sexta-feira, 25 de março de 2011

No Diabo eu não acredito!




Falar de religião e crenças é algo complicado e é bom sempre usarmos a cautela para não ofender nem agredir ninguém.
Não dá, tem assuntos como time, partido político e religião não se discutem... afinal, quantas guerras ainda explodem no mundo por causa de um destes temas?
Sempre acreditei em Deus, no seu poder, na sua força, na sua onipresença. Atualmente nem pertenço a uma religião. Quando sinto vontade vou tomar passe num centro espírita, raramente assisto uma missa em uma Igreja Católica, aonde fui batizada e frequentei por muito tempo, mais para desfrutar da companhia do meu pai do que para ouvir o que diziam os padres.
Ano passado fui algumas vezes a um culto numa igreja que reúnem jovens, tem um linguajar mais apropriado e as músicas no estilo gospel são sempre no ritmo do reggae ou do rock. Às vezes era bom ouvir o sermão do pastor, muitas vezes me emocionei. Só que um dia fui a um culto direcionado apenas às mulheres e senti-me um peixe fora d'água por não entrar naquele transe coletivo, nem me prostar ao chão em lágrimas. Depois disso percebi que as pessoas precisam ter um comportamento igual de submissão e de afastamento de tudo aquilo que eles consideravam pecado. Não pode beber, usar drogas, curtir músicas que não fossem gospel, adorar imagens ou frequentar lugares aonde estão os considerados "pecadores".
Tudo o que eu sempre fiz.
Ou quase tudo.
Não que eu "adore" imagens, mas gosto muito das divindades indianas, não queria me desfazer das minhas roupas.
Acredito que cada um tem uma forma de se conectar com Deus, alguns fazem um altar em casa e vão até ali algumas vezes fazer suas orações, outros bebem chás alucinógenos, bem, há uma gama enorme de rituais que dependendo da cultura de cada um, da sua formação, do seu cotidiano, irá atrair este ou aquele. Logo, é de uma imbecilidade tão grande debochar da forma como as pessoas praticam sua fé. Confesso que fiquei espantada e até incomodada quando vi algumas mulheres ajoealhadas no chão quase gritando, algumas até desmaiando, mas respeito. Sei que é sempre melhor estar em união rezando do que sentada em volta de uma mesa esperando a vez para usar cocaína.
Outra coisa que percebi em alguns locais aonde as pessoas reúnem-se para orar, falam muito mais do Diabo do que em Deus. O Diabo tem uma força tão grande que leva ao fundo do poço as almas daqueles que se deixam corromper, que usam drogas, que matam, que estupram, que bebem álcool, que gastam dinheiro em jogatina ou aplicando golpes. Todas estas pessoas agem motivadas pelo Mal, pelo Demo, pelo Coisa Ruim.
E o livre-arbítrio? Onde fica?
Há alguns dias, uma amiga evangélica falava sobre a recaída do marido e a cada frase usava alguma citação da Bíblia. Tudo estava na Bíblia, as formas como o Diabo usa de artimanhas para obter seu objetivo e levar aquela alma de volta ao inferno, está tudo lá.
A única coisa que poderiam fazer era orar muito para que Deus agisse e o trouxesse de volta à Luz.
Daí eu penso, se somos monoteístas, se devemos acreditar apenas em um Deus, como aceitar que o Diabo tenha mais força e consiga interferir na vida das pessoas?
Não, definitivamente há muita contradição em todas as religiões. O que se assemelha um pouco ao que penso é o Espiritismo, acreditam que temos carmas, mas que nosso livre-arbítrio determina tudo.
Canso desta enorme hipocrisia que envolve os devotos de qualquer religião. Será que todos se esquecem que a Bíblia, conforme conhecemos, foi apresentada ao mundo pela Igreja Católica, que por muitos anos concentrou o poder e dominou povos através do medo? Tudo é uma questão de interpretação.
Quantos são os padres católicos que se envolveram em escândalos, quantos pastores tiverem enriquecimento ilícito?
Quantos se aproveitam da boa fé pra cobrar (o que eles chamam de doar) o tal dízimo? Enquanto pastores andam de caminhonetes importadas, muitos fiéis tiram de seus miseráveis salários a quantia para dar à igreja. Basta assistir 5 minutos de uma pregação para constatar o que eu digo: um minuto falam de Deus, depois dividem o tempo falando da importância do dízimo - e do quanto a pessoa pode sofrer as consequências por não contribuir - e do poder do Diabo, do quanto pode te dominar.
Não existe o Diabo pra mim.
Concordo que tudo na vida tem dois lados, mas discordo da existência deste ser que é tão forte que compete com Deus, nosso Criador.
O Bem e o Mal se difundem dentro de nós. Não há criatura que seja apenas má, nem uma que tenha só bondade. Todos nós em algum momento da vida pecamos, pois é do ser humano. Muitas vezes nem nos damos conta dos nossos erros, das nossas falhas.
Quantas vezes vemos pessoas extremamente religiosas negando-se a ceder um prato de comida a um irmão que lhe bate a porta, preferindo jogar suas sobras no lixo ou aos cães?
Ou caindo na tentação de julgar aquela vizinha? Também vejo aqueles que dedicam-se integralmente as obrigações da sua igreja esquecendo-se dos familiares, dos amigos, como se estes que não comungam pela mesma Bíblia não lhes servisse mais. Por outro lado, conhecço adictos dedicados à família e que são capazes de fazer qualquer coisa para apoiar um amigo.

