domingo, 22 de setembro de 2013

Vai voltar amanhã... mais uma vez, eu sei.


Preparando-me para mais uma cirurgia, uma outra etapa, algumas barreiras e medos a serem vencidos.
Desta vez estou mais ansiosa. 
Muito mais emotiva.
Sei que Deus sempre tem o melhor para mim... sei que o Sol vai brilhar mais uma vez.
Sei.
"Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã"...
Tem tanta coisa me pegando, tanta angústia, sentimentos tristes, depressivos. 
Pode ser pressentimento, pode ser desejo, pode ser tristeza, saudade.
Difícil definir.
Preciso encarar e pagar para ver.

De tanto me chamarem de guerreira, estou acreditando ser. 
Visto minha armadura, pego meu escudo e sigo.
Não fujo de nada, o que tiver que ser será, já passei por momentos piores... e estou aqui, viva, fiz do limão aquela limonada deliciosa.
Não espero compreensão de ninguém, só desejo que as pessoas olhem pra dentro de si e se cuidem, pois nada melhor do que cuidar da sua própria vida.
Quando passar esta fase, quero mudar - de novo - preciso colocar em prática algumas coisas para ser um ser humano melhor, para tratar minhas doenças, viver de forma saudável, quero ser melhor para mim.
Há 17 meses e 8 dias eu parei de usar substâncias que me entorpeciam e passei a sentir o mundo exatamente como ele é.
Quando dói, apenas choro, me isolo e fico pensando em coisas ruins.
 Está aí o núcleo da minha doença, pensamentos depressivos, sombrios que servem para alimentar minha personalidade que tende para este lado.
Meus problemas não são maiores nem iguais aos seus, mas são todos meus.
Tem muita coisa que crio, expectativas então nem se fala, mas mal consigo fazer nascer as flores nas  orquídeas, quem dirá resolver os meus labirintos existenciais.
Este texto é melancólico, triste, frio... mas o momento em que vivo é este, não finjo ser quem não sou, minha alegria é sincera, minhas palavras também.
Prefiro assim, uma tristeza sincera a uma falsa alegria.
Não quero agradar ninguém, quero apenas melhorar um pouco a cada dia.
Amanhã não vou estar aqui, nesta cidade, estarei resolvendo as questões do mundo adulto, das quais não posso fugir e ninguém fará por mim.
A vida dói sim, muitas vezes, porque ninguém é o tempo todo feliz, mas ao menos, posso dizer que nunca precisei de bengala para me sentir bem, apenas usei subterfúgios para fugir... das coisas que se passavam dentro de mim e nunca entendi.
Bem, vou lá, mais uma vez... e hei de retornar.
Viver não é apenas respirar, nem acertar o tempo todo, muitas vezes é cair, levantar, serenar, passar por longos vales de silêncio mas nunca deixar de ACREDITAR e FAZER O BEM. 
Sem esperar nada.
Chegará um momento aonde serei recompensada, pois aceito... só por hoje...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Onde você se esconde? Onde se revela?




Vou falar de algo que vem me pegando, há algum tempo, melhor, há alguns anos.
Não chega por um motivo, não avisa, não pede licença, apenas se instala e pronto.
Muitas vezes a forma de escoar um pouco é deixar virem as lágrimas.
Lágrimas... que lavam a alma, me deixam mais leve.
Uns dizem "faça exercícios, procure seus amigos, tome remédios, NÃO tome remédio", porque resolver a vida do outro é simples, também sou mestra nisso.
Posso estar rodeada de pessoas e me sentir sozinha, posso estar no lugar mais bonito do mundo, posso estar em casa, no serviço, conhecendo uma nova cidade, a caminho do Grupo, do nada, ela chega.
Contorce meu coração, faz doer minh'alma, tira-me a vontade de continuar viva.
Só não rouba minha fé.
Se roubar, sei que me entrego e vou embora.
Só por hoje, um dia li um artigo na Gazeta do Povo sobre suicídio e fiquei com medo.
Já falei sobre isso, que depois que minha filha nasceu, desisti totalmente da tolice.
Penso em formas, mas minha espiritualidade, minha crença crê que não seria a solução permanente para algo que é provisório.

No meio destes meus sentimentos, ontem, mais um famoso se foi.

Ouvi muita coisa, li, confesso que concordo com poucos e percebo que a grande maioria não entende mesmo o que é não sentir-se parte deste mundo, sentir-se morto, mesmo vivo.
Não há esposa grávida, fama, dinheiro, pessoas a sua volta, família, trabalho... só tratamento resolve.

Depressão... o mal do século.

