sexta-feira, 29 de junho de 2012

Jogo do Contente







Hoje completei 14 dias após a cirurgia.
Sinceramente, pensei que fosse sofrer horrores, que fosse chorar muito, que a depressão seria uma constante e que a Lisle estaria ferrada pra me aturar.
No fim, foram 2 dias realmente ruins, nem foram longos, resumiram-se apenas a algumas horas, como sempre influenciados pelo clima, pelo tempo nublado.
Pura depressão climática.
Não vou negar, ainda me dá aflição fazer os curativos, ai... mexer com pontos e ferimentos inflamados me dá agonia, meu umbigo tá machucado assim como alguns pontos que se abriram, mas, nada sobrenatural.
Nada que prejudique a satisfação de me olhar de lado no espelho se sentir-me magra, sem aquela barriga que todos perguntavam "tá grávida"?
Nunca liguei, sempre fui mais meu interior mesmo, aprendi a ver a vida assim porque sofri muito bullyng na adolescência e depois me deprimi muito quando engravidei e cultivei um mar de estrias no abdómen.
Mesmo assim, ia pra piscina do Clube Olímpico de biquini porque se não tinha uma barriga perfeita, meu bronzeado sempre compensou.

Lógico, depois do meu pai gastar com terapias e alguns homens apaixonados por mim - independente disso - passei a perceber que se preocupar com aspectos tão pequenos era algo realmente estúpido.
Fora o motivo principal das estrias estarem ali: minha filha linda, inteligente (acima da média) e perfeita, que sempre foi a motivação da minha vida.
Foi e é.
Eu seria muito vazia se me preocupasse apenas com isso.
Isso não é ser convencida, mas amadurecer.

Fiz a cirurgia agora porque fui incentivada pela minha filha e mais que isso, senti aquela necessidade de coroar este momento mágico de renascimento com mais uma superação.
É tão gratificante derrotarmos o medo e fazermos aquilo que não sabemos que somos capazes.
Barriga nova, quase sem estrias, mama redonda... ainda passarei por ajustes, mas a parte mais complexa foi esta.
Toda mulher gosta de ser magra, não ter barriga.

Claro que não basta ser só um corpo bonito, a vida é bem mais que isso.
Ser humano é ser um mano... é ser!

Acho que me atraiu mais a dor do que a restauração, porque eu sou daquelas que só cresce com a dor.
Talvez uma sadomasoquista, mas não me defino assim.
Porque se eu analisasse minha vida sob determinados ângulos não teria esta crescente certeza de que sou feliz e tenho bem mais a agradecer.
Isso também é uma questão de escolha, se focarmos no que não temos esquecemos o que temos.
Se decidirmos viver no passado e no futuro o presente nos atropela e não conseguimos apreciar a força do sol, a luz maravilhosa da manhã... a magnitude da escuridão.

Sou muito grata por uma série de coisas, especialmente pelas pessoas que me amam e estão a minha volta.
Puxa, pensei que falar mãe teria ficado no passado, afinal, meus pais se foram.
No fim, agora enferma, cá estou chamando a Neusa de Mãezinha, porque é exatamente isso que ela é pra mim.
Chego a me emocionar com tanto carinho, com tanto cuidado e sei que a dona Rose, aonde estiver, nunca mais deixará de protegê-la, pois minha mãe sempre foi uma pessoa com senso de gratidão extremo.
Sei o quanto minha mãe está tranquila neste momento de me ver tão bem.

Hoje fomos ao Parque São Lourenço, dei toda a volta, bem devagar, como uma velhinha "coroca", pois ainda não posso me esticar, a Nicole ia correndo na frente, mas a todo instante olhava pra trás e falava "vem tia Rô"... lembrei do tempo em que morava aqui e passeava nos parques com a Jéssica... que satisfação saber que fui uma mãe boa pra ela, amorosa, presente... maravilhoso poder estar ali vendo os gansos, as ovelhas, as pessoas, a natureza, sentindo o sol... quantas bençãos numa única manhã!

Eu sou feliz.
Posso ter momentos em que fico triste, saudosa, mas o que eu tenho dentro do meu coração e a vida que tive ninguém pode roubar de mim.
Se errei, aprendi com meus erros.

Deus opera milagres, sempre.
Estou atenta, ligada, conectada, minha mente está aberta.
Sei que a serenidade está chegando junto com a meia idade: 40 anos.
Que bom chegar a esta fase, me sinto muito melhor do que há 20 anos.
Legal ter coragem pra modificar tudo o que posso e não apenas ficar na repetição da oração.
As mudanças em mim são visíveis.
Sinto.
A sabedoria me traz tranquilidade.