Confesso que é mais conveniente acreditar na presença de uma força maligna quando nos deparamos com notícias sobre mães que matam seus filhos, filhos que matam seus pais e saem para beber cerveja, sobre estupradores de crianças, decaptadores de jovens.
Há muita maldade no mundo sem dúvida. Sempre houve na verdade. A diferença é que hoje vivemos num mundo globalizado, então, as informações nos chegam ao mesmo instante que ocorrem.
Ao invés de simplificar e acreditar que o Diabo mais uma vez se fez presente, prefiro crer que a pessoa que cometeu o crime só pode ser alguém doente, que nasceu com algum distúrbio e por isso age desta maneira tão inconsequente, disseminando todo o seu ódio ou seja lá o que for.
Até por uma questão de proteção, precisamos aceitar que existem pessoas más, sem escrúpulos, sem sentimento, que não se importam com a vida alheia e com o sofrimento que podem causar. A maldade faz parte da nossa sociedade desde as primeiras civilizações.
Creio na lei da Ação e Reação, acredito que todo o mal que plantar gera uma energia negativa e será isso que atrairá para sua vida, assim como todo o Bem que propagar irá trazer muitas coisas boas para você.
É uma questão de energia, basta perceber as pessoas que te rodeiam.
Eu, por exemplo, trabalho num local aonde há muita infelicidade, desde funcionários (alguns) aos pacientes. Até posso entendê-los, pois os pacientes não procuram o posto por estarem bem. Ficar sem saúde, nem que seja por causa de uma simples gripe, não é legal mesmo, tira o humor de qualquer um. Agora os funcionários até entendo alguns, embora acredite que para tudo há solução e que ninguém tem nada haver com o meu salário baixo, nem com as péssimas condições de trabalho que nos é oferecida. Ninguém é obrigado a fazer algo que não lhe traz felicidade. Não sou feliz no posto com certeza, mas encontrei mecanismos para evitar tudo o que me aborrece. Não deixo que a energia negativa da maioria das pessoas me afete. Nem a falsidade. Enxergo ali inversão de valores o tempo todo, mas recuso-me a entrar na onda.
Então não creio no Diabo, porque dentro de mim há a certeza de que Deus é muito maior, mesmo quando fiquei doente ou perdi meus pais, sabia que eram etapas dolorosas que serviriam ao meu crescimento espiritual, porque acreditar em Deus não impede que coisas ruins te aconteçam, mas são nestes momentos que sabemos se realmente temos FÉ.
Eu tenho e sei que sou protegida.
FÉ EM DEUS E PÉ NA TÁBUA...

terça-feira, 22 de março de 2011

Somos um grão...