Não sabemos o que se passa no íntimo do outro, apenas sei que é a falta da serotonina produzida no corpo que causa esta disfunção.
Claro, exercitar-se, gastar energia, tudo isso ajuda muito, mas primeiro precisa ter o mínimo de serotonina pra começar.
É a mesma coisa que querer chegar num posto de combustível com o tanque vazio.
Pode ser que consiga empurrar, pode ser que ache muito pesado.
Eu estou quase chegando ao posto, vejo-o, falta pouco, não vou desistir, estou cansada, está pesado...
Posso perder tudo, menos a certeza de que é uma fase, que vai passar e
  ter fé de que vou vencer, principalmente.
Isso tenho, mas ainda não é o suficiente para evitar estes sentimentos que chegam e me corroem...
Quando penso na minha vida hoje, sei que muita coisa que machucava, que inseri na minha vida há mais de 15 anos, só poderiam ser retiradas assim, abruptamente, arrebentando tudo, sem deixar raiz.
Sim, paguei o preço, ainda caio na pergunta se valeu à pena pagar, bem, confio em Deus, se tudo aconteceu foi porque havia um propósito. Porque era para ser.
Apesar de tudo, percebo o quanto cresci, o quanto evolui, o auto-conhecimento que adquiri... tudo o que sabia sobre mim, até então, eram camuflados, disfarçados por máscaras, abri baús aonde haviam ressentimentos infantis, juvenis, que me tornaram no que eu achava ser.
Dói?
Sim, mas hoje sinto, não uso nada que me altere psiquicamente.
"Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto"... não gostava de mim.
Não é fácil, quando penso na culpa, tenho certeza que eu subi degraus, perdoo-me porque não tinha outra forma de deixar pra trás os espinhos que viviam no meu cérebro.
Nem tirar da mira as pessoas para quem apontava minha arma, sem pensar duas vezes em apertar o gatilho.
Bastava não ser do meu jeito.
BUM!
Hoje identifico meus sentimentos, sou mais humilde, quando erro prontamente admito, não arrumo desculpas, quando não estou bem, simplesmente não fujo para outra dimensão.
Nem disfarço, ninguém vive minha vida, nem paga minhas contas.

Viver dói, mas minha vida tem muito mais acertos do que erros, sou muito honesta, embora colecione meus defeitos com uma certa predileção por alguns.
Ser adicta e ter que controlar todos os sintomas, dia após dia, fica mais fácil com a programação que procuro seguir.
Lembrar da Oração da Serenidade quando sinto raiva, quando ouço um não, ajuda-me.
Ter depressão é difícil, porque minha mente de vez em quando quer me sabotar, quer me levar daqui.
Só que hoje encontrei mecanismos que me afastam da doença, nada que me entorpeça, apenas a visão clara e objetiva de quem sou.
Não vou perder a fé, não posso, ninguém pode.
Tudo é fase, tudo passa, ninguém vem aqui pra sofrer.
Vou buscar, vou encontrar um caminho.

Não vim ao mundo para errar e viver no erro, sou como a Fênix... quantas vezes for preciso irei renascer.
Ainda não está bem do jeito que quero, mas vai ficar melhor.
Quando não está bom, simplesmente sinto.
Posso me sentir sozinha, mas sei que não sou.

A vida é só um detalhe... é tudo, é nada... é uma cilada.

sábado, 7 de setembro de 2013

5 anos sem Ludovico Mikosz, mas o amor ainda está muito vivo dentro de mim!