Quero muito mais da vida, mas não quero o impossível.

Na praça enquanto observava um jovem de 15 anos bêbado, fui atraída na direção de uma linda senhora, idosa, compartilhamos a preocupação e a indignação porque o SAMU não chegava pra ajudá-lo e recolhê-lo, até que voltamos o assunto pras nossas batalhas.
Sobrevivente como eu, ela também não se deixa abater facilmente, afinal, a vida é tão extraordinária, mas não temos o poder de comandarmos o amanhã, então, pra que sofrermos?
Vamos viver o hoje plantando o que desejamos colher.
Este time de pessoas que venceram a morte é imenso.

Ela quebrou o pé recentemente, ficou 3 meses deitada na cama... falei "putz" quando me contou, pois 3 dias de cama pra mim já foram difíceis, no fim disse que foi bom porque aproveitou pra ver muitos filmes.
Ela disse que tem o Complexo de Pollyana, algo que sempre busco pra mim.
Não é uma questão de acomodar-se, mas é uma forma de levar a vida e que nos engrandece muito.

Ainda tenho quase 40 anos, mas confesso que me vi naquela senhorinha.
Um dia eu não vou me permitir ficar triste nem que fique chovendo uma semana inteira, nem se o mundo me fizer chorar.
Já tive muito e só dei valor ao perder, seria insanidade insistir nesta mesma atitude.

Vou lembrar sempre do Jogo do Contente.
Afinal, a gente é aquilo que sonha ser e acredita.

F U N C I O N A.
SÓ POR HOJE!

( 2 MESES, 15 DIAS E ALGUMAS HORAS DE REALIDADE E FELICIDADE ABSOLUTA)

OBRIGADA AO PODER SUPERIOR POR ESTA NOVA CHANCE!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Podemos enganar o mundo, mas nunca a nós mesmos!

O que você quer
não deixa de querer tão fácil

Bêbado você ainda quer
Em perigo você quer
Perdido você ainda quer
o que você quer

O que você quer mesmo permanece em você,
todo mundo vê.

Na cadeia você não deixa de querer
No hospício você não deixa de querer
No inferno você ainda quer
O que você quer

O que você quer você não perde na roleta,
não perde no baralho.

Dinheiro não compra
Conselhos não matam
O tempo não toma
o que você quer

O que você quer estará com você quando você se lembrar.
O que você quer estará em você quando você não se lembrar.

Cego você continua querendo
Velho você continua querendo
Onde você estiver
Você continua tendo
o que você quer.

domingo, 24 de junho de 2012

Por que sofremos tanto?




Vivemos num mundo tecnológico aonde as informações se multiplicam e espalham-se com a mesma velocidade que levo para levantar e desligar a televisão.
Este excesso parece que nos torna mais frustrados e infelizes.
Se queremos o que o outro tem, somos invejosos.
Se nos consolamos com o pouco que temos, somos acomodados.

O pior disso tudo não acaba aí, mas no fato de que a todo instante somos julgados.
Muitos conseguem superar e simplesmente não dar bola, outro preferem agir conforme manda o protocolo.
A sociedade hipócrita comanda a alma, os corações e os desejos.

Fracos, imbecis, acomodados, incompetentes, inseguros, mal-amados, idiotas...
Haverá sempre alguém a lhe apontar o dedo e dizer que você não presta, que deveria agir assim ou assado.
Poucos terão coragem de lhe dizer isso olhando no rosto, a grande parte dos "juízes da vida" irão condená-lo quando puderem fazer isso pelas suas costas.

Quando vejo alguém destruído por drogas (álcool também é), não gosto de taxá-lo apenas como fraco.
Não gosto de simplificar as razões para determinadas escolhas erradas.
Nem do drogado, nem do assassino, nem de ninguém.

Todos nós somos seres humanos de carne e osso, tivemos um longo caminho, tivemos traumas, medos, decepções.
Há os que tem as doenças psicóticas.

Para muitos, em algum momento as drogas se tornaram uma opção para mascarar as dores.
Errado?
Claro que sim, mas talvez tenha sido a alternativa que parecia mais acertada naquele momento.
Nunca é, claro que não, mas há ilusões que nossos corações buscam para fugir dos problemas, sem perceber que está apenas camuflando a realidade.

O sofrimento para quem sofre não é algo simples de ser discernido.

Do mesmo jeito que a felicidade excessiva pode causar efeito contrário quando o coração e a mente fechada não ajudam.
Há momentos que precisamos chegar ao fundo do poço pra conseguirmos enxergar o céu sobre nós.

