domingo, 30 de dezembro de 2012

Inventário 2012 - Só por hoje!


INVENTÁRIO 2012
Eu sobrevivi!!!

Superei!!! E o melhor de tudo é que busquei o caminho mais improvável... foi um ano aonde tristezas e alegrias se misturaram, seguindo o curso natural da vida, pois não estamos sorrindo o tempo todo e o sofrimento é opcional, muitas vezes.
Busquei a luz quando vi que não tinha mais nada a perder, a não ser o que mais tenho de valioso: a vida. Vieram novas experiências, novos amigos, novas idéias, novos sonhos, novos objetivos, sim, encontrei uma nova forma de viver e fiz valer à pena ter me destruído para reconstruir-me muito melhor, como uma fênix. Não quero e nunca vou ser exemplo pra ninguém, quero apenas ser justa, viver tranquilamente e cuidar do que amo para que isso se multiplique.
Foi um ano aonde me surpreendi comigo, finalmente me vi amadurecer, ainda estou no início da caminhada que irá até o resto da minha vida, há muito ainda pra ser feito, mas já consegui subir ao menos um degrau. Contabilizo mais vitórias do que derrotas, tenho muito mais a agradecer do que a pedir...

Desejo ficar bem e ser cada vez melhor para todos que se aproximarem de mim.

Janeiro





Iniciei o ano de uma forma inédita, junto de todos meus irmãos biológicos e pude sentir como é ter uma grande família, unida e feliz, mas no meu interior estava me sentindo só, vazia e perdida.
Queria  responder a pergunta que martelava no meu inconsciente: "O que é o amor?".
De fato vivia a pior crise existencial de toda minha vida, de repente tudo o que  acreditava tornou-se uma grande bobagem, tudo o que abominava, pratiquei.
Eu me contrariei, eu fui contra mim... eu me destruí.
Resolvi tirar alguns dias de férias e voei para Vitória/ES para reencontrar minha família, minha prima Dani, minhas tias -irmãs da minha mãe - e meus sobrinhos postiços: Heron e Saskia.
De quebra conheci o marido da Dani,  Jef, seus amigos Gustavo e Fabiano, além do mais que querido, espontâneo e maravilhoso: Renan.
Curti muita praia - aliás, tão gelada quanto um rio-  muitos passeios, muita comida boa, muita risada e ganhei muito, mais muito carinho... puxa, estas pessoas fazem parte da minha história, das minhas melhores lembranças. Cheguei lá com o coração destruído, com a culpa nas alturas, o arrependimento me corroendo a alma... mais que isso, estava de saco cheio de tanta gente me julgando e falando da minha vida como se algum dia tivessem parado para me ouvir...e cá entre nós, quem é que pode nos julgar mesmo?
Saí do olho do furacão e voltei com vontade de continuar vivendo e acreditando que havia uma luz no fim do túnel.
Busquei aumentar minha fé, passei a frequentar cultos na igreja Bola de Neve, busquei ajuda no Grupo Nova Vida, mas... ainda era forçado, não era algo que me preenchia...
E continuava bebendo...tornou-se uma grande hipocrisia.