Sexta-feira, 11 de março, acordei cedo e assim que liguei a televisão, como de costume, fiquei chocada ao ver as imagens do terremoto e do tsunami que assolaram algumas cidades do Japão. Mesmo estando longe, a gente se penaliza com tamanha destruição.
Depois veio a notícia de que a cidade de Morretes estava embaixo d'água... uma surpresa, pois não ouvi chuva alguma durante a madrugada.
Fui trabalhar e choveu muito, muito mesmo, algo que só tinha visto uma vez, há alguns anos. Fiquei preocupada por ter deixado meu carro na cabeceira da ponte e as informações eram de que havia carros boiando.
Confesso que não me desesperei, devo estar acostumando-me a ser resignada.
Como sou uma pessoa de sorte, meu carro ficou num local seco enquanto em torno dele tudo era água, parecia um rio imenso. Entrei, agradeci muito Deus por ter me poupado e encarei a rua inundada. Fui devagar e logo estava a salvo em casa. Na cama quentinha, com meu marido ao lado. Ufa...
No transcorrer da tarde descobrimos que não tínhamos água. Entre as notícias da tragédia no Japão acompanhávamos as informações dos desmoronamentos em Morretes e Antonina, até que fomos informados de que estávamos isolados. Sim, não dava para passar pela rodovia que liga Paranaguá a Praia de Leste por causa da água na pista e nem pela BR-277, aonde pontes foram levadas com a enxurrada.
Só então começamos a ter uma noção da dimensão do problema.
Paranaguá era uma cidade isolada. Se alguém precisasse ser levado às pressas para Curitiba não tinha como sair, só se tivesse dinheiro pra um táxi-aéreo.
O desespero da população nos dias seguintes foi encontrar água mineral. Descobrimos que nosso galão tinha pouco mais de 3 litros. Por sorte, achei por um preço bem acessível garrafinhas de 500 ml. Porque sempre tem aqueles que não se importam em lucrar com a desgraça alheia.
Também vimos que não podíamos reclamar mesmo, pois a caixa d'água debaixo estava cheia. Só precisávamos nos acostumar com os baldes. Balde pra tudo.
Menos mal, pois alguns estavam sem telefone, outros sem internet. Outros sem casa...
Na segunda-feira tivemos que correr ao posto, pois soubemos que os combustíveis também acabariam. Nos supermercados as gôndolas de verduras e frutas estavam vazias, alguns alimentos como pão fatiado já não eram encontrados.
Sem contar a onda de boatos. Uns diziam que havia mais de 100 corpos em um conteiner ao lado do IML, outros falaram que a luz acabaria e a população em pânico correu pra comprar velas. Aos poucos a imprensa conseguiu reestabelecer a verdade.
Apesar de tudo, ainda acredito que não podemos reclamar, pois não perdemos nada, pior seria se estivéssemos em Morretes, Antonina... Ou no Japão.
A situação dos caminhoneiros que ficaram quatro dias sem poder sair do lugar e descarregar no porto também foi lamentável. Em nenhum momento lembraram que aqueles trabalhadores estavam sem banheiro, sem alimentação e sem água. Os pobres tiveram que se virar do jeito que deu.
Hoje, dez dias após, ainda enfrentamos problema com água, mas em alguns domicílios está chegando, fraca porque não tem pressão. O risco agora é de contaminação, campanhas alertam sobre o risco de contrairmos Hepatite A e Leptospirose.
Não estamos mais isolados, a BR-277 está com o tráfego liberado nos dois sentidos, mas em alguns trechos ainda o tráfego flui lentamente porque passa em meia pista.
Ainda encontramos pessoas preocupadas em conseguir água potável, também é comum encontrarmos pessoas com garrafas pelas ruas.
Estamos vivendo tempos que muitos chamam de apocalípticos?
Poderíamos evitar?
Não acredito que seja o fim do mundo, como muitos, aquela frase chata das pessoas que dizem "é 2012 chegando", isto é besteira.
Prefiro acreditar nos cientistas, segundo os quais estes fenômenos sempre ocorreram, a diferença é que hoje nós, humanos, tomamos conta do planeta.
Poluímos, destruímos, ocupamos morros, desmatamos, criamos bombas nucleares...
Por não terem condições financeiras de morarem em locais seguros, a população mais desfavorecida acaba arriscando-se e habitando morros, encostas, consequentemente são os primeiros a serem atingidos quando estes fenômenos ocorrem.
O Japão desgraçadamente está em cima de placas tectônicas, hoje compreendemos exatamente o que isso significa, mas quando as primeiras civilizações começaram a habitar a face da Terra não imaginavam tais fatos.
Quando nos deparamos com tais fatos, percebemos o quão pequenos somos.
Notamos que não temos nada, que tudo pode ser levado em questão de segundos. Pobre daqueles que se acreditam onipotentes porque moram em casas boas, tem carros possantes e muito dinheiro na conta bancária. Nada disso tem valor quando não temos um coração puro e solidário. O que importa nesta vida é a vida que se leva, não o que podemos levar da vida. Porque nada nos iguala mais do que a morte. Para todos chegará o dia de partir, pobres, ricos, feios, bonitos, magros, gordos, bons ou maus, todos estão no mesmo barco.
Agora é o momento de repartimos o que temos com aqueles que perderam tudo. Porque acumular dinheiro deve servir para isto, parar praticarmos a solidariedade, não apenas para vivermos confortavelmente num país de miseráveis.
Mesmo quem não tem muito, com boa vontade consegue doar algo que ajudará o próximo.
A água também é nosso maior bem, fonte da nossa vida, precisamos usar de forma mais racional porque um dia irá acabar e não teremos mananciais que nos sirvam.

