quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Se você não me entende não vê...




Que bom poder estar distante da minha realidade para poder me enxergar direito.
Sem culpas e arrependimentos, porque estes dois sentimentos são devastadores e me acompanham por toda parte, mas desta vez nos separamos, deixei-os em casa, na solidão do meu quarto.
Porque aqui o foco sou eu.

O que houve?
Por quê?
Não consigo entender, aliás, o que entendo é que precisava mudar por dentro há anos, desde quando fiquei doente.

Ninguém é capaz de entender como é difícil superar os obstáculos, os percalços.
Há dores que a gente pensa que jamais nos incomodarão, mas infelizmente elas estão ali esperando pra nos dar o bote.
Superar a doença com tanto amor em volta é fácil, mas no fundo eu nunca superei a ausência repentina dos meus pais.
Quando escondemos algo de nós mesmo não é bom, um dia explode.

De repente notei que não havia mais pra onde correr, que a vida tinha perdido a graça.
Aquela sensação de "não sou importante pra ninguém" foi tomando conta do meu interior.
Não eram quaisquer pais.

Minha mãe não era daquelas que ficam mais de 2 dias sem ligar.
Meu pai não era do tipo que você nunca pode contar.
Eles eram o porto seguro da minha vida.
Eram a minha família de verdade.

Fácil me julgarem. Quero ver serem eu.

Errei sim, mas voltei atrás rapidamente, confundi meus sentimentos, meus desejos, minhas angústias.
Uma mulher que ainda era uma menina inconsequente.
Eu disse ERA. Nem eu sabia o quanto.

Não escrevo pra me justificar de nada porque sinceramente, estou cansada de gente hipócrita enfiando o dedo nas minhas costas - porque na cara ninguém tem coragem - estou cansada das pessoas pensarem mais no que os outros vão pensar do que tentarem me entender apenas um pouquinho.
Sou humana, erro.

E na vida é assim: 1000 acertos e nenhum elogio, 1 erro e 1000 condenações.

Tanta coisa aconteceu na minha vida, o turbilhão de emoções que senti jamais entenderei. Jamais...
Sei apenas que não sou uma pessoa falsa, não sou a melhor pessoa do mundo, mas sou sincera, correta.

Sou um ser humano único e autêntico, não consigo ser de outra forma.

Sei que Deus conhece a minha essência e sabe que sou uma pessoa boa, que sempre procurou fazer o bem,  que sempre se preocupou em ajudar aos outros.
Deus sabe o quanto evolui nos últimos anos, seja pelo amor ou pela dor.
Deus sabe que se meu coração não fosse quase puro e ingênuo, muita coisa poderia ser evitada, mas enfim, de repente a vaidade tomou conta do meu ser e tudo mudou.

Mudou e mudou de novo... e está mudando. Sou um ser em mutação.

Só eu sei o que sinto, o que senti.
Também sei exatamente o que eu quero.
Quero ser feliz, muito mais do que sou.

Quero aprender a viver comigo mesma, entender que não, eles nunca mais voltarão e que realmente as pessoas que estão ao meu lado jamais conseguirão preencher a lacuna, o vazio.
Meninas mimadas e muito amadas demoram muito a crescer.
Mesmo assim, nasceria mil vezes filha da Rose e do Ludovico.

Não tenho orgulho dos meus erros, mas tenho orgulho de ser uma pessoa verdadeira.

Pena que as certezas que um dia eu tive serviram apenas pra atrapalhar e afastar as minhas verdades.
O importante é reconhecer as falhas e procurar um caminho melhor, aprender a superar e amadurecer de verdade.

Não adianta nada ser amada se eu mesmo não consigo me amar. O problema sou eu, por isso eu mesma resolverei tudo.