Fevereiro





Mês de Carnaval, eu mais perdida que sei lá o quê, até porque sempre odiei isso. Acabei tendo a sorte de receber meus amigos cariocas, Bruno e Amanda, pessoas super alto astral, como todos cariocas são, trouxeram alegria pro meu feriado. Curtimos bastante, fui pela primeira vez à Antonina curtir a folia... bebi pacas, conheci uma pessoa com a qual saí dias depois, mas ele tinha um sério problema e me afastei.
Passei a beber cada dia mais, sentava sozinha no quintal e tomava até 3 litros de cerveja sozinha, depois deitava e ia dormir, triste e chorando. Acordava com ressaca.
Comecei a separar o joio do trigo, quem realmente era meu amigo continuou ao meu lado, muitos apareceram, porque amigo de churrasco, de festa pra foto do Facebook isso é simples e rápido de ter. Claro que faz parte, mas com a correria do dia-a-dia  nem sempre podemos estar juntos, só que quando tudo dá errado é que percebemos quem está do nosso lado. Confesso que tive ótimas surpresas, fiquei desconfiada a princípio, mas aos poucos fui baixando a guarda e descobrindo que tenho muitos anjos ao meu lado.
Olha que fiquei chata e repetitiva, mesmo assim não fui abandonada.
Comecei a ter problemas no braço do esvaziamento axilar porque estava fazendo esforço repetitivo, passei por consulta no HEG e consegui que o médico da perícia solicitasse meu afastamento daquela função. Demorou porque ao invés do RH encontrar um local pra eu ficar quem teve que fazer isso fui eu, inacreditavelmente... eu gostava do setor aonde eu estava, mas não estava aguentando perder 1 hora de ônibus todos os dias. Era bom almoçar com meu tio Mário, mas meu excesso de franqueza acabou com nossa relação que vinha crescendo a cada dia após a morte da tia Ady. Não o julgo e o compreendo, afinal, ele é de um outro tempo, não foi fácil se decepcionar.
Toda ação tem uma consequência, às vezes com vários desdobramentos. Paguei o preço pelo meu erro, mas com a cabeça erguida e mostrando que podem me chamar de tudo, menos de sem caráter. Sou digna, franca e corajosa.

Março





Março começou e aquele vazio só se tornava maior, mesmo indo à igreja, buscando me integrar com pessoas boas, chegava uma hora que a realidade me torturava e lá ia eu fugir de tudo cometendo os mesmos erros buscando resultados diferentes. Estava cansando, não via nenhuma luz no final do túnel...aí alguém fechou uma porta na minha cara, mas ao mesmo tempo outras pessoas me pegaram pela mão e me guiaram. Fiquei magoada, mas entendi, ninguém é obrigada a nos aceitar quando vamos contra seus valores, quando não agimos conforme a sociedade espera.
Foi mais uma consequência da escolha errada que fiz. Aceitei resignadamente e a mágoa que sinto é porque lamento não poder mudar mais nada, justamente quando estava conseguindo restaurar anos de afastamento...
Comecei a desenvolver minha amizade com Edu, a gente conversava muito virtualmente, mas pessoalmente não rolava, era engraçado, estranho... mas era bem assim... da parte dele não posso dizer, mas da minha sei que sempre fui anti-social, esquista, não é qualquer pessoa que chega sorrindo e entra no meu "Maravilhoso Mundo de Bob". Só que chegou o momento de reportarmos esta relação pra cá, juntarmos nossas desilusões, tristezas e dificuldades, isso tudo com muita risada e bom humor... e começamos a nos unir.
Fui até Curitiba consultar com uma cirurgiã plástica e ficou marcado a operação pro dia 15 de junho, até lá teria que tomar coragem e me entregar... corte na barriga, enxerto, sem contar que não seria apenas uma, mas ao menos 4!