A mãe Natureza está dando vários alertas.
Ou cuidamos do nosso planeta ou teremos que aprender a viver com estas catástrofes.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carnaval... carnaval...



Não sei exatamente quando começou, mas a verdade é que nunca tive aquele amor incondicional por esta festa popular que é o carnaval. Quer dizer, mais ou menos popular, pois se hoje quiser curtir esta festa de verdade só indo pro nordeste e gastando entre R$80 a R$800 num abadá... se bem que Recife ofereceu vários shows no Marco Zero absolutamente de graça... eu vi Lenine, Nação Zumbi, Marcelo D2... bem mais a minha cara.

O fato é que quando eu tinha 5 anos e meus pais ainda gostavam de me fantasiar e me levar pro clube, eu achava mais legal juntar o confete do chão do que dar voltas no salão... sei lá, sempre achava que seria atropelada pelos adultos, talvez tenha sido mesmo...
Nesta foto estou com meu primo, que considero um irmão... dois bibelôs em cima da mesa...rsrsrs!

Teve o tempo que eu gostava, não dançava, mas enchia a cara e me alugava... teve o tempo em que eu e minha amiga Luciane íamos de preto e ficávamos com cara de enterro, fazendo estilo... hoje vejo e me acho bem ridícula, mas eu tinha uns 22 anos.

Bem, com quase 40 anos, uma VELHA, posso dizer que adoro apenas o fato de poder ficar 5 dias em casa, ou aonde quer que eu quisesse ir. Sim, porque eu não trabalho na quarta-feira de cinzas. Coisa estúpida, ninguém rende p**** nenhuma, a maioria ainda tá de ressaca... o ritmo é lento... não tenho paciência.

Confesso que na sexta me senti angustiada, sabe aquela sensação de que todo mundo tem algum lugar divertido pra ir e você não?
Aí meu sábado foi super bacana, resolvemos questões domésticas, mesmo parecendo algo idiota, foi incrível.
Nos outros dias também, fizemos especiais os momentos em que passamos juntos... nos divertimos, rimos, passeamos com nossas 3 cachorras... e comemos muito!
Carnaval é excesso, não adianta, você não bebe e nem se droga, mas enche a pança... até comentei que não sabia mais o que era sentir fome...

Não senti falta nehuma de gente bêbada a minha volta, nem de beber.
Não sei qual foi o "hit" do carnaval porque se ouvi alguma música foi algo como Arnaldo Antunes e meu "hit" foi "Tears of Dragon" do Bruce Dickinson.
Não me estressei com nada, absolutamente.

Minha vida não combina mais com exageros. Fiquei pensando, antigamente, chegava na quarta tipo "cinza" mesmo...passava todos os dias enchendo a cara - e se fosse só isso - mal dormia, mal comia... e pensava que me divertia, mas como podia, se não conseguia me lembrar bem das coisas?

E quantos estão nesta situação?

Prefiro ser esta pessoa pacata na qual me tornei.

Fico pensando quantas pessoas perderam suas vidas na violência do trânsito, quantas brigas, quantos tiveram overdose... se começar a falar do lado ruim não páro mais...

Não quero ser chata, até porque tenho minha filha de 20 anos que está no auge da juventude e ela curtiu todas as noites...

Vejo apenas que a cada ano as pessoas se excedem mais e mais... bebem demais, drogam-se demais... tudo é demais... e será que todos tem motivos pra se sentirem tão felizes assim?
Será que compensa gastar tanto, muitos sem poder?
Aqui no Paraná o carnaval é ridículo. Fico pensando o que deve ter tocado nos trios, algo como pagode-funk-axé?
Tanto é que aqui a folia vai até segunda, porque terça ninguém aguenta mais...

Porque carnaval no Paraná não tem identidade.

No nordeste, no RJ, vemos uma festa bonita, cheia de artistas famosos, muito luxo... mas, num país tão cheio de problemas, não é contraditório que festejem como REIS? Porque aparece tanto dinheiro para financiar escolas e trios, sendo que a verdade é que faltam professores, médicos, medicamentos, segurança... e...e...e...e...falta tudo.

Quando você consegue ter esta percepção da realidade faz questão de não fazer parte deste circo.