Se eu pudesse pedir à Deus algo que melhorasse nosso mundo pediria que o ser humano não fosse tão exigente um com o outro.
Pediria R E S P E I T O.
Quando somos crianças, indefesas ainda, algumas situações que acontecem nos marcam pela vida toda.
Hoje chamam de 'bullyng', pedofilia, abandono de incapaz.
O que será desta criança? Que tipo de adulto?

Não julgo ninguém, gostaria que não me julgassem também.
Ninguém sabe que embora tenha tido uma vida repleta de amor e carinho, sofri com muitas outras coisas que não cabe divulgar aqui, pois os fracos de espírito e de coração malévolo usarão contra mim como armas...ah... a inveja é cruel!
Tento ser alguém melhor a cada amanhecer, tento refletir com as adversidades, procuro pessoas que me tragam a verdade.
Ainda me desiludo, ainda me decepciono, ainda espero, porém, ainda me surpreendo, ainda me alegro, ainda tenho revelações que me enchem de esperanças.
Ainda me sinto feliz.

A estrada que cada um escolhe é um caminho que cabe apenas a ele percorrer, seu ponto de partida é uma incógnita, assim como o local aonde chegará.
O importante é retirar as pedras, os obstáculos, não passar por cima de ninguém e procurar crer que sempre podemos melhorar, basta largarmos o sofrimento e encararmos nossa realidade.

Quem vive na verdade alcança a felicidade!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sentir dor.

Quando o assunto é dor acredito que nós mulheres sentimos muito mais, afinal, temos cólicas menstruais terríveis e parimos filhos, nada que os homens possam sentir.
Indo para o centro cirúrgico na última sexta-feira, mentalizando a Oração da Serenidade e sentindo-me protegida, afinal de contas, dezenas oravam por mim e esta energia do bem sempre nos alcança.
Passam-se 20 minutos, já estou sob as luzes da mesa aonde serei operada e as enfermeiras encontram dificuldades para achar uma veia boa, já que meu braço direito não pode ser picado devido ao esvaziamento axilar. Então o anestesista surge, se apresenta e começa a mostrar macetes pras elas, passam-se mais alguns minutos e ele massageando e dando palmadinhas no meu braço, mesmo assim, nada de saltarem as veias.
Começo a ficar tensa, a dor iminente, não posso fazer nada.
A primeira tentativa fracassada faz com que eu sinta dor quando a veia estoura. Fecho os olhos, o anestesista diz que irá pegar em outro local que infelizmente doerá, mas quando o cirurgião plástico entra e pergunta se estou dormindo, abro os olhos.
Em segundos sinto a agulha rasgando minha veia e a dor é profunda... "ai, ai, ai, ai, ai, ai" e seguem-se lágrimas.
Aí começa o absurdo, o cirurgião fala pra médica residente que se não resisto a uma "picadinha" destas deveria reavaliar se devo mesmo passar pela cirurgia. Solta esta e sai da sala, grosseiramente.
Sua aprendiz começa a me falar asneiras do tipo "veja bem se é isso que você quer, a dor será muito maior, pegamos veias de crianças que resistem sem reclamar"... incrível, mas naquele momento esperava ser acalmada e não insultada, humilhada.
Respondi à ela que não me conhecia e nem sabia as dores pelas quais havia passado em todos estes anos, pedi que se calasse e respeitasse meus sentimentos, minhas emoções.
Queria pedir que o anestesista provocasse a mesma dor na sua mão para ver se ficaria impassível.
Não deixei que me pisassem por serem profissionais não-humanos e antiéticos.
Ninguém tem o direito de tripudiar alguém que está prestes a passar por cerca de 7 horas de cirurgia.
Foi então que desabei em choro, enquanto o anestesista procurava me distrair perguntando sobre quem eu era, o que eu fazia, quantos anos tinha minha filha até que tudo começou a rodar.
Dormi.
Acordei com um pano na minha frente, não, não tinha morrido, apenas a cirurgia ainda não havia terminado e pude sentir e ouvir os profissionais mexendo na minha barriga.
A única coisa que eu disse foi "eu quero voltar a dormir"... e veio uma enfermeira carinhosa me consolar. Não lembro se dormi de novo.
Quando saí da sala carregada na maca já vi minha irmã, a Lile, ansiosa e solidária me esperando.