Abril




Começou com muita festa, muita saída, muito lugar nada haver comigo. Cada vez mais eu perdia as rédeas da minha vida e tudo por quê? Porque eu queria uma forma de fugir da realidade e esquecer o passado. E o passado continuava batendo na minha porta, como uma doença incurável, como tortura, talvez até como punição. Mesmo não querendo, mesmo com repulsa, ele vinha e eu aceitava. Medo da solidão, medo de não conseguir superar, medo da vida nunca mais ser tranquila.
Novamente quando dava por mim estava cheia de culpas, arrependimentos e uma baita ressaca moral. Não conseguia achar as respostas no Poder Superior, aos poucos as palavras foram perdendo o sentido, afinal de contas as limitações que determinadas doutrinas impõe são difíceis pra mim, também não creio no poder do Mal tanto quanto de Bem. Não acho que todos devem agir e pensar igual, que se eu ouvir Iron Maiden vou pro Inferno, que os espíritas são pessoas do outro lado... eu respeito, acho que nós somos iguais na forma, mas o conteúdo é diversificado e por isso precisamos de maneiras diferentes pra chegar à Deus. Fui me desligando das religiões.
Um dia, tive uma noite longa e simplesmente perdi um compromisso importante com minha filha. Ia almoçar com ela e a família do meu genro, era uma sexta-feira Santa e me vi novamente insana, cheia de dor, culpa, raiva e melancolia. Passei dois dias super mal, só pensando em coisas ruins, vontade de morrer, só não cometi este ato de covardia - ou seria extrema coragem? - porque acredito que do outro lado encontraria um sofrimento bem pior, não acredito no fim com a morte e se eu não escolhi nascer não posso escolher morrer.
Fui trabalhar no Posto de Saúde do Vila Garcia, lá havia um cartaz que mudou minha vida. Um dia antes eu tinha conversado com a Dolly sobre isso, fizemos um almoço de Páscoa apenas nós duas, chovia muito, unimos o pouco que tínhamos e ao som de Zeca Baleiro conversamos sobre coisas da vida, nossas alegrias, impressões e percepções desta nossa louca passagem pela Terra. Entre lágrimas eu admiti que estava cansando de me entorpecer. Dois dias depois ela me acompanhou e fui conhecer algumas pessoas que tinham encontrado uma nova forma de viver.
Quando entrei vi um companheiro tatuado com camiseta do ACDC, outro cabeludo e um amigo de infância que ficou emocionado ao me ver ali. Todos foram amorosos, disseram que eu era a pessoa mais importante e pra eu continuar voltando que mais seria revelado.
Mente aberta, honestidade e boa vontade me fizeram retornar mais vezes e a cada nova reunião me identificava mais com aquele bando de malucos... não é nada religioso, mas totalmente espiritual, de repente meu contato com o Deus da minha compreensão começou a crescer a cada dia. Um dia me convidaram pra um churrasco, lá fui eu ver como é se divertir sem cerveja, surpreendentemente há alegrias e diversão!
Foi um divisor de águas, renasci, comecei a mergulhar dentro de mim, a me aceitar, a me compreender e a me conhecer.
Dia 14 de abril foi quando começou meu ano, foi quando eu renasci.

Maio





Minha vida tomou outros rumos, novos amigos apareceram, novas emoções, outra forma de viver.
Fiz amizade com pessoas maravilhosas no serviço, me sentia muito bem lá, perto da minha casa,  vinha almoçar aqui, tudo bem tranquilo. No fundo eu queria ir embora da cidade, que me esquecessem, meu sexto sentido quase ouve o que falam de mim pelas costas, isso me faz muito mal. Como não podia ir embora e recomeçar em outro lugar, foi bom ao menos ficar distante, parar de encontrar o passado.
Todos os dias passei a fazer a Oração da Serenidade, acostumei-me, ao final do dia, reavaliar minhas atitudes para ver aonde errei e buscar não cometer os mesmos erros.
Mês das Mães, almocei no sábado com a minha filha, pois no domingo subi com amigos pra Curitiba aonde assisti a final do Campeonato Paranaense, claro, mais uma vez meu time C O R I T I B A ganhou do CAP.  Eu e o meu amigo curtimos horrores, depois do jogo fomos pra Avenida Batel, som no último e dancei pacas, nem eu imaginava que me soltava tanto assim sem ingerir uma gota de álcool... um dia pra ficar na memória. Lá no estádio tive um pensamento triste, lembrei dos meus amigos que morreram na ativa, fanáticos pelo Coxa, pena que não eram fanáticos pela vida...
Foi um mês de correria atrás dos exames pra cirurgia, tive como obstáculo um exame muito caro, não sei se sou orgulhosa, se não gosto de incomodar, mas não gosto de pedir nada à ninguém. Então decidi rifar alguma coisa, com isso consegui juntar a grana. Todos me ajudaram, foi legal ver a solidariedade de todos, me sentir querida, perceber como tem mais gente torcendo por mim do que contra.
Estava pronta para cirurgia.  Mal dormia.

