

Não posso me contaminar, mas também não quero ficar como a técnica de enfermagem que contou que não sentiu nada ao ver a criança de menos de 2 anos morrer na sua frente depois do tio tê-la atropelado sem querer.
Aham, este tipo de criatura insensível existe na área de saúde, aonde precisávamos de pessoas sensíveis para lidar com pessoas já assoladas pela falta de saúde.

Tem gente que diz que a gente se acostuma. Será?
Eu considero este discurso próprio das pessoas amarguradas.
Nunca irei me acostumar com determinadas situações.
Meus pais tinham mais de 70 anos e não se tornaram idosos insensíveis como tantos, pelo contrário, a mãe ainda chorava ao ver o sofrimento das pessoas.

Outro dia eu estava um pouco irritada - o que não é difícil - estava cansada, um calor absurdo, correndo atrás de pagamentos, sendo enrolada, enfim, não era um bom dia.
Foi quando parei na casa da mãe de uma vendedora. Quando eu comecei o tratamento ela estava uma fase na minha frente.
Hoje, quase 5 anos depois, ela ainda luta contra o monstro que insiste em corroer seus órgãos lentamento e com muita dor, muito sofrimento.
Tinha acabado de sair de mais um internamento. Está bem debilitada, magra, sem cabelo, sem sobrancelha.
Tem esperança porque Deus lhe enviou um neto, talvez para que ela lembrasse que há motivos para continuar querendo viver.
Saí de lá com sentimentos de culpa, incompreensão e vergonha.
Culpa porque nestas horas a gente se sente mal por estar tão bem.
Incompreensão porque não dá para entender porque uns superam e outros sofrem.
E vergonha porque eu estava reclamando de tudo quando tenho o mais importante: SAÚDE.

Sei que não dá para ficarmos 100% felizes todos os dias. Faz parte de nós termos problemas que nos deixem meio pra baixo.
Só não podemos dar tanto valor as nossas pequenas dificuldades para não torná-las maiores do que realmente são.

"A tristeza é uma forma de egoísmo" já dizia Arnaldo Antunes.

Mesmo que o mundo nos dê mil motivos pra sermos tristes, com certeza temos outros tantos que nos fazem felizes... e é neles que devemos nos focar.