Não senti dor nesta noite, apenas desconforto, a anestesia causa vômito, mas nada de tão ruim. Consegui até assistir a um programa de humor que adoro com o Fernando Caruso, sim, no quarto tinha tv a cabo, veja que sorte, mas rir foi torturante!
Na manhã do dia seguinte, além das injeções intramusculares, da medicação intravenosa, precisaram colher meu sangue. Não podendo tirar dos braços, sobra o pé. Que pavor para quem sempre teve medo mortal de agulha.
Na primeira tentativa a veia fina estoura, de novo precisei passar por dor enorme pra tirar de outro local bem dolorido, mas foi. Segundos de tensão, talvez 1 minuto.

Senti dor na coluna por não poder mudar de posição. Não dormi na segunda noite. Os choros dos bebês queimados ecoavam pelos corredores, pedia que Deus e meu anjo da guarda me deixassem e fossem pro lado deles, pequeninos.

Mais de 48 horas depois foi necessário levantar-se. Primeiro tirar a sonda, já esperava dor intensa, mas nem senti, por sorte foi um enfermeiro carinhoso que fez isso.
Aí tive que levantar com a ajuda dele e da minha filha, aí sim, foi horrível.
Uma sensação de dor, como se os pontos da barriga fossem se romper e eu fosse terminar esparramada no chão.
Fiquei segundos em pé e a pressão baixou.
Sentei, suei frio, fiquei branca como um papel, parecia que estava morrendo, não via nada na minha frente.
Mais uma etapa superada, logo estava me sentindo bem.

A dificuldade continua, mas quase 1 semana depois não preciso de ajuda pra levantar da cama, apenas pra tomar banho.
Sinto dor, tenho 4 buracos com drenos, um está incomodando, mas creio que amanhã me livro deles, "meus cachorrinhos".
Meu braço está cheio de hematomas, estou tomando injeção anticoagulante, não doía nas primeiras vezes, mas agora está tão machucado que tem se tornado bem dolorido. Amanhã é o último dia.

A dor faz parte da minha vida, de uma maneira inexplicável.
Muitas vezes eu a procuro, inconscientemente ou conscientemente.
Outras, simplesmente, ela vem, se instala.

Meu parto foi super dolorido, com quase 5 quilos a Jéssica "entalou" e veio ao mundo puxada à fórceps.
Meu tratamento contra o câncer também teve momentos de dor.
Agora, a dor de perder a mãe e depois meu pai foi a mais devastadora.
É o tipo de dor que todos sabemos que um dia virá, mas que sempre queremos evitar.
É a dor que mais nos marca na vida, nada se iguala, pois nossos pais não podem ser substituídos.

Vejo muita gente que tem intolerância à dor.
Prefere fugir dela tomando atalhos, usando muletas, camuflando a sua realidade, enterrando seus sentimentos, suas emoções.
Há pessoas que se preocupam mais com que as outras pessoas pensam da sua dor do que encará-las.
Aí cometem as atitudes mais absurdas para fingirem que são fortes.

Sim, a fraqueza perante a dor não é tolerada em nossa sociedade hipócrita.
Fraco pra mim é quem tem medo da sua realidade, dos seus sentimentos.
Há palavras que usamos, atitudes que tomamos, mas nossos olhos são as janelas da nossa alma e transparecem nossos sentimentos.
Sentimentos verdadeiros podem ser escondidos dentro do nosso coração, palavras podem sair da nossa boca e com ela podemos agir como se a vida fosse um grande teatro, seguimos enganando e fazendo de conta que não dói, que já passamos por isso, que superamos.

A tristeza é que podemos enganar o mundo, mas não a nós mesmos.
Muito menos enganamos aqueles que nos amam verdadeiramente, pois a verdade pode ser mascarada, mas é uma só.

Por isso, não faço nada pensando que fugir da dor resolverá algo, pelo contrário, sou verdadeira, humana, cometo erros, mas aceito as penas e consequências das minhas escolhas com dignidade, coragem e fé em Deus que nunca me desampara.
Dor foi feita pra ser combatida, pois quando a vencemos podemos valorizar ainda mais a vida plena em toda sua grandiosidade.
Dor não mata ninguém.
Mentira sim.

Tudo isso que eu sinto hoje, as dores físicas pelas quais estou passando, irão me moldar como um ser humano mais forte, mais humilde, mais realista.
Porque não há mal que sempre dure.
Passei por tanta coisa nos últimos anos, foi difícil lidar com perdas e decepções, como foi difícil chegar ao auge da felicidade, das realizações.
Sou muito intensa, muito difícil passar pela vida assim, cheia de peculiaridades.
Seria simples se eu fosse comum, mas minha natureza é complexa.
Ser digna, prezar pela verdade sempre, pela honestidade não me blinda das escolhas erradas, mas procuro tirar lições dos meus erros, pois ali na frente sei que o pote de ouro me aguarda.