Junho


Estava em contagem regressiva, mal dormia, ansiedade à flor da pele, coragem & medo misturados, mas o importante é que estava serena. Sei que tudo aquilo que me traz sofrimento, me fortalece e toda vez que enfrento um medo acabo saindo regenerada e revitalizada. Sabia bem que seria um grande desafio passar pelo pós-operatório, a cirurgia foi muito agressiva, muitos pontos, dificuldade para dormir, tomar banho, me alimentar, mas sabe, tenho muitos amigos além da família com quem pude contar.
Fiquei quase 1 mês inteiro hospedada na casa da Lile e fui tratada como um membro da família, então me dei conta que embora eu não tenha mais meus pais, há pessoas ainda que podem cuidar de mim quando eu precisar. Fortaleceu ainda mais o vínculo que sempre nos uniu. Irmãs, isso que somos, não é só da boca pra fora.
Não sou tão medrosa quanto pensei ser, em alguns momentos senti angústia com tantos pontos, mas realmente, sou difícil de me abater.
A corrente positiva de tantos que torciam por mim acabou me blindando. Foi dolorido, mas passou... para dizer bem a verdade até pensei que seria um pouco pior.
Ainda não acabou, terei mais umas 3 cirurgias pela frente até o resultado final, porém a mais difícil das etapas foi esta.
Contei com a amizade do Edu que desde o mês passado mora comigo, ele cuidou da minha casa, das minhas cachorras e de mim quando retornei. Muito bacana ter uma pessoa de confiança assim.

Julho






Mês de chuva, voltei ao trabalho dia 15, mesmo sem poder fazer força tive que me virar porque não podia contar com ninguém lá. O Posto de Saúde da Vila Garcia é um local sombrio, aonde há muita maldade e muita inveja, percebi que algumas pessoas deliberadamente torceram contra mim, ficaram com raiva por eu estar tão bem. Sinceramente, são pessoas que só de olharmos pra cara delas já notamos que são vazias e medíocres.
Eu queria pular este mês, perdi a Gabi em 3 semanas. Minha grande companheira, meu grande amor, minha protetora, amiga das caminhadas, o que dizer mais da Gabi? Fonte de amor infinito, porto seguro, ela era o olhar que eu amava encontrar, sinto tanto sua ausência. Quero esquecer seu sofrimento, um animal tão bom não merecia ter passado por dias tão ruins... uma culpa eterna carregarei dentro de mim, pois sinto que negligenciei o cuidado que deveria ter anualmente com suas vacinas... ó Gabi, aonde quer que esteja, saiba que nunca me perdoarei. De todas as coisas que perdi nos últimos meses ela era o tesouro mais valioso que tive.
Ficou a Lynx, sozinha, tristona, perdida. Era legal sentar na varanda e vê-las brincando no quintal, Lynx apavorando a Gabi e vice-versa, nem parecia que tinha diferença de tamanho, aliás, a Gabi só assustava por isso, pelo seu enorme porte, porque até sua cara era de "gente boa".
Muitos amigos choraram de verdade ao saber que ela se foi, isso foi resultado de ser um cão tão dócil e amoroso. Partilhei muitas vezes esta dor com os companheiros, mas não até esvaziar, apenas percebi que não adiantava tentar colocar pra fora, este vazio, esta dor vou cultivar pra sempre.
Um dia eu vou embora também, mas infelizmente não devo encontrá-la pois a reencarnação dos animais é bem mais rápida que dos humanos. Resta-me a saudade e todas as lembranças, sinto falta de abraçá-la, do seu olhar, do seu choro pra entrar quando chovia ou quando soltavam fogos, ela era um animal inteligente, especial, um monstro fofo, aterrorizantemente gentil, estupidamente obediente.
Amo minha rottweiller e a amarei eternamente.
Um agradecimento especial ao Edu, Karine, Suzane, Márcio, Ana Karina, Edson, Renato, minha filha, meu genro e Gil por estarem ao meu lado nas horas de maior desespero, por terem a mesma sensibilidade que eu e entenderem que um cachorro não é apenas um animal, mas parte da família.
Tive uma enorme decepção com alguém que julgava ser amiga, tão difícil lidar com a loucura alheia, com a prepotência e talvez quem sabe com a inveja. Em um momento me vi superando um obstáculo, me notei em recuperação de fato, mas quando estava enfrentando a dor e o desespero de estar perdendo minha amada companheira e a insanidade e o egoísmo da pessoa veio me aporrinhar novamente com seus "mimimis" não consegui segurar a fera que em mim habita. Quebrei de vez os laços que nos prendiam, afinal, não sou de ferro e pedido de desculpas quando são aceitos devem finalizar a história. Só que não perco ninguém, as pessoas é que me deixam escapar das suas vidas.

