sábado, 30 de novembro de 2013

Nem sempre...


Nem sempre ao olharmos para cima o céu estará exatamente do jeito que gostaríamos, muitas vezes esperamos um dia de sol e o que teremos será um dia cinzento.
Fico bem chateada quando os dias chuvosos se emendam, sucessivamente.
Hoje, particularmente, foi um dia muito complicado, me senti bem estressada, mas consegui fazer algo que penso ser fácil e de repente percebo que não é: admitir que sou impotente.
Pensei que seria fácil assumir algumas responsabilidades, mas percebi que querer não é poder. Meu problema é querer abraçar o mundo, pensar que sou de ferro, que posso tudo e perder o controle.
Tem duas coisas hoje para as quais me entrego de coração, por amor e de boa vontade: meu Grupo e os animais, leia-se ONG Amigos Protetores.
Nestes últimos dias me dediquei mais aos animais. Das seis cadelas que tenho aqui - duas filhotes - três estou dando LT (lar temporário).
Decidi no impulso, mas enfim, agi com meu coração e talvez elas estivessem lá aonde estavam.
O problema foram complicações, cirurgia, doenças... imprevistos que se fossem previstos não teriam este nome.
Juntando-se a tudo isto, minha dificuldade em conseguir uma pessoa que venha cuidar do meu quintal, como consigo levar canos de jardineiros, é impressionante. 
Já me sugeriram morar numa casa menor, com terreno menor... mas confesso, amo meu lar, de verdade. Por que as pessoas tem a tendência de achar que só porque vivemos sozinha temos que diminuir nosso espaço?
Já morei num espaço de 30 m² e era simplesmente terrível, depressivo. Ligava chorando para meus pais e eles corriam pra ficar comigo.
Esta mania de estar no controle da minha vida, esta dificuldade de entregar minhas vontades, de lidar com as situações, de manter a serenidade.
Quando estou no olho do furacão parece que vou pirar, mas me vejo resolvendo tudo, penso que apesar das dificuldades não chutei, não berrei, não gritei... não fiz merda, não me entorpeci, não fugi da realidade, então, apesar deste dia não ter sido exatamente como eu queria que fosse, está tudo bem. 

O importante é que amanhã posso acordar em paz, me deparar comigo sem me sentir desconfortável e fazer apenas aquilo que decidir que será melhor para mim.
Hoje não estou muito a fim de longos texto, nem sempre serão otimistas, nem sempre os dias são azuis, mas que bom que estou aqui e tenho saúde...

sábado, 2 de novembro de 2013

Movida apenas por amor vou em frente....



Não vou fazer um texto triste porque hoje é Dia dos Finados e as duas pessoas mais importantes da minha vida já passaram para o outro Plano.
Também não vou ao cemitério levar flores que certamente serão roubadas por alguém até o final do dia.
Já fiquei chateada quando notei que roubaram a cruz do túmulo, cruz de mármore maciço, nem aonde estão restos mortais dos entes queridos os ladrões respeitam, mas quer saber, quem faz isso já deve estar morto espiritualmente, não muda em nada o significado daquele local para mim, nem o que sinto no coração.
Lembro todos os dias dos meus pais, especialmente, sinto o amor de ambos muito forte na memória e no coração.
Talvez alguns acreditem, outros não, mas antecedendo a última cirurgia, aliada a uma crise forte de ansiedade e depressão, tive uma noite de insônia, daquelas terríveis. Porque há noites em que apenas não durmo e pronto, não fico lutando, mas há noites que me torturam pensamentos, medos, no silêncio da noite ouço coisas que de dia não consigo.
Senti, perfeitamente, a mão da minha mãe sobre a minha cabeça, como fez por muitas vezes.
Ela queria me acalmar, queria que eu soubesse que não me deixaram.
Senti, acredite ou não.
Não tenho o hábito de sonhar com eles, acontece raramente, mas são sonhos que geralmente não me dizem nada, não sinto como um encontro espiritual aonde conversamos sobre coisas da vida.
Ter pais bons é benção para a vida toda.
Minha mãe era um doce, meu pai a bondade em pessoa.
Não sei ainda por que não nasci da barriga dela, mas isso não significa nada, pois de alguma forma Deus me recolocou no leito desta família.
São tantos momentos bacanas que gosto de lembrar, sentimentos de gratidão e alegria me inundam. Não quero ficar triste e chorosa, pois nunca meus pais gostariam que eu chorasse, seja pelo que fosse.
Se algo eles admiravam em mim era a capacidade que eu sempre tive de lutar e não me abater.
Pai e mãe sempre farão falta quando são presentes na vida da gente.
Vejo muita gente com dificuldade em se relacionar com os seus, vejo filhos abandonados, pais esquecidos... gente com tanto ressentimento que se esquece de ao menos tentar mudar o rumo da história da sua vida.
Não fui uma adolescente admirável, era muito embarulhada, mas sempre busquei demonstrar amor, sempre me preocupei com eles, embora não tenha conseguido evitar algumas discussões, coisas que quando somos jovens fazemos por estarmos sempre pensando que somos o centro do mundo.
Confesso, há coisas que não gosto de lembrar e minha memória me ajuda a esquecer... prefiro pensar nos últimos anos quando consegui juntar as pedras e fazer delas um escada segura e firme, na qual concretizei para sempre minha relação com ambos.
Movida apenas pelo amor que recebi dos meus pais, posso dizer que me tornei uma boa filha, posso não ter sido a melhor, mas com certeza a que eles queriam que eu fosse.
Porque dentro do meu universo particular se existiram duas pessoas que me compreenderam e me aceitaram foram os dois, que nunca desistiram de mim e sempre me estimularam a ser feliz.

Hoje, movida apenas por amor vou em frente...

Pai, mãe... amores eternos.