Posso não ser a amiga mais presente do mundo, mas sou a mais fiel, aquela que todos podem contar.
Posso não ter sido a melhor filha, mas sempre estive ao lado dos meus pais, nunca os abandonei.
Posso não ter sido uma mãe tão perfeita, mas jamais deixaria um filho meu abandonado, longe, preterido, como tantos que vejo criados por avós e que nem chamam suas mães de mãe.
Posso não ter o melhor emprego do mundo, trabalho feliz e agradecida porque pago minhas contas e não passo fome, não sou mochila nas costas de ninguém.
Posso não ser uma mulher perfeita, mas jamais aceitaria alguém ao meu lado fingindo que acredito no seu "amor" porque me traz benefícios.

Enfrento as dores todos os dias pois é na alegria de estar viva, com saúde e com fé em Deus que aguardo dias melhores pra sempre.
Minha vida não são apenas fotos bonitas no mundo virtual.
Minha vida tem todos os sentimentos, muito amor, muita esperança e muita coragem.
Muitas vezes me enxergarem como forte me incomoda, tudo bem, fraca não sou, mas há momentos que eu envergo, não quebro...
Quando preciso chorar, choro, não finjo.
Ainda bem que contabilizo mais momentos alegres.

Porque tenho certeza que de quem eu sou e agradeço à Deus por estar neste caminho, procurando a serenidade, a coragem e praticando a sabedoria.
A maldade, a inveja e o rancor alheio não me impedem de lutar.

Porque Deus fará o que for melhor pra mim, tudo o que eu quero virá no momento certo, pois a vida não é um grande espetáculo, há um dia em que precisamos tirar as máscaras e encarar de frente nosso rosto.

Obrigada dor, você me traz todo este amor que me cerca e me faz lembrar que a vida é muito mais profunda que isso.
O amanhã a Deus pertence.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Enfrentar o medo.





Sempre tive medo de muita coisa, especialmente das coisas ligadas ao meu corpo. Nunca na minha vida pensei que tivesse coragem de enfrentar 7 horas de cirurgia pra melhorar a estética do meu corpo, afinal, sou daquelas que se preocupam mais em ser do que ter.
Só que quando surgiu a oportunidade de melhorar meu aspecto físico e eliminar a chance de ter problemas futuros novamente com o câncer, então, incentivada pelas amigas e principalmente pela minha filha, resolvi encarar.
Lembrei que quando a gente decidi enfrentar o medo, vencendo-o, tornamo-nos mais fortes, mais seguros, mais determinados.
Não foi uma decisão fácil, ainda mais agora sem meus pais aqui e sem... mas descobri que tenho muitos amigos, que torcem e com os quais posso contar.
Estou sozinha mas não sou solitária.

Neste momento estou aqui sob os cuidados da mãe de uma amiga/irmã, que ficou no hospital comigo, largou sua vida pra estar me cuidando.
Fora os outros amigos que se revelaram... aqueles que não puderam estar presentes oraram, ligaram, não me abandonaram.
Talvez por isso ao me internar na véspera, sozinha, eu estava tão segura, tão feliz e certa de que aquela era uma grande escolha.
Sou uma mulher corajosa mesmo, não me deixo abater assim facilmente.

Hoje, 3 dias após a cirurgia, já tive alta. Graças ao meu primo irmão pude ficar num quarto individual com todo conforto num dos melhores hospitais de Curitiba. Não esquecerei o carinho de alguns enfermeiros que fizeram a diferença... muito menos o choro de dor dos bebês queimados que se recuperavam no mesmo andar que eu. Muito triste, mas isso os tornará guerreiros pra vida, porque infelizmente, as adversidades fazem parte.

Tirei o restante da mama que tinha adoecido, enxertei músculo do abdomem e com isso há menos chance do câncer retornar... foi estética mas também preventiva.

Peço pra Deus que eu continue me recuperando para que logo possa voltar às atividades, atendendo com educação e carinho as pessoas humildes que passam diariamente por mim, pra que eu possa comandar minha casa, tocar a minha vida e retornar ao meu grupo, que foi fundamental também nesta decisão de enfrentar o medo pra me tornar melhor.

Ainda não consigo olhar direito, estou inchada, com pontos... mal consigo ficar de pé... mas sei que em breve estarei por aí, ouvindo música nos fones e acreditando que Deus tem algo muito bom ali na frente pra mim porque eu sou uma pessoa de fé e iluminada.

Vou vencer mais este obstáculo pra me tornar alguém melhor. Porque a dor só me molda e me joga pra cima.

Obrigada a todos que oraram por mim!
Especialmente aos meus pais que estiveram ao meu lado na cirurgia.