sábado, 11 de junho de 2011

4 anos sem você...



A pior dor que um ser humano pode sentir na vida é a da perda de um ente querido, seja um amigo, um parente, seu pai, sua mãe... um filho, algo inimaginável.
Mesmo sabendo da lei natural da vida, não há como fugir da saudade que espreme nosso coração de tal forma que vazam lágrimas dos nossos olhos.

Difícil viver sem a mãe.
Minha mãe era um ser especial, de uma forma tão espetacular que simplesmente todas as pessoas a adoravam facilmente.

Passam-se os anos e o buraco vai ficando mais profundo.
Não vou dizer que não sou realmente feliz, mas dentro de mim instalou-se pra sempre a menina triste e carente.
Quando eu me sentia só, rejeitada, perdida, era minha mãe que vinha e dizia "bobagem, uma menina tão bonita e inteligente como você"... e lá íamos fazer algo de bom.

Às vezes o dia está perfeito e vem aquele anjo triste e diz "cadê sua mãe mesmo"?

Eu briguei muito com ela, magoei sim, mas sei que no final ela não ficou nada disso, apenas o meu amor incondicional.
Ela sabia que podia contar comigo porque eu a amava.
Porque foi a mãe que eu tinha que ter, não importa como.
No fim das contas também me agradecia por ter lhe dado uma neta, a única. O que foi uma pena porque a mãe era pra ser daquelas avós que enchem a casa de netinhos e os deixam fazer tudo... tudo o que os filhos não podiam...rsrsrs

Hoje o telefone toca, toca, toca... muitas vezes não o atendo porque sei que não é ela.
Lembro exatamente disso, tocava o telefone e eu dizia "a mãe"... pimba! Era ela. "Oi, tudo bem? E a Jéssica? Meu lindão (Hélio...rsrs)? E a cachorra?"... até por eu andar com a Gabi na avenida minha mãe sentia orgulho, ela era demais mesmo, só não era tão exagerada como a tia Armandina com meu primo Maurício... as Lopes são fogo, sempre dizemos isso.

A vida continua, procuro fazer meus dias cada vez mais produtivos, me cuido, no meu serviço meu lema é "as pessoas só esperam que você demonstre preocupação quando mais nada lhe restar", pois a cada pessoa idosa que atendo lembro dos meus pais. Vejo minha mãe em muitas senhorinhas.

Sinto tanta saudades.

Confesso, muitas vezes penso que agora morrer não seria tão ruim assim.
Bem down, bem melodramático mesmo, assim que sou e sempre fui.
Minha vida é um drama mexicano então deixa eu protagonizar as cenas em seus mínimos detalhes.

Penso muito na vida, reflito, acredito na vida após a morte, sinto amor pelo ser humano, raiva também.

Só que este buraco de saudade de mãe é bem sério.

O único pensamento que acalma meu espírito: pensar que ela está aqui.
Porque é tudo tão difícil, ver-se naquela situação aonde percebe-se só, sem alguém que realmente saiba compreender, não te julgar, nem te fazer cobranças, acho que é algo que realmente não me pertence mais.

Porque cada pessoa é do seu jeito, eu sou assim, os outros são de outro jeito. Assim fazemos o mundo.

Então, não adianta amigo presente, marido carinhoso, filho amoroso... é minha mãe que faz falta no meu ser, a minh'alma.
Dentro de mim realmente se modificou a visão do que é a verdadeira felicidade, perdi, não adianta, é um pedaço de mim que foi enterrado junto.

Porque quando se deixa de ser algo, como ser FILHA, isso nos traz uma certa amargura.

Quando tudo dá errado, quando ninguém te compreende, quando você precisa fazer uma manha para ganhar aquele colinho de quem te conhece desde o tempo que você precisava de alguém que te alimentasse, te trocasse, te cuidasse incondicionalmente, só sua mãe mesmo... ou seu pai, se você teve sorte de um Ludovico.


Dia dos namorados para mim é dia de aniversário de morte dela.

O luto é algo que os olhos dos outros não veem mas que vive dentro da gente.

Te amo muito mãe. Você é o meu ideal de mulher perfeita.

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