Agosto



Agosto mês do desgosto. Foi sim, mas também foi bom descobrir algumas coisas, afinal de contas quando sabemos que incomodamos alguém que não procuramos é porque somos importantes.
4 meses em recuperação, livre das garras da adicção, redescobrindo-me como pessoa. Percebi que alguns conceitos que eu fazia sobre mim não eram reais, muita coisa eu camuflava, muita coisa boa escondida enquanto o que havia de podre era exposto. Cada vez mais unida com os companheiros do grupo, recebi muito apoio de todos desde que ingressei. Participei da criação de um grupo em Guaratuba, foi bem legal estar presente.
Mais uma vez as circunstâncias da vida mudaram destinos, mais uma vez pareceu que o Mal venceu o Bem. Não importa o que aconteça sei que tudo o que tiver que ser encontrará um modo de chegar até mim, algum dia.
Passei a me preservar, a amar a simplicidade da vida, a reconhecer a mágica da vida a cada amanhecer, a agradecer por estar viva.  Comecei a notar que viver é muito mais do que apenas estar respirando, é sentir a essência do dia-a-dia. Lembro-me de ser pequena e ter sensações de prazer ao olhar pro céu vermelho e dourado no final da tarde, de apreciar o cheiro da Terra quando a chuva cai, de simplesmente ser feliz e tranquila.
Momentos de tristeza ainda me acompanham, os outros ainda conseguem me machucar quando querem, mas procuro serenamente ignorar e focar em viver um dia de cada vez.

Setembro






O mês começou com o Encontemas lá em Morretes, fiquei hospedada às margens do Rio Nhundiaquara, foi meu primeiro evento. Não desfrutei como deveria porque não estava focada na recuperação, mas em tudo o que eu não podia modificar que já não dependia de mim. Foi bom o passeio, mas não estava ali de corpo e alma. Tive um momento de sentar na Igreja Matriz e chorar copiosamente sem nem saber o por quê. Chorei muito, por um longo tempo. Bateu solidão, raiva, tristeza, falta de fé... tudo. Aí chamei meu padrinho e desabafei com ele, depois fui me sentindo melhor.
A vida não é feita apenas de momentos bons e perfeitos, mas precisamos saber dosar e ter em mente que precisamos buscar o que nos traz paz. Estou aprendendo muito com o programa universal que sigo, sei que colhemos o que plantamos.
Fui com a Lisle até a Ilha do Mel no feriado de 7 de setembro, entrei no mar, no dia seguinte fomos à Cachoeira da Quintilha, surpreendentemente eu que odeio água gelada me joguei da pedra... depois fomos à Caiobá e por último em Guaratuba, aonde estivemos irmanadas num churrasco e peixada ao mesmo tempo...
Agora penso em fazer coisas que antes não fazia, como pular de pára-quedas, tomar banhos gelados, quem sabe até ir num dos brinquedos radicais do Beto Carreiro. Não importa, quero viver a vida da melhor forma possível extraindo dela o que de melhor ela pode me dar.
Também foi o mês em que a Agnes veio pra nós, pra fazer companhia pra Lynx. Escolhida por foto chegou super magrela, assustada, medrosa, seu olhar dizia tudo e mais um pouco. Foi seu olhar que me conquistou por expressar tamanha bondade e ternura, um pedido explícito "ME AME, NÃO ME DEIXE"... e lembravam muito os olhos da Gabi... que nunca será substituída, obviamente.
Passei uma tarde muito agradável com o Edson e a Mari, desfrutamos das delícias de uma tradicional confeitaria curitibana e este foi nosso último encontro antes dele embarcar pra Portugal. Fiquei feliz por ele realizar o desejo de voltar, mas já sinto falta deste amigo incomparável.