"O amor como palavra é muito lindo, como vivência também, mas a vivência só será completada quando o amor for verdadeiro, quando o amor significar caridade e tudo for feito no mundo por caridade".
É pai, apenas 5 anos se passaram. Tanta coisa mudou na minha vida, tanta coisa mudou dentro de mim.
Queria abraçá-lo e dizer mais uma vez muito obrigada.
Queria pedir perdão, mas hoje não carrego culpa por ter sido aquela adolescente tão difícil, tão rebelde, tão desajustada e complicada.
Agora sei qual é o foco dos problemas, entendo-me e assim, um pouco a cada dia, perdoo-me.
As vitórias que conquisto, por mais um dia, gostaria de compartilhar com você (s).
Quem sabe ainda sou uma garotinha, esperando o ônibus, não para escola, mas sozinha.
Vi um idoso caminhando tranquilamente na Praça Dois Leões ou dos Leões - tenho dúvidas até hoje - mas enfim, meu coração quase parou, quem dera fosse o senhor pai, que Deus, por descuido, deixou que saísse para dar uma voltinha e me permitiu vê-lo.
Claro que não, mas aquela visão fez com que me visse ali, brincando na praça com meu irmão sob a vigilância da cuidadosa dona Rose, a quem tive o privilégio de ter como mãe.
Que doce infância eu tive, posso dizer que com tudo o que uma criança merece ter.
Lembrei de comprarmos o material escolar na Rosibrás, mas nada de escolher o que fosse mais caro, o senhor deixava eu escolher sim, se não fosse luxo. Lembro de ambos encapando os cadernos, da ajuda que me davam nas lições, com paciência., do cheiro das tintas, do lápis de cor, do uniforme novo, do tênis...
Quando o senhor brigava comigo só sua voz já me fazia tremer... e a cara de brabo então?
Olha que mereci muitas cintadas, mas não, vocês não eram disso. Só uma vez tomei uma, fiquei muda de raiva, passei o dia todo fingindo que tinha perdido a voz... para se sentirem culpados, no fim das contas ninguém notou... ou notaram e deixaram, porque sabiam como eu era bicuda.
O senhor era tão justo pai, justo com funcionários, justo com pessoas desconhecidas, justo como homem público, queria tanto uma cidade melhor, que pensasse no povo, no mais pobre, no mais desfavorecido. 
Meus primos sentem sua falta porque dizem que o "tio Lude" era como pai.
Tão simples, mas poucos percebem o estrago emocional que faz numa criança que chega no Natal e vê seu primo ganhar 2, 3, 4, 5... presentes e ele apenas um, de plástico, que ao abrir o pacote já cai a rodinha, a perninha da boneca. Nunca meus primos, na época mais pobres, passaram por isso, o presente que nós ganhávamos era igual pra eles. 
Quem pensa assim neste mundo de consumo exagerado, aonde crianças de 4 anos já ganham TABLETs?
Tenho orgulho de ser Mikosz, porque o senhor foi um grande homem, de caráter, índole, que ajudou muita gente apenas porque seu coração mandava, nem eu sabia de algumas histórias, soube no seu enterro.
Não tinha vaidade, não que fosse perfeito, ninguém é... mas suas qualidades abafavam defeitos e se sobressaiam.
Agradeço a Deus por ter dado a você uma neta, tão amada e tão querida que trouxe aquela velha alegria já perdida nas desilusões e das decepções que a vida trouxe a ambos.
Tiveram perdas cruéis.
Tenho a lembrança de vê-lo sentado na beira da cama, um dia após o enterro da minha mãe, chorando. Acho que só o vi chorando duas vezes, quando roubaram-lhe um carro em Curitiba e ainda haviam tantas parcelas do consórcio a serem pagas... e quando perdeu sua cara-metade.
Ela queria você perto, você queria ir.
Sei que fiz minha parte como filha naqueles 15 meses que separam a morte de ambos, vivi para o senhor, adotei-o como meu filho, lembro do senhor sempre dizendo "não precisa, vai se incomodar comigo, você tem tanta coisa pra fazer", mal sabia o quanto eu me sentia honrada de cuidá-lo.
Na minha cabeça, vocês ficariam bem idosos, talvez até numa cama precisando de cuidados, sabia que seria minha missão, que sozinhos não ficariam.
Só que Deus, com toda sua misericórdia, mandou enfartes fulminantes, nenhum dos dois ficou inválido, foram ainda ativos.
Sabe que tenho certeza que ela estava junto do senhor o tempo todo, sofrendo porque o via sofrer?
Porque eu sei que sozinho no seu quarto chorava de saudades.
Foram 52 anos de casamento, de cumplicidade, de amor, respeito, carinho...
Digo que não fazem mais homens como o senhor pai, por isso estou sozinha. 
Este ano minha filha, melhor, a filha que eu pari e você e minha mãe educaram como se fosse de ambos, irá se formar.
Não vou dizer que criaram, porque nunca abandonei a Jéssica, ela sempre me chamou de mãe, sempre morou comigo porque filho é pra ficar com a gente. Só que dividimos as responsabilidades, pois eu era uma menina, novinha e o seu coração era acolhedor.
Queria-o (s) junto comigo vendo-a, tão jovem, formando-se, já com um bom emprego, bem casada, responsável... ela sim, é a Roseane que não deu certo, mas sei, vocês vão sempre arrumar uma desculpa para dizerem que tem orgulho de mim.
Modéstia a parte, passo tantos percalços que sempre alguém me diz "guerreira, admiro você", tem sempre alguém me ajudando, nunca estou sozinha... talvez seja Deus, talvez sejam meus anjos da guarda, Ludovico e Rose, nunca saberei, o que sei é que sinto saudades, mas toco minha vida, tirando as pedras do caminho, enfrentando meus medos, escalando degraus, conformando-me com os fatos, tendo fé e esperança no futuro.
A caridade meu pai? Pratico-a, todos os dias, com estranhos, com conhecidos, com animais e comigo mesma, a final, foram anos e anos repetindo os mesmos erros esperando resultados diferentes.
Agora é um dia de cada vez e quando chegar minha hora, torcer para ser recebida por vocês dois.

Obrigada Pai... obrigada Deus, por ter me colocado no seio desta família.