Outubro





Mês do meu aniversário e do meu primeiro grande evento,  V Enconpasso em Sumaré, São Paulo.
Fuiz sozinha, com a cara e a coragem.  Já estava em contato com uma companheira, a Lu, que gentilmente foi me buscar, me levou pra sua casa, aonde tomei banho e jantei. De lá fomos com outros companheiros pro Acampamento Batista que ficava a cerca de 30 km da casa dela que fica em Paulínia. Foi muito bom, pratiquei a tolerância dividindo o quarto com mais 5 companheiras, conheci pessoas bacanas com o mesmo propósito que o meu, expandi minhas idéias participando atentamente de todas as partilhas dos passos, chorei, ri, foi demais. Tudo bem que alguns realmente fugiram no que se propunham, mas valeu. Voltei com uma leveza total no espírito, com aquela sensação de crescimento interior.
A Agnes que chegou super magrela e foi engordando sem parar deu a luz a 7 filhotinhos, isso mesmo, aquela cadelinha me deu o golpe da barriga, ironicamente como tantas cadelas "humanas" fazem...
Daí no fim do mês reuni alguns amigos e comemorei meus 40 anos, fiquei naquela de comemorar ou não, mas decidi que tinha que comemorar sim, reunir a galera.
Fazer 40 anos não me deixou nenhum pouco preocupada, não me sinto "velha", nem tenho vergonha de dizer que tenho esta idade porque estou super bem, renovada, recalchutada e seguindo um novo caminho na vida. Sinto que minha vida começa agora, finalmente amadureci e já não era sem tempo. Tenho muito mais a agradecer do que a pedir.
Há 20 anos atrás eu tinha absolutamente tudo para ter uma vida tranquila, mas não conseguia preencher o vazio na minh'alma, acabei buscando caminhos escuros para fugir do monstro que não entendia por que me perseguia. Não tinha amor próprio, não era grata por nada e minha vida que era uma folha em branco e existia apenas um ponto vermelho o qual representava todos "os meus problemas", ao invés de olhar ao redor eu maximizei este pontinho. Infeliz, frustrada, ressentida e equivocada não conseguia paz.
Posso ter uma idade conseiderável, mas me sinto jovem por dentro, tenho ânimo pra acreditar que ainda está só começando. Olhar pra trás e se arrepender do que fiz e do que não fiz ainda faço, mas com menos frequência e com mais auto-aceitação. Entendo-me e procuro não me cobrar tanto, nem me condenar, afinal de contas, ao menos estou lutando pra mudar, vigio meus pensamentos e meus atos. Perfeita nunca serei e ninguém será, mas certamente irei melhorar muito...

Novembro




Mais um mês de alegrias, churrascos com os companheiros, passeios, partilhas pessoais... pessoas que se aproximaram para somar, enfim, instantes únicos que ficarão gravados na memória.
Tenho ido a uma casa de recuperação há 2 meses levar a mensagem, lá o PS proporcionou encontrar um primo, com quem procuro estar sempre que possível, apoiando-o tentando estimulá-lo e aprendendo muito também. Porque posso não estar reclusa ali, mas quando ajudamos o outro é uma via de mão-dupla.
Mudei de posto de saúde, a princípio não queria, mas no final das contas foi ótimo sair de perto de pessoas tão malignas e desprezíveis, que não merecem que eu teça nenhum comentário.
Sentimentalmente meu coração encontrou um pouco de carinho, uma amizade bacana... não é amor, não tem compromisso, mas me faz bem quando acontece e sinto-me feliz... nada como lindos olhos pra suprirem um pouco da minha carência... riqueza pura! Alguém que quando está ao meu lado faz com que eu perceba a vida de outra forma, uma pessoa que admiro, que me inspira... não importa a quantidade de pessoas com as quais nos envolvemos, importa que elas deixem boas marcas, que partilhem sua vida de forma franca e que nos faça acreditar que o milagre é possível... ó que firmeza heim!?

Dezembro






XIX Encompasso em Quatro Barras. Foi o grande evento que encerrou o ano. Realmente não me identifico com as companheiras curitibanas, fiquei no quarto com elas e sinceramente papinho de silicone não rola comigo. Nada pude aproveitar delas, chegou uma hora que cansei de ser simpática e achei que só de não arrumar briga com elas já foi sinal de evolução, afinal, há poucas 24 horas atrás eu não seria tão tolerante com gente tão sem educação.
Subi com dois companheiros de Curitiba, aproveitamos todas as partilhas e sinceramente, foi muito melhor do que SP. De cara identifiquei uma possível madrinha, alguém que despertou em mim carinho e empatia imediatamente assim que começou a partilhar. Um papo de mais 15 min. entre nós duas e tiver certeza, fiz o convite e alguns dias depois "BINGO" virei sua primeira afilhada. Ainda não começamos a usufruir dos benefícios do amadrinhamento devido as festas de fim de ano, mas assim que mudar o ano vou recomeçar a escrever os passos com ela.
Tive grandes experiências ouvindo os companheiros partilhando, chorei, ri, foi incrível... com certeza este evento fará parte da minha vida todos os anos.
Conheci companheiros de SC, vivi momentos inusitados, foi muito massa.
Tinha planos inclusive de passar alguns dias com eles, mas só por hoje nunca sabemos o que acontecerá amanhã. Dia 26 de dezembro passou um tornado com ventos de até 114 km/h e tive prejuízos materiais em casa, mas o pior foi meu lado emocional, desestabilizei-me, senti-me muito sozinha, perdida e desamparada, de repente pensei que minha vida era uma farsa, que não sou feliz bolhufas alguma e fechei a mente... senti vontade de encher a cara pra fugir um pouco desta realidade, de sentir aquele barato que o alcool me dá, mas lembrei do depois, ouvi alguns conselhos e percebi que estava caindo no auto-engano da doença, que auto-piedade não me levaria a nada e sim, o que não me mataria iria me deixar mais forte.
Não é fácil ser sozinha e matar alguns dragões, mas quando conseguimos passar por eles o que nos sobra é um sentimento único de vitória, de superação.
Superação aliás é o que tenho feito desde que nasci, antes era incoscientemente, agora certamente faço com toda honestidade, com a mente aberta e plenamente com boa vontade. Aceito a vida do jeito que ela é e sei que dramas não me levarão a nada. Ao menos minha vida é real e o que sinto é verdadeiro. Tenho muitos planos e desejos, mas confesso que ainda estou buscando uma forma de concretizá-los. Ficar limpa é o mínimo que posso fazer dentro da minha recuperação. Quero passar 2013 assim, serena, tranquila e buscar formas de melhorar profissionalmente. Talvez eu mude minha vida, desapareça da cidade aonde vivo, abandone o emprego estável e busque algo melhor longe, mas não quero me precipitar, vou aos poucos e se tiver que acontecer o Poder Superior me mostrará que rumo devo seguir.
Pedi muita saúde para o ano que se incia, muita paciência, fé e um amor, alguém que valha à pena, que me complete de verdade, pode ser novo, pode ser velho, mas quero viver um grande amor, acredito que alguém mereça receber o melhor de mim, desta pessoa maravilhosa que encontrou uma nova forma de viver.
Venha 2013, quero recomeçar...e continuar!










terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Renascendo para uma nova vida.


Madrinha que o Poder Superior me apresentou... obrigada meu Deus!

Sentindo a beleza da vida em toda sua plenitude admirando-a sem precisar de subterfúgios.

Recuperação é o que encontramos nestes eventos.

Novos hábitos... novos sabores...





Filhos de adictos em recuperação são crianças mais que amadas pois tem pais mais do que  gratos pela vida que  conquistam diariamente...



Meu segundo evento, o primeiro no meu Estado, foi inesquecível. 

Para dizer a verdade estava com um pouco de receio em ir, sei lá, fico com medo do desconhecido, de ser aceita, não faço amizade fácil, sou tímida e já tenho opinião formada sobre as companheiras curitibanas, com raras exceções não sinto empatia. Confesso que sou chata mesmo. Papinho de creme e silicone não são comigo.

Subi com dois companheiros na sexta, dia 7/12, pela estrada da Graciosa numa tarde muito abafada. Já estava feliz pois horas antes havia perdido meu celular e como uma dádiva do PS eis que ele foi encontrado por uma boa pessoa que o devolveu.  Estava exercitando minha Oração da Serenidade, conformando-me que não havia sido minha carteira aonde eu tinha guardado o dinheiro da consulta particular e das lentes de contato que faria.

A vida é assim, somos mestres em "achologia"e de repente temos que admitir que não sabemos de nada. 

Há dois tipos de pessoas, aquelas que acham que tudo é um milagre e as que acham que nada é, bem, eu me enquadro ao primeiro grupo. Digo mais, percebi que quando estamos no caminho certo as coisas boas realmente vem...

Bem, voltando, chegamos ao evento ainda com poucos participantes presentes, local lindo, acomodações ótimas... mas os primeiros instantes são estranhos sempre, rola uma estranheza de mim para com tudo e todos. Por algum tempinho me senti um "E.T.", fiquei quase em pânico, imaginando que nem deveria ter vindo...aí identifiquei uma companheira sozinha no refeitório e descobri que ela estava no meu quarto, então passamos a fazer companhia uma  à outra. 

Logo após a abertura, na partilha do Primeiro Passo, me identifico e percebo que me deparava com uma possível madrinha. A história dela, sua personalidade, a forma dela partilhar, tudo, tudo fez com que rolasse aquela empatia de cara.  Sabe aquela pessoa que você gosta fácil? Para mim é raro, não sou do tipo que gosta de todo mundo mas tento, juro que tento mudar isso.

Lá pelas tantas ela disse que não tinha amadrinhado ninguém embora sempre rolasse convite, mas agora quem sabe...

Quando acabou o companheiro nos apresentou e conversamos por uns 10 minutos, tempo suficiente pra eu ter certeza que mesmo que não rolasse o amadrinhamento eu ia pedir para que me ajudasse no programa, pediria seu telefone. Porque a cada evento percebo que as pessoas com muitos anos limpas e que vivenciam o programa universal, são as que se utilizam do apadrinhamento. Eu sei que não utilizo o meu padrinho como deveria, talvez por não saber como, mas... a literatura me dará as respostas, há um livro chamado Apadrinhamento e com certeza será minha próxima aquisição.

Todos os partilhadores do evento foram coerentes com o passo sobre o qual deveriam falar, foi sensacional. Não posso dizer que algum não contribuiu com nada. Claro, alguns me surpreenderam, me fizeram chorar e rir ao mesmo tempo. Outros me trouxeram respostas, assim como me mostraram a direção.
Tive um momento espiritual fortíssimo, aonde eu não apenas senti mas como quase cheguei a enxergar a presença do PS. Estes encontros de adictos tornam-me muito mais forte e serena, percebo que ali estão os meus semelhantes, que é desta forma que quero viver, ouço gente que chegou ao fundo do poço e da degradação moral dizendo-se feliz porque hoje tem uma vida plena. Tantos conseguem, também quero.
O programa é universal e basta apenas saber ler ou... se houver um companheiro de boa vontade até um analfabeto aprende e pode praticá-lo.
Dentro do quarto pratiquei mais a tolerância, procurei ser simpática com gente antipática. Só eu sei como foi complicado aturar, mas não discuti com ninguém e pensei apenas que só por hoje não vale à pena. Foram apenas 2 noites, se eu não conseguir superar 2 noites então preciso voltar pro final da fila e rever a oração da serenidade.
Aproveitei o evento para estar conectada com a minha recuperação, participei das maratonas, conheci outras pessoas, partilhei e me permiti ser feliz sem me preocupar com nada externo. Foi um grande evento, trouxe-me luz e agora tenho por objetivo mudar a forma como me relaciono com meu padrinho e o melhor... desfrutar ao máximo da minha madrinha (sim, ela me respondeu que aceita o convite).
São momentos como este que me levam a ter certeza que estou no caminho certo, posso ter errado, mas nada acontece por acaso. 
Eu jamais conseguiria me libertar das garras da adicção ativa se convivia com uma pessoa que era incapaz de perceber que eu precisava desta vida limpa. Só ficando sozinha e perdendo tudo o que tinha pude encontrar a serenidade.

Ser feliz é conseguir estar bem consigo mesmo, é acordar de manhã e sentir uma gratidão enorme dentro do coração por ser quem você é. 
Ser feliz é saber que não precisamos sofrer por coisas que já ficaram pra trás e muito menos por outras que nem sabemos se virão.
Ser feliz é viver o aqui e o agora.

Faço parte de um movimento mundial, de um programa universal que ajuda-me a moldar minha personalidade, meu caráter.

Enquanto os laços que nos unem forem mais fortes do que aqueles que nos afastariam posso dizer com toda certeza:
SÓ POR HOJE SOU MUITO